Eu Só Preciso do Filho do Duque Extra 1. Papá arrependido (6)
Diante da rejeição veemente do menino, não apenas Herdin, mas também Bleier e Ruth o encararam com espanto.
Então, Asiel, com seu corpinho pequeno, empurrou Herdin para dentro do escritório. Ele se deixou conduzir, sem reação.
— Asiel, o que foi?
— Luth dói! Papai não.
Ao dizer isso, os olhos de Asiel se encheram de lágrimas, como se estivesse prestes a desabar em choro a qualquer instante.
Herdin observou o menino, claramente desconcertado, e analisou a situação para interpretar o significado de suas palavras.
Asiel estava tentando, de qualquer forma, manter Ruth e ele separados. A julgar por suas palavras e ações, o pequeno parecia acreditar que seu pai estava machucando Ruth.
— Por que Ruth está machucada?
— Papai fez.
— Papai não machucou Ruth.
Mas, apesar do protesto de Herdin, Asiel permaneceu firme. Aquela atitude lembrava muito Bleier quando repreendia o menino por fazer algo proibido.
Herdin soltou uma risada incrédula diante daquilo, trocou olhares com Bleier — que sorria divertida — e também riu, admitindo sua derrota.
— Então está tentando me proteger de Sua Excelência? Estou comovida—
— Não, Luth!
Ruth, que se aproximava com o rosto emocionado, também não conseguiu avançar mais diante da ordem firme de Asiel.
“Agora que penso nisso, acho que da última vez aconteceu a mesma coisa…”
Provavelmente era porque Ruth fingia estar passando mal com frequência demais na frente de Asiel.
Herdin não deu importância às palavras do menino e o tomou nos braços.
— Tudo bem, não vou incomodar Ruth.
Depois, dirigiu-se a Ruth, que aguardava ansiosamente sem poder se aproximar mais de Asiel.
— Pode encerrar seu expediente por hoje.
— Encela expeiente hoje.
O menino repetia as palavras e o tom de Herdin, balbuciando sem sequer compreender o significado.
Ruth, feliz por poder sair mais cedo, ainda insistiu perguntando se ao menos podia segurar a mãozinha dele uma vez, mas acabou deixando o escritório sem conseguir, derrotada pela insistência de Asiel, que só gritava:
— Não!
Bleier, que observava tudo com diversão, finalmente se aproximou do marido e do filho.
— Não estou interrompendo nada importante, certo?
— Eu estava esperando para ver quando você viria; já está tarde demais. Da próxima vez, venha com mais frequência.
Foi uma brincadeira que carregava uma verdade sincera, mas Bleier apenas sorriu. Era um desejo que sua esposa, tão dedicada à cortesia e às responsabilidades, dificilmente atenderia.
Embora fosse uma pena, ele decidiu apenas agradecer por ela ter interrompido seus deveres naquele momento.
Foi então que Asiel, nos braços de Herdin, apontou com seu dedinho para um desenho sobre a mesa.
Ao ouvir a voz do menino, Herdin e Bleier olharam naturalmente para lá. O que Asiel apontava eram os projetos do cruzeiro que Ruth havia deixado ali pouco antes.
— Isso mesmo, é um navio. Um navio muito grande.
Herdin respondeu com ternura enquanto acariciava a cabeça do menino, então se lembrou do plano que havia pensado pouco antes da chegada deles e perguntou:
— No próximo mês é o aniversário de Asiel. O que acham de passarmos em Ribren?
— Em Ribren?
— Fui informado de que o navio estará pronto em breve, então pensei que seria bom irmos vê-lo juntos.
— Papai fez o navio.
Diante da voz de Asiel, que tagarelava orgulhoso sobre as conquistas do pai, Herdin soltou uma risadinha e acrescentou:
— Claro, também quero mostrar ao nosso filho como o pai dele é incrível.
Bleier fitou com ternura os olhos do marido, que aguardavam sua resposta, e logo assentiu com um sorriso satisfeito.
Não havia motivo para negar o desejo dele de ser um pai admirável.
A família de três chegou a Ribren três dias antes do aniversário de Asiel. Era a primeira vez que retornavam desde que partiram após o nascimento de Asiel.
