Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 156. Finalmente, os três <>
Quando começaram as contrações de Bleier, os criados da mansão ficaram desconcertados por um instante, mas logo se coordenaram para preparar o parto, tal como haviam planejado.
Com exceção de uma única pessoa: Herdin.
Diferente de Herdin, que parecia pálido como um cadáver, Bleier o observava com um sorriso radiante, pois as dores intensas ainda não haviam começado formalmente.
—Por que está fazendo essa cara? Em breve poderemos conhecer nosso bebê.
—Você está sofrendo. Não está com medo?
Vê-la sorrir com tanta naturalidade mesmo naquela situação lhe trazia alívio, mas, ao mesmo tempo, o inquietava.
Embora Herdin ignorasse os pormenores do parto, sabia que a dor ainda não havia atingido seu ponto crítico e que, quando isso acontecesse, seria um sofrimento que superaria qualquer imaginação.
No entanto, a pessoa que realmente atravessaria aquele tormento mantinha um sorriso encantador, como sempre, e era ela quem consolava o marido preocupado.
—Em breve conheceremos nosso bebê e você está ao meu lado, então estou bem. Não tenho medo algum. Por isso…
Bleier interrompeu-se no meio da frase e cerrou os dentes. Ao mesmo tempo, a pequena mão que segurava a dele se tensionou com força. Parecia que as contrações, que vinham em intervalos regulares, haviam retornado.
O coração de Herdin afundou ao presenciar a dor de Bleier. Ele ficou paralisado, sem saber como reagir enquanto a observava.
Bleier não morreria durante o parto. Mas o fato de não morrer não significava que não sofreria.
Não havia nada que ele pudesse fazer por ela enquanto atravessava aquele suplício.
Foi Bleier quem o resgatou da sensação de impotência que começava a consumi-lo.
Quando a dor diminuiu momentaneamente, Bleier voltou a sorrir como se nunca tivesse sofrido e acariciou a mão de Herdin.
—Estou bem. De verdade.
—Então você também sorria. Devemos receber nosso bebê com um rosto alegre.
Os olhos preocupados de Bleier analisaram a expressão do marido. Diante disso, Herdin sentiu uma pontada de autodesprezo. Mesmo mergulhada na dor, ela se esforçava primeiro para tranquilizá-lo.
Herdin esboçou um sorriso amargo ao vê-la. Depois, respondeu enquanto afastava delicadamente as mechas de cabelo que se colavam à testa suada dela.
Só então Bleier pareceu se tranquilizar e sorriu.
Herdin permaneceu ao lado de Bleier enquanto os intervalos entre as contrações diminuíam. Arrumava seu cabelo, beijava o dorso de sua mão e sussurrava que ela estava indo muito bem.
A dor intensa começou formalmente após a meia-noite. Finalmente, quando a bolsa rompeu, Herdin foi expulso da sala de parto. Foi uma decisão de Bleier.
Pouco depois, do outro lado da porta fechada, ouviram-se os gritos de agonia de Bleier.
Ele, que havia se esforçado para fingir naturalidade diante da esposa — que só se preocupava com ele mesmo antes de dar à luz —, desmoronou completamente assim que saiu do quarto.
Bleier estava sofrendo daquele jeito e ele não podia fazer nada. Absolutamente nada.
Pensar que, em sua vida passada, deixou que ela suportasse aquilo sozinha.
Diante das palavras da esposa sobre ter esquecido, a culpa que permanecera escondida em um canto de seu coração por tanto tempo voltou a atravessar seu peito.
Com o passar do tempo, os gritos de Bleier tornaram-se mais fortes. No fim, ela começou a soluçar com a voz já rouca.
Sofrendo assim, ela realmente ficaria bem?
Ao ouvir aqueles gritos, sentia que seu coração se despedaçava, mas, no momento em que o silêncio reinava, seu coração se contraía temendo que algo tivesse dado errado. Sentia-se à beira da loucura, não importava o que acontecesse.
Herdin desabava no chão e depois se levantava para andar ansiosamente diante da porta, repetindo o ciclo uma e outra vez.
No início, Ruth tentou afastá-lo da porta da sala de parto por todos os meios, mas acabou desistindo ao perceber que não havia forma de separá-lo de Bleier.
Então, como se lembrasse de algo, ausentou-se por um momento e retornou para lhe oferecer algo.
—Excelência, por que não tenta se acalmar um pouco?
O que Ruth lhe entregou foi um cigarro.
Ao vê-lo, Herdin interrompeu seus passos. Seus olhos se estreitaram. Certamente, não havia nada mais útil do que aquilo para aliviar as emoções.
Herdin pegou o cigarro por hábito, depois de tê-lo abandonado durante os últimos dois meses, mas parou ao se lembrar repentinamente das palavras de Bleier.
«Então você também sorria. Devemos receber nosso bebê com um rosto alegre.»
Não podia exalar cheiro de tabaco diante da criança que conheceria o pai pela primeira vez.
Por fim, recusou novamente o cigarro.
O tempo terrível que parecia eterno terminou quando a luz da manhã começou a preencher o corredor e os gritos de Bleier cessaram.
Herdin, que caminhava ansioso pelo corredor, parou bruscamente e ergueu a cabeça. Ruth, que cochilava ao lado dele, também abriu os olhos ao perceber que ele havia parado.
