Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 124: Já Volto
Ao amanhecer, uma carruagem parou diante de uma vila escondida na floresta, nos arredores de Nereha.
Vários homens vestidos com túnicas negras, que já aguardavam no local, abriram a porta do veículo. Quem desceu foi Gerard, também trajando uma túnica escura.
Recebendo as reverências dos subordinados, ele perguntou:
— Os preparativos estão prontos?
— Tudo foi organizado conforme suas ordens.
Ao entrar em um quarto no segundo andar da vila, Gerard se deparou com uma lareira. O homem que o guiava puxou um dos tijolos, revelando uma passagem secreta. A estrutura se abriu, mostrando uma escada que levava ao porão.
Gerard deixou seus subordinados para trás e desceu sozinho.
No centro de um enorme subterrâneo, tão vasto quanto a própria vila, havia um gigantesco círculo mágico desenhado com sangue. No coração daquele círculo repousava a cabeça de uma cabra negra.
Aquele era o lugar onde sua vingança, planejada durante toda a vida, finalmente seria concluída.
“Aquele garoto… se parece com meu irmão de uma forma assustadora. Tenho certeza de que sua expressão ao sofrer será igual à dele.”
Gerard — ou melhor, Rogan Delmarque — sorriu friamente ao pensar em Casion, o alvo de seu rancor, e em Herdin, o filho que era sua imagem viva.
Eram rostos detestáveis.
Rostos que ele odiava profundamente desde o dia em que colocou os pés pela primeira vez na mansão do Duque Delmark, quarenta anos atrás.
“O que é essa coisa suja? Eu não preciso de um irmão.”
Rogeon, que vivia apenas com a mãe nos bairros pobres, ficou órfão aos cinco anos e foi acolhido pela família Delmarque.
Esmeralda teve pena dele e o aceitou como irmão, mas Casion rejeitou completamente sua existência.
Provavelmente, mesmo tão jovem, sentiu instintivamente uma ameaça ao próprio lugar.
Na época, Casion tinha apenas sete anos.
Conforme crescia, Casion passou a proteger Rogeon, ainda que reclamando o tempo todo.
Mas Rogeon detestava isso.
Para ele, aquela bondade era apenas a condescendência de um vencedor absoluto.
Em uma sociedade de castas, Casion era o herdeiro legítimo destinado ao poder.
Rogeon era apenas o filho ilegítimo sem direito a nada.
Não importava o quanto estudasse ou treinasse, jamais poderia superar aquela diferença.
Então, Rogeon tomou sua decisão.
Se não podia mudar o mundo, mudaria a si mesmo.
Abandonaria seu próprio corpo… e roubaria o de Casion.
Assim, movido por uma ambição sombria, começou a estudar magia negra.
Mas foi descoberto.
“Usar magia negra proibida pelas leis imperiais e tentar prejudicar o herdeiro de Delmark é um crime grave. Porém, devido à sua pouca idade, em vez da execução, você será confinado ao castelo principal de Delmark.”
O Duque Delmarque alegou piedade paternal.
Mas era mentira.
A punição pública era apenas fachada.
Secretamente, enviou assassinos na carruagem para matar Rogeon e forjar um acidente.
Como líder da família, foi uma decisão racional.
Como pai, uma crueldade monstruosa.
Ainda assim, o destino não o abandonou completamente.
À beira da morte, o poder sagrado despertou dentro de Rogeon.
Milagrosamente sobrevivendo, ele fingiu sua morte, desapareceu e retomou seus estudos de magia negra.
Embora nunca tenha conseguido encontrar o feitiço de troca de corpos, descobriu outra forma de destruir Casion e a Casa Delmark.
Uma magia negra capaz de quebrar a segunda restrição.
Ao atingir a idade adulta, Rogeon mudou seu nome para Gerard e entrou para o templo como sacerdote.
Para alguém com seu talento e obsessão, não foi difícil ascender até se tornar o sumo sacerdote… e depois o papa mais jovem da história.
Um posto que, ao contrário da família Delmark, não lhe negaria poder por sua origem.
Já como papa, Gerard se aproximou primeiro de Eloise, esposa de Casion.
Por meio dela, alcançou Casion.
Mais de vinte anos haviam se passado, e seu rosto mudara tanto que nem o próprio irmão o reconheceu.
Então, Gerard lançou seu feitiço.
Marcando Eloise com magia negra, usou o amor de Casion por ela para arrastá-lo à ruína.
Foi fácil demais.
Vazio demais.
Até surgir uma variável inesperada.
— O jovem duque matou o pai e sobreviveu.
— Parece que o duque recuperou a consciência antes de morrer e acabou sendo morto pelo próprio filho.
A princípio, Gerard não se importou.