No primeiro e no segundo dia, permaneceram na mansão para se recuperar do cansaço da viagem, e no terceiro dia apenas Herdin saiu para verificar o navio concluído.
Amanhã seria o aniversário de Asiel.
Como planejavam visitar o navio durante o dia e realizar uma festa à noite, Herdin havia ido antes para conferir tudo pessoalmente.
Asiel, que como de costume lia livros infantis ou brincava com brinquedos ao lado de Bleier, de repente procurou por Herdin ao cair da tarde.
— Onde papai foi?
— Está com saudade do papai? Vamos esperar juntos?
O menino largou os brinquedos com os quais brincava e assentiu. Bleier o pegou nos braços e se aproximou da janela de onde se podia ver o portão principal da mansão.
Ao contemplar aquela paisagem, uma lembrança distante surgiu de repente.
“Agora que penso nisso, na vida passada também esperei por Herdin assim, junto de Asiel.”
A memória de um inverno excepcionalmente frio e congelante agora se preenchia de calor.
Embora ainda não conseguisse recordar aquilo apenas com um sorriso, já havia chegado ao ponto de não sofrer mais por esse acontecimento. Era como um diário do passado, aberto de vez em quando.
Bleier explicou um pouco mais a Asiel sobre a ausência de Herdin.
— Papai saiu por um momento para preparar o aniversário de Asiel de amanhã.
— Aniversário? O que é aniversário?
— Aniversário é o dia em que Asiel nasceu neste mundo. Foi um dia em que mamãe e papai ficaram muito, muito felizes. Por isso é um dia em que muitas pessoas se reúnem para comemorar.
— Papai também vem?
— Claro, é óbvio que vem. É o aniversário do nosso filho.
Ao mesmo tempo em que Bleier respondeu, viu a porta da mansão se abrir e a carruagem de Herdin entrar.
Bleier apontou para fora da janela.
— Olha, papai já chegou.
Asiel, observando Herdin descer da carruagem, perguntou:
— Mas por que você não veio faz muito tempo?
— Faz muito tempo? O que quer dizer?
A primeira festa de aniversário de Asiel havia sido celebrada com grande pompa na residência urbana da capital. E quem carregou Asiel durante toda a festa foi justamente Herdin.
— No ano passado, papai construiu uma casinha no seu quarto de presente.
Mas Asiel, percebendo que sua mãe não estava entendendo, balançou a cabeça e explicou:
— Não. Muito, muito tempo atrás. Papai não veio. Mamãe chorou.
— Quando foi que eu chorei…?
Bleier, ouvindo aquilo, ficou atônita ao recordar subitamente um acontecimento de muito tempo atrás.
Se era antes do ano passado, então…
“Senhora, Sua Excelência informa que sua agenda se atrasou mais do que o previsto. Portanto, este aniversário será passado apenas com a senhora e o pequeno…”
As pupilas de Bleier começaram a tremer violentamente.
— Os olhos da mamãe choraram. Estava muito triste.
Naquele dia do passado… será que Asiel pensou que ela parecia triste ao olhar para seus olhos?
No instante em que ouviu o menino, a possibilidade se tornou certeza.
As lágrimas acumuladas nos olhos de Bleier caíram pesadamente.
Só então ela compreendeu tudo.
Por que Asiel, nesta vida, teve medo de Herdin.
E por que seu crescimento havia sido mais rápido, e por que era mais sensível do que na vida passada.
Porque eram coisas que ele já havia aprendido uma vez na vida anterior.
Se tivesse retornado com a mente de um adulto, saberia que eventualmente cresceria e suportaria aquele tempo com paciência.
Mas naquela época, Asiel tinha apenas dois anos.
Se retornou com suas memórias, mas com a mente de uma criança de dois anos, deve ter sido desesperador estar preso em um corpo que não conseguia mover como queria.
E para uma criança, a única maneira de expressar essa frustração era chorando.
“Ainda assim… Asiel sorria toda vez que me via.”
Desde o momento em que voltou no tempo e reencontrou sua mãe, o menino vinha dizendo com todo o seu ser:
Que ele também havia voltado para o lado de sua mãe.
Que amava muito sua mãe.
— Era você, meu pequeno. Era você…
Mesmo tendo dado à luz e criado Asiel nