Eu Só Preciso do Filho do Duque Extra 1. Papá arrependido (3)
Herdin, encarregado de receber os convidados que compareciam ao banquete, avistou um rosto familiar entre a multidão.
Tratava-se de um nobre que, junto de sua esposa — que estava em avançado estado de gravidez —, havia comparecido ao primeiro banquete que Bleier organizou como duquesa na primavera passada.
Agora, ele estava acompanhado da esposa e de uma pequena filha que era o retrato vivo de ambos.
Embora já tivesse uma impressão afável anteriormente, o homem o cumprimentou com uma expressão muito mais radiante do que há um ano.
—Obrigado por nos convidar, Sua Excelência.
—Pelo contrário. Sou eu quem agradece por honrarem este lugar com a presença da senhorita Felton.
A menina, que descansava nos braços do pai, pareceu perceber que estavam falando dela e fixou o olhar em Herdin.
“Será que ela é tímida com estranhos, como Asiel?”
No instante em que Herdin pensou isso ao notar a atenção da pequena, ela, que o observava atentamente havia algum tempo, soltou uma risadinha e bateu palmas.
Diante daquela reação inesperada, Herdin observou a menina com curiosidade e comentou:
—Parece que a senhorita Felton é muito sociável. Disseram-me que nessa idade costumam ser bem retraídos.
No entanto, o conde Felton, pai da menina, pareceu confuso, como se fosse a primeira vez que testemunhava tal comportamento da filha.
—Não, normalmente ela é tão tímida que se esconde… Isso é estranho.
Enquanto os dois homens demonstravam curiosidade, a condessa Felton, que observava a filha ao lado, interveio com um sorriso.
—As crianças, assim como os adultos, se sentem atraídas por pessoas bonitas e encantadoras.
—As crianças também conseguem distinguir isso?
—Ora, claro. Na verdade, são até mais honestas do que os adultos. Amar a beleza é um instinto humano.
—E o duque é um homem tão bonito que qualquer pessoa, seja adulta ou criança, não consegue deixar de perceber isso. Tenho certeza de que não existe criança alguma que não goste do duque. Não é mesmo, Rira?
A menina respondeu chupando o dedo, sem compreender as palavras da mãe; ainda assim, seu olhar permaneceu fixo em Herdin.
Só então o conde Felton compreendeu o sentimento da filha e caiu na gargalhada.
—Oh, céus. Rira, se seu tio visse isso, choraria inconsolavelmente.
Depois de rir bastante com a esposa, o conde Felton brincou com Herdin.
—Meu irmão deve sentir uma inveja profunda do duque. Ele adora Rira, mas quando se reencontraram depois de alguns meses, ela começou a chorar assim que o viu.
Herdin observou pensativo a menina, que continuava concentrando toda a atenção nele, e então desviou o olhar para onde Bleier estava.
Bleier recebia os convidados a pouca distância.
Asiel, em seus braços, acenava guiado pela mão da mãe ou observava os presentes com expressão distraída. Embora não desse boas-vindas ativamente aos convidados, não chorava nem se inquietava.
Ao contemplar aquela cena, Herdin sentiu-se autocrítico.
Mesmo que todas as crianças do mundo o amassem, de que adiantaria aquele afeto se seu próprio filho amado começava a chorar toda vez que o via?
Sentiu que podia compreender, ao menos em parte, o sentimento do irmão do conde Felton, que dizia se sentir ferido por tal rejeição.
—Acho que já o detivemos por tempo demais, duque. Nos veremos mais tarde no salão do banquete.
Ao perceberem que outros convidados estavam chegando, o conde Felton e sua esposa se despediram de Herdin e entraram.
Herdin, que observava distraidamente suas costas, viu a menina nos braços do conde agitar sua pequena mão em sua direção.
Ele observou aquilo por um instante e então retribuiu o gesto com um leve movimento de mão.
A menina sorriu docemente.
Enquanto via aquilo, um sorriso amargo surgiu nos lábios de Herdin.
Após o término do banquete, Herdin, que terminou de se arrumar antes de Bleier, dirigiu-se ao quarto de Asiel.
Asiel, que havia se esforçado para receber os convidados como o jovem duque, adormecera profundamente antes mesmo do fim da festa.
Herdin observou em silêncio o filho, que dormia com aparência angelical, e tocou suavemente com o dedo indicador sua pequena mão, semelhante a uma folha de samambaia.
Naquele instante, Asiel segurou seu dedo com força, mesmo dormindo.
Aquele gesto tão simples e pequeno relaxou seu coração.
No entanto, aquele sorriso foi passageiro.
O menino só lhe permitia estar ao seu lado depois de adormecer.
Ao ver Asiel assim, chegou a pensar que talvez aquilo fosse o karma de sua vida passada.
“Embora Asiel não tenha memórias do passado, então essa não deve ser a razão.”
Ainda assim, estava tudo bem.
Ele não desistiria de Asiel e, mesmo que o progresso fosse lento, poderia melhorar à medida que aprendesse mais sobre o filho.
Asiel chorava assim que o via, e Herdin se preocupava que o pequeno sofresse durante esse processo.
Mas, mais do que por Asiel, o que mais o inquietava era Bleier, que desejava que marido e filho, os três juntos, compartilhassem mais momentos.
Há um mês, como o aniversário de Bleier estava se aproximando, ele perguntou se havia algo que ela desejava ou precisava.
