Eu Só Preciso do Filho do Duque Extra 1. O pai arrependido (1)
O menino, nascido em um inverno nevado, cresceu rapidamente quando a primavera chegou, como um broto que havia permanecido latente durante todo o inverno.
Embora ainda fosse pequeno, havia ganhado um peso saudável e estava rechonchudo, ficando um pouco mais pesado ao ser carregado.
Herdin permaneceu ao lado de Bleier e do menino tanto quanto foi possível depois do nascimento de Asiel.
Como em sua vida anterior não pôde presenciar o momento em que Asiel nasceu, cada instante do menino lhe parecia fascinante e precioso.
No entanto, devido ao acúmulo de trabalho, houve dias em que inevitavelmente precisou se ausentar. Como hoje.
—Este é o último, certo? —perguntou Herdin enquanto entregava os papéis após assinar e selar o último documento.
—Sim, os documentos terminaram, mas…
Ruth, ao receber os papéis, deixou a frase no ar e tirou uma carta de dentro da roupa. Era uma missiva com o selo imperial.
Ao vê-la, Herdin franziu a testa.
—Chegou uma carta da imperatriz. Chegou há pouco, mas a separei por medo de que isso o preocupasse.
Herdin olhou para o envelope com uma expressão gélida. A destinatária, naturalmente, era Bleier.
Na verdade, não era a primeira vez que Katarina enviava uma carta para Bleier.
Aproximadamente um mês após o parto de Bleier, uma missiva de Katarina havia chegado.
Herdin temia que Katarina pudesse ferir ou pressionar Bleier, mas, ao contrário de suas preocupações, ela permaneceu indiferente após recebê-la.
«Ela diz que quer ver Asiel».
«Sim. É curioso. Ela não agia assim na vida anterior».
Embora Bleier dissesse isso como se não fosse nada, Herdin estava desgostoso com o comportamento de Katarina.
Diferente da vida passada, seria porque nesta vida seus crimes haviam sido revelados? Ou teria se arrependido enquanto permanecia presa no palácio imperial, tendo perdido seus membros e seu poder?
Seja qual fosse o motivo, parecia ridículo que agora ela pretendesse brincar de ser mãe. Claro, se não houvesse tido contato algum, isso também o incomodaria.
Bleier provavelmente sentia o mesmo.
No entanto, pensou que, sendo sua esposa de coração mole, ela acabaria respondendo à mãe fingindo que não podia evitar. Afinal, havia vivido toda a vida como uma filha obediente.
Mas Bleier acabou não respondendo.
Preocupado que a carta de Katarina pudesse afetar negativamente Bleier, que ainda não havia se recuperado totalmente, Herdin ordenou que qualquer missiva vinda do palácio imperial fosse entregue primeiro a ele.
E, após mais um mês, outra carta de Katarina chegou.
O que fazer?
Enquanto tamborilava o dedo indicador sobre a mesa, avaliando os sentimentos de Bleier, Herdin considerou repentinamente uma possibilidade.
Talvez Bleier estivesse ignorando a mãe porque ele, o sobrinho de Esmeralda, e Katarina eram inimigos mortais.
Apesar de, em algum canto de seu frágil coração, ela carregar a culpa por não ter conseguido perdoar a mãe.
Se esse fosse o caso, a resposta era simples.
Tendo decidido o que fazer com a missiva de Katarina, Herdin levantou-se de seu assento levando o envelope consigo.
—Eu cuidarei disso, pode se retirar.
Após dispensar Ruth, Herdin dirigiu-se diretamente ao quarto.
Ao longe, ouvia-se suavemente o tique-taque do relógio de parede. Já era quase meia-noite, a hora em que Bleier deveria estar dormindo.
No entanto, o que o recebeu foi uma cama vazia.
Ao ver a cama deserta, sentiu o coração afundar. Era uma reação instintiva derivada da experiência de tê-la perdido várias vezes.
Após encarar a cama atordoado por um momento, Herdin recuperou rapidamente a compostura e caminhou. A essa hora, o único lugar onde ela poderia estar, além do quarto, era “aquele lugar”.
Ao entrar no quarto ao lado conectado ao dormitório, o aroma característico de leite que preenchia o ambiente acariciou seu coração. Ao mesmo tempo, ouviu uma canção suave. Era a canção de ninar que Bleier cantava para fazer o menino dormir.
Ao ouvir aquilo, os cantos dos lábios de Herdin se elevaram levemente.
Ao avançar mais pelo quarto, viu Bleier sentada ao lado do berço de Asiel. Era uma cena habitual sempre que ela permanecia acordada.
Ao ouvir seu chamado em voz baixa, Bleier finalmente se virou para ele com alegria.
—Já voltou, Herdin?
—Está tarde, por que não está dormindo?
—É que Asiel estava chorando.
Asiel dependia especialmente muito dos braços da mãe.
Mesmo quando brincava tranquilamente, começava a choramingar sem motivo, como se algo o incomodasse. Nesses momentos, não adiantava a ama tentar acalmá-lo, mas, curiosamente, assim que Bleier o pegava no colo, ele parava de chorar imediatamente.
Embora pudesse ficar exausta por ser sempre procurada, Bleier não demonstrava sinais de incômodo; pelo contrário, quanto mais isso acontecia, mais amor e atenção lhe dava.
Às vezes, a ponto de ele sentir ciúmes desse afeto.
—O que será que o incomoda? Eu queria poder entender tudo o que Asiel quer dizer…
—Com certeza ele estava com saudade da mamãe.