Casion estava morto.
Delmark estava destruída.
Mas tudo mudou quando viu Herdin pela primeira vez no funeral.
O garoto era assustadoramente parecido com o pai.
Por um instante, Gerard foi transportado de volta ao dia em que conheceu Casion.
“… Ele se parece muito com o duque.”
Naquele momento, percebeu.
Era uma nova oportunidade.
Uma chance de mergulhar o filho no mesmo desespero.
De fazê-lo sofrer até que seu próprio ódio finalmente descansasse.
Gerard lançou em Herdin o mesmo feitiço que usara em Casion.
Bastava esperar.
Mas surgiu outro obstáculo.
Esmeralda.
Desconfiando da morte de Casion, ela começou a investigar.
Gerard a matou.
Depois, manipulou Katarina, estimulando seus medos, transformando-a em um peão perfeito.
E assim, Katarina acabou entregando até a própria filha como peça em seu jogo de vingança.
Agora, depois de tudo… o objetivo estava diante dele.
— Se meu irmão tivesse matado aquele menino naquela época, mesmo morrendo pelas mãos do pai, ele não teria carregado o destino de ameaçar a vida da pessoa que amava.
Gerard se aproximou do círculo mágico negro e sussurrou:
— Portanto, toda a infelicidade daquele garoto… é culpa do meu irmão.
Agora era hora de cortar, de uma vez por todas, o vínculo maligno que perdurava por tantos anos.
Enquanto isso, Bleier, que cochilava, abriu os olhos ao sentir uma mão acariciando seu ventre.
Como o sol já se punha cedo no fim do outono, o quarto estava mergulhado na penumbra.
Ao encontrar aqueles familiares olhos azuis na escuridão, ela perguntou:
— …O que está fazendo?
— Cumprimentando o bebê.
Ainda sonolenta, Bleier levou alguns segundos para entender.
Então se lembrou.
Hoje era o banquete na mansão.
— Vai voltar cedo?
— Gostaria que eu voltasse?
Diante da resposta descarada, Bleier franziu a testa.
Como poderia estar esperando por aquele homem irritante, que a mantivera ao lado dele contra sua vontade?
Herdin soltou uma risadinha ao ver sua reação.
— Então voltarei rápido.
— Nesse caso, vou dormir primeiro.
— Então precisarei voltar logo. Minha esposa estará me esperando ansiosamente.
— Eu não disse isso…
Antes que pudesse rebater, Herdin a interrompeu.
— Já volto.
Com sua voz grave, ele acariciou suavemente os cabelos dela antes de se afastar.
Bleier ficou olhando para suas costas.
Será que ele era mais simples do que parecia?
Tudo o que mudara era que ela havia desistido de fugir.
E, de repente, ele voltara a agir com carinho… como naquela primavera em que lhe ofereceu marshmallows assados.
Ela odiava isso.
Odiava aquele homem por reacender esperanças em um coração que tentava desistir.
Apesar de todas as feridas.
Apesar de tudo.
E odiava ainda mais o fato de ele ter um rosto tão perfeito.
Herdin saiu rapidamente do quarto.
Olhando para a porta por onde ele desapareceu, Bleier murmurou tarde demais:
— Boa viagem.
Ao chegar à mansão do Conde de Nereha, Herdin foi recebido por Reimondeu, que correu até ele como se esperasse por aquele momento.
— Seja muito bem-vindo, Duque! Eu estava preocupado que sua agenda o impedisse de vir, então agradeço profundamente sua presença.
Ao redor, nobres de Kulania já reunidos se aproximaram alegremente.
Reimondeu, orgulhoso por ter conseguido trazer Herdin até Nereha, começou a apresentá-lo a todos, exibindo sua proximidade.
— Este é Bernard, governante do condado de Slate. Um velho amigo meu.
— É uma honra finalmente conhecer o maior espadachim mágico do império.
Herdin apertou mãos e ouviu cumprimentos que já não lhe causavam qualquer impressão.
Depois das apresentações, um dos nobres perguntou casualmente:
— A propósito… a duquesa não veio? Eu realmente queria conhecê-la.
No instante em que o nome de Bleier surgiu, o olhar de Herdin esfriou.
“Como era de se esperar.”
Não importava se era no império ou em terras distantes.
Os rumores corriam rápido.
Herdin pousou sua taça de vinho e respondeu:
— Julguei que os rumores absurdos que circulam ultimamente não ajudariam na recuperação da minha esposa, então ela está evitando eventos sociais.
No mesmo instante, o ambiente congelou.
Embora falasse com um sorriso relaxado…
Seu olhar deixava claro.
Qualquer um que ousasse mencionar “aquele rumor”…
Não sairia ileso.
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