O silêncio sepulcral durou apenas um instante; logo, ouviu-se um choro vindo do quarto.
Não era o choro de Bleier, mas o de um bebê.
Enquanto Herdin fitava fixamente a porta fechada, ela se abriu e Rina, que estivera ajudando lá dentro durante toda a noite, saiu.
—Nasceu um menino saudável.
Os olhos de Rina estavam vermelhos e marejados ao dar a notícia. Os olhos de Herdin, que a encarava, tinham uma cor muito semelhante.
Herdin passou por Rina e entrou na sala de parto. Embora o quarto estivesse desorganizado e ainda não tivesse sido limpo, nos olhos de Herdin só existia Bleier.
Bleier, que jazia com o rosto visivelmente exausto, abriu os olhos como se tivesse sentido sua chegada. Depois, dedicou a Herdin um leve sorriso.
Bleier o chamou enquanto dava leves tapinhas na beirada da cama. Diante daquele chamado, Herdin aproximou-se rapidamente e a abraçou.
Somente ao estreitar aquele pequeno calor contra si, sentiu que finalmente podia respirar. Seu corpo, que tremia levemente, foi recuperando a estabilidade.
Bleier, como se compreendesse perfeitamente seus sentimentos, o abraçou e acariciou suas costas largas enquanto sussurrava.
Herdin soltou uma risada involuntária diante do elogio da esposa. Mesmo naquele estado, ela pensava primeiro nele.
—Você foi quem mais sofreu.
Quando Herdin recuperou totalmente a calma, a limpeza da sala já havia terminado. A parteira finalmente retornou com o bebê envolto em mantas.
Bleier recebeu o menino dos braços da parteira com destreza. Era porque se lembrava do momento exato em que segurou a criança pela primeira vez.
Bleier sussurrou ao bebê em seus braços.
—Olá, pequeno.
Como se respondesse ao chamado, o menino abriu os olhos. Olhos violeta brilhantes, iguais aos dela, cintilaram. Aquela visão era tão maravilhosa que lhe trouxe lágrimas aos olhos.
O menino, que piscava olhando para a mãe, esboçou um pequeno sorriso. Não parecia o comportamento de um recém-nascido.
Ao ver aquilo, os olhos de Bleier se encheram de lágrimas.
O menino era idêntico em aparência a Asiel. Tanto o cabelo negro como azeviche parecido com o de Herdin quanto os olhos violetas semelhantes aos seus.
No entanto, Bleier sabia. Esta criança não era aquele “Asiel” que ela havia amado.
O Asiel do passado havia desaparecido nos jogos do tempo.
Sabia que, mesmo reencontrando Herdin e dando à luz Asiel, aquela criança não poderia ser o mesmo “Asiel” que amou, mas, naquela época, sentiu que não conseguiria suportar uma segunda vida se não encontrasse Asiel, ainda que fosse dessa maneira.
A razão pela qual trouxe Bbi Bbi da floresta invernal e pela qual, no fim, não conseguiu devolvê-lo à natureza era a mesma.
Mas agora era o momento de deixar partir o Asiel do passado, que jamais poderia voltar a ver. Tanto pelo Asiel do passado quanto pelo Asiel do presente.
Ainda assim, o amaria sem mudar. Provavelmente para sempre e com todo o coração.
—Obrigada por vir até nós, Asiel.
Após cumprimentar Asiel, Bleier percebeu que Herdin observava a criança atônito e a ofereceu a ele.
—Você também o segure.
Diante da pergunta dele, Bleier soltou uma risada.
—Por que não poderia? Você é o pai.
Vamos, rápido.
Herdin, incapaz de resistir à insistência da esposa, pegou o menino quase sem perceber.
Em sua vida passada, conheceu Asiel quando o menino já tinha mais de meio ano de idade.
Naquela época, Asiel também era tão pequeno e frágil que temia quebrá-lo se o segurasse errado. Por isso houve razões para não se aproximar mais.
Mas o Asiel atual era ainda menor. Era espantoso que um corpo tão diminuto pudesse respirar e se alimentar. Apesar disso, seu peso era consideravelmente mais sólido do que parecia.
O menino piscou seus olhos violetas e o olhou, como se compreendesse o próprio nome. Claro, a visão de um recém-nascido não é muito boa, então era improvável que pudesse vê-lo claramente.
Ao olhar para os olhos da criança, as lembranças de sua vida passada cruzaram sua mente.
Em sua vida anterior, não tratou bem Asiel. O menino estava sempre com Bleier. Ele só pôde observar de longe aquela criança prodígio que se parecia exatamente metade com ele e metade com ela.
E, no fim, para proteger aquela criança, não teve outra escolha senão matar a si mesmo para retornar ao passado.
Mas esta vida seria definitivamente diferente.
Herdin alternou o olhar entre Bleier, que sorria com os olhos marejados, e a criança em seus braços, depois voltou a entregá-la a ela. Em seguida, beijou a testa da esposa enquanto ela segurava o bebê e abraçou os dois com delicadeza.
Assim, finalmente, voltaram a ser uma família de três.
Que os dois descobrissem que Asiel conservava as memórias de sua vida passada era uma história que aconteceria um pouco mais tarde.
«Eu só preciso do filho do Duque» Fim.
Sabia_tutsung
AAAAAA QUE LINDINHOOOO