Foi uma resposta que refletia seus próprios sentimentos, e sua esposa, sem perceber sua intenção, sorriu satisfeita.
Diante daquele sorriso, Herdin soltou uma risadinha, como quem admite a derrota.
Embora o marido tivesse retornado, Bleier não conseguia tirar os olhos do menino adormecido e começou a falar em voz baixa.
—A ama diz que Asiel parece estar crescendo mais rápido que outras crianças.
—Ah, é?
—Sim. Hoje ele fez contato visual comigo. Talvez tenha boa concentração, porque ficou me olhando por bastante tempo.
Como a visão de um recém-nascido ainda não está totalmente desenvolvida, eles não conseguem ver bem os objetos a menos que estejam muito próximos. Era uma fase em que ainda não podiam estabelecer contato visual adequado com os pais.
A partir disso, Bleier começou a tagarelar sobre os acontecimentos do dia. Estava ansiosa para contar ao marido cada um dos momentos adoráveis de Asiel.
Sua esposa não era originalmente uma mulher de muitas palavras.
Ao vê-la falar assim, tão animada, ele se sentia irremediavelmente culpado.
«Com certeza você também teria querido me contar as coisas assim na vida anterior. Você é alguém que gosta tanto de conversar».
Herdin observou em silêncio sua esposa falando com voz suave, ouvindo atentamente e assentindo de vez em quando.
Ele gostava da voz da esposa, que havia se tornado mais falante após o parto. Porque a via infinitamente feliz enquanto falava.
«Se você é feliz, eu também serei».
—E veja isso também. O jeito como ele sorri se parece muito com você.
Sussurrou Bleier enquanto apontava para o menino, que fazia expressões involuntárias enquanto dormia.
Ela descobria sua própria imagem em cada parte bonita da criança. Sentia que aquilo era uma forma de dizer que o amava, por isso tudo naquele momento parecia um milagre.
Herdin alternou o olhar entre a esposa e o menino, que era o retrato vivo das partes mais encantadoras dela, e falou.
—Não sei, para mim parece mais com você.
Acrescentou enquanto acariciava o contorno dos olhos de Bleier.
—Esses olhos brilhantes também.
Seus dedos desceram e, com um toque brincalhão, tocaram levemente a ponta de seu pequeno nariz.
—E esse nariz que enruga.
E o destino final foram seus lábios.
—E esses lábios tão bonitos.
Ao erguer o olhar, encontrou os olhos de Bleier, que piscava desprotegida.
Ela percebeu o calor presente no olhar dele e, corando levemente, evitou contato visual.
—Não tenha pensamentos estranhos na frente do bebê.
Mesmo apreciando a repreensão da esposa, Herdin soltou uma risadinha e acrescentou com malícia:
—Eu só estava pensando em você.
Em seguida, tomou suas bochechas entre as mãos e a beijou. Bleier, embora tenha parecido desconcertada no início, acabou aceitando como se tivesse se rendido.
O beijo, que começou suavemente, foi ganhando calor e se tornando mais intenso, como sempre acontecia. Foi justamente quando sua mão, que havia subido acariciando a cintura de Bleier, envolveu naturalmente sua curva.
Asiel acordou e começou a choramingar. Foi um momento extremamente oportuno.
Diante disso, a mão de Bleier, que acariciava o braço de Herdin, retirou-se rapidamente. Ao mesmo tempo, seus lábios úmidos e seus corpos, que estavam colados, se separaram.
A esposa, que há um momento era uma sedutora, voltou a ser mãe com um único choro do menino.
Herdin reprimiu o calor do corpo excitado e a soltou a contragosto.
Bleier pegou rapidamente Asiel nos braços. Então, Asiel começou a choramingar enquanto sugava o tecido da roupa na altura do peito.
—Nosso bebê acordou porque está com fome.
Bleier percebeu que Asiel havia despertado por fome e o amamentou. Fazia isso com total destreza.
Herdin observou em silêncio o adorável intruso que havia tomado sua esposa para si com um único choro, e cutucou suavemente a bochecha rechonchuda do menino com o dedo indicador.
Então, como se aquilo o incomodasse, Asiel agitou as mãos e agarrou firmemente o dedo do pai. A força de seu aperto foi tanta que Herdin soltou uma risadinha.
—Agora que vejo, acho que você tem razão e ele se parece comigo.
—Nisso de adorar o peito da mãe.
Diante do comentário obsceno, os olhos de Bleier se estreitaram. Herdin riu divertido diante da reação dela.
Quando Asiel finalmente terminou de se alimentar e soltou o peito, Herdin pegou o menino nos braços, como o próximo passo natural, para ajudá-lo na digestão.
No entanto, ouviu-se um som seco no peito de Herdin enquanto segurava o menino. Só então ele se lembrou do que havia esquecido por um momento, tirou a carta do bolso interno e a estendeu para Bleier.
—É uma carta do palácio imperial.
Ao perceber que era uma missiva enviada por Katarina, Bleier olhou para ele com curiosidade. Era uma pergunta silenciosa sobre por que ele estava com aquilo.
—Eu estava preocupado com você, então li primeiro. Desculpe.
Bleier abriu a carta com o coração um pouco mais leve. Já que Herdin, que a havia lido antes, estava lhe mostrando, significava que não havia conteúdo com o qual se preocupar demais.
A carta continha, como esperado, o mesmo conteúdo da anterior.
A tristeza de uma mãe por uma filha que não respondia e o desejo de ver o neto.
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