Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 141. O caminho para expiar o passado
19.01.2024.
Diante da verdade que brotou dos lábios de Herdin, o olhar de Gerard começou a tremer violentamente.
A única pessoa que sabia que ele havia assassinado Casion e Eloise era Esmeralda.
Como ela havia morrido, a verdade também deveria ter sido enterrada…
Por que Herdin sabia desse fato?
Não, mais do que isso.
«Como ele soube vir até aqui?»
No instante em que essa dúvida surgiu, Herdin falou como se estivesse lendo seus pensamentos.
— Será que Vossa Santidade enviou Calrigo comigo desde o início com essa intenção?
Gerard havia sido quem recomendou Calrigo, um jovem da mesma idade, como cavaleiro aprendiz para Herdin, que passava por um período instável após perder os pais de uma hora para outra.
Naquela época, ele acreditou que Gerard, que era próximo de sua mãe, o havia designado por preocupação com ele.
No entanto, apenas ontem descobriu que existia uma verdadeira razão pela qual Gerard enviou Calrigo ao seu lado.
«Há pouco vi alguém entrando em contato com o cavaleiro Calrigo.»
Naquela noite, o cavaleiro que visitou Herdin era o mesmo que havia sido designado para vigiar Calrigo.
«Você viu quem era?»
«Isso… espero estar enganado, mas…»
O cavaleiro hesitou por um momento antes de continuar.
«…era Vossa Santidade, o Papa.»
Ele também relatou como Gerard havia usado magia negra para lavar o cérebro de Calrigo.
Herdin ficou consideravelmente abalado pela identidade do culpado, algo que ele não havia previsto de forma alguma.
O primeiro sentimento que surgiu foi a dúvida.
Que tipo de relação tão ruim ele poderia ter tido com Delmark para chegar a tais extremos?
Se fosse apenas por um sentimento amoroso por sua mãe, era estranho que ele tentasse se vingar até mesmo dele, o filho, e de Bleier.
Então, qual seria o motivo para guardar um ódio tão profundo contra Delmark?
Enquanto raciocinava, Herdin lembrou-se de um retrato que vira quando criança, em um quarto isolado da mansão ducal.
Herdin olhou para Gerard, que estava à sua frente.
Mesmo depois de recordar aquele rosto ao final de sua dedução, inicialmente pensou que era impossível, pois a pessoa do retrato havia morrido há décadas.
Mas se, por algum milagre, estivesse vivo…
Diante de seus olhos estava o rosto que correspondia a essa possibilidade.
O que antes era apenas uma hipótese tornou-se certeza no momento em que encarou devidamente Gerard.
Herdin avançou contra Gerard com sua espada, com um olhar carregado de sede de sangue.
Gerard conseguiu bloquear o ataque de Herdin por uma margem mínima usando magia negra. Um estrondo massivo ecoou enquanto a magia escura e o aço de Herdin colidiam.
Entre a espada e a magia negra em um equilíbrio precário, ouviu-se a voz gélida de Herdin.
— Devo chamá-lo de tio?
Gerard pareceu desconcertado por um momento, mas logo explodiu em risadas.
“Pensei que, se escondesse minha hostilidade, ele nunca perceberia.”
Foi um desfecho inesperado, mas ao ver o rosto de Herdin consumido por uma fúria silenciosa, achou aquilo bastante divertido.
No fundo, sentia pena de Casion ter morrido sem saber que ele era a origem de todas as suas desgraças.
Queria vê-lo enfurecido e desesperado até o último suspiro, percebendo que havia sido manipulado por ele.
No entanto, ao ver a mesma expressão em Herdin, que se parecia com Casion, sentiu um êxtase ainda maior.
— Você é muito perspicaz.
Portanto, enfureça mais, desespere mais.
— Diferente do seu irmão.
Tanto quanto seu pai merecia.
Diante das palavras sobre sua perspicácia, Herdin zombou friamente de si mesmo.
Alguém que não possui as memórias de uma vida passada não poderia saber.
Quanto tempo ele havia levado para chegar a essa verdade.
Que preço precisou pagar para estar ali.
Era uma verdade à qual não havia conseguido chegar em sua vida anterior.
E se conseguiu alcançá-la agora, foi porque havia contado tudo a Bleier.
Se na vida passada tivesse conversado com você e buscado uma solução juntos…
Se tivesse sido assim, poderíamos ter sido felizes sem que você se ferisse, sem que eu te perdesse, sem precisar dar esse longo desvio…?
O arrependimento tardio por suas decisões tolas do passado o invadiu profundamente.
Mas foi apenas por um instante.
Pois a única forma de expiar o passado é não acrescentar novos arrependimentos aos já existentes.
Herdin reforçou o aperto em sua espada e avançou novamente. Gerard bloqueou rapidamente o ataque, mas seu corpo tremeu apenas com a onda de choque.