Ela afirmou que não precisava de presentes e, após hesitar por muito tempo, fingiu ceder à insistência dele e falou com cautela:
—Então… eu gostaria de pintar um retrato de família.
—Um retrato de família?
—Sim. Nós três juntos.
Agora que pensava nisso, em sua vida passada eles nunca haviam pintado um retrato de família.
Para ser mais exato, nunca haviam pintado “juntos”.
Ele se mantinha distante de Bleier e costumava se ausentar da mansão com frequência, então Bleier e Asiel posaram sozinhos para o retrato.
Para ele, que não estava presente, um pintor o desenhou separadamente.
E Herdin só descobriu muito tempo depois que o quadro finalizado, feito sem sua presença, estava pendurado na mansão.
No entanto, ele não era o único cujo coração doía cada vez que via aquele retrato.
Algo que não conseguiu perceber em sua vida passada por estar afundado nas próprias emoções, compreendeu tarde demais ao observar o rosto tímido da esposa ao fazer aquele pedido.
Como era o desejo dela, queria realizá-lo sem falta.
Mesmo que não pudesse apagar as feridas da vida passada como se nunca tivessem existido, podia substituí-las por novas memórias.
Naquele mesmo dia, Herdin marcou um encontro com o pintor mais promissor da galeria de arte privada.
A data combinada seria exatamente dali a quinze dias.
“Mas, desse jeito, não sei se Asiel e eu conseguiremos posar juntos…”
Enquanto suspirava observando o filho adormecido, sentiu uma presença familiar se aproximando silenciosamente.
Bleier, com os cabelos ainda úmidos, aproximava-se dele.
—Asiel ainda está dormindo?
—Parece que estava muito cansado. Nem sequer acordou uma vez para reclamar.
—É compreensível. Hoje ele recebeu muitos convidados com tanta firmeza como o jovem duque. Não chorou nenhuma vez, mesmo com tantas pessoas desconhecidas.
Bleier, que tagarelava sobre o quão admirável o menino era como sempre, fechou a boca tarde demais — as palavras já haviam sido ditas.
—É mesmo digno do nosso filho.
Herdin disse aquilo como se estivesse orgulhoso de Asiel, mas Bleier percebeu o sorriso amargo que passou pelo rosto dele por um instante.
Ela também sabia que Asiel chorava sempre que via Herdin.
Embora ele nunca demonstrasse isso abertamente diante dela, podia imaginar o quanto doía ser rejeitado pelo próprio filho amado.
Bleier sentou-se ao lado dele, que estava apoiado na cama junto ao berço, e começou a falar.
—Herdin… talvez… a culpa seja minha.
—Acho que, quando Asiel estava na minha barriga, talvez ele tenha sentido que eu odiava você… que eu ressentia você.
Diante daquelas palavras, Herdin franziu a testa.
Bleier se tornava surpreendentemente forte quando se tratava de assuntos relacionados a Asiel, mas também podia se abalar emocionalmente por coisas triviais.
E agora parecia estar no segundo caso.
—Eu não deveria ter feito a criança sentir essas emoções negativas.
As pupilas de Bleier se tingiram de culpa enquanto olhava para Asiel adormecido.
Ela queria que o menino não odiasse o pai.
Esse sentimento não teria mudado mesmo que ela e Herdin tivessem seguido caminhos diferentes.
Independentemente das próprias emoções, queria que o bebê sentisse apenas coisas boas, por isso sentia que a relação entre o filho e o pai era inteiramente sua responsabilidade.
Ao vê-la assim, Herdin segurou sua mão e a interrompeu.
—Bleier. Se é como você diz, e Asiel foi influenciado pelas emoções da mãe, então a culpa é inteiramente minha. Não sua.
—Se isso for verdade, então é o karma da minha vida passada que devo carregar.
—Mas, se for assim… talvez a solução seja surpreendentemente simples.
Ao ouvir que a solução era simples, Bleier arregalou os olhos e o encarou.
Em vez de responder imediatamente, Herdin a abraçou e se deitou na cama.
Dessa forma, o corpo frágil de Bleier ficou completamente reclinado sobre o corpo robusto dele.
Era a posição de que ele gostava.
Aquela em que podia sentir plenamente o calor, o aroma e o peso dela sobre si.
Quando Bleier piscou confusa olhando para ele, ele sorriu de leve e respondeu num ritmo lento:
—Você só precisa me amar mais. Me abraçar com mais frequência, me beijar. Especialmente quando Asiel estiver olhando.
Ela se perguntou que tipo de método seria aquele… e acabou sendo isso.
O olhar de Bleier se estreitou enquanto o observava.
—… Então Asiel foi usado, não foi?
—Pensei nisso seriamente.
Tal como ela dizia, em seu rosto coexistiam uma malícia impossível de esconder e, ao mesmo tempo, uma expressão bastante séria.
Ao olhar para ele, Bleier percebeu suas intenções.
“Ele está fazendo isso para me consolar.”
Embora, é claro, também houvesse uma parte de interesse pessoal misturada.
Ainda assim, ao refletir sobre suas palavras, pensou que elas não eram desprovidas de sentido.
Como Asiel confiava e amava a mãe, talvez começasse a sentir mais afinidade pelo homem que sua mãe amava.
De repente, ela soltou uma risadinha.
Achou adorável que aquele homem tivesse elaborado uma estratégia dessas só para receber mais um beijo.
Bleier riu baixinho e apoiou a cabeça no peito dele.
Ao ouvir as batidas fortes de seu coração, sentiu que tudo ficaria bem.
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