Ele percebeu que as palavras que o descreviam como o melhor espadachim mágico do império não eram mentira.
Ele deveria ter levado Herdin ao limite para que superasse a segunda restrição, mas na situação atual isso parecia impossível.
“Ele realmente se parece com o pai a ponto de ser irritante.”
Enquanto enfrentava os ataques esmagadores de Herdin, Gerard falou para distraí-lo.
— Não está curioso para saber por que você também se envolveu nisso?
Mas a reação de Herdin foi gélida.
— Eu deveria estar curioso?
Ele continuou atacando sem descanso e acrescentou:
— Não importa qual narrativa trágica você invente, o fato de você ser um vilão não muda.
Interrompendo as palavras de Gerard, Herdin lançou uma sequência de ataques em alta velocidade. Por ser um espaço fechado, julgou que o combate corpo a corpo era mais vantajoso que a magia.
Como previsto, ao passar para o combate próximo, Gerard começou a recuar. Mesmo bloqueando todos os golpes, devia estar sentindo plenamente o impacto.
Como prova disso, todos os ataques de Gerard erravam, atingindo paredes ou o teto do porão.
No momento em que Herdin, tendo encurralado Gerard contra a parede, se preparava para o golpe final—
Kugung!
A magia falha de Gerard atingiu o teto, fazendo-o desabar.
Herdin cerrou os dentes ao ver os destroços caindo sobre ele.
“Desde o início ele planejou isso…!”
Era tarde demais para lançar um feitiço e destruir os escombros.
Ele cortou parte deles com sua espada, mas não era suficiente.
Gerard sorriu satisfeito ao ver Herdin soterrado.
Mas o ataque não parou ali.
“Vou aproveitar essa chance para levá-lo ao limite.”
Seu objetivo não era apenas matá-lo, mas fazê-lo perder o controle e se autodestruir.
Gerard lançou magia negra contra os escombros.
Mas, após um tempo—
“…Por que não há reação?”
Tudo permaneceu em silêncio.
No momento em que ele deu um passo—
Kwang!
Os escombros explodiram e Herdin apareceu.
Gerard congelou.
Herdin avançou e atravessou seu coração com a espada.
Sem hesitar, retirou a lâmina.
— Realmente demorou muito.
Gerard caiu.
Sangrando, ainda sorriu.
— Ainda… não acabou.
Herdin cortou sua garganta.
Silêncio.
Fim da vingança de duas vidas.
O primeiro pensamento de Herdin foi Bleier.
Mas então sentiu algo estranho.
“A marca não desapareceu.”
O círculo mágico negro ainda pulsava em suas costas.
O círculo mágico negro, que deveria desaparecer quando o conjurador do feitiço morre, ainda pulsava em suas costas.
— O fato de os mortos-vivos terem atacado Nereha alguns dias atrás foi tudo um plano da duquesa.
Naquele momento, Miela, seguindo as instruções de Gerard, visitou Reimondeu e revelou que Bleier era uma maga negra.
— Há um círculo mágico negro no corpo da duquesa, por favor verifiquem.
Foi apenas essa frase.
Mas, com uma única palavra, Reimondeu imediatamente voltou sua suspeita contra Bleier e Herdin.
O fato de ele ter sido amigável com Herdin até agora era apenas porque desejava os benefícios que ele poderia trazer, não por confiança real ou cortesia.
Para começar, Herdin, que planejava impulsionar o comércio portuário em Ribren, era um rival que Reimondeu precisava vigiar.
Reimondeu, irritado com as palavras de Miela, a enviou para a vila junto com cavaleiros. No entanto, os servos de Delmark não permitiram facilmente a entrada de cavaleiros armados.
Enquanto os cavaleiros de Nereha e os servos de Delmark discutiam, Ruth, percebendo o tumulto, saiu da vila.
— O que está acontecendo?
— Viemos ver a duquesa.
— Então por que motivo cavaleiros vêm ver a senhora?
— Ouvimos que a duquesa praticou magia negra. Para manter relações amistosas com Nereha, solicitamos cooperação para verificação.
Ruth respondeu franzindo levemente a testa.
— Lamento, mas a senhora não está aqui.
— Se não cooperarem, não teremos escolha a não ser suspeitar.
— Mesmo que seja urgente, vir de forma tão ameaçadora procurar uma dama, ainda mais alguém que não está sozinha—
Os cavaleiros de Nereha empurraram Ruth e invadiram a vila.
Miela seguiu até o quarto de Bleier junto com eles.
Esperando ver o rosto completamente abalado dela.
— Senhora, poderia nos atender por um momento?
Mas não houve resposta de dentro do quarto.
Miela, estranhando aquilo, sentiu um mau pressentimento e abriu a porta de repente sem permissão.
Ao mesmo tempo, seu olhar vacilou.
No quarto vazio, sem ninguém, apenas um ar frio os recebia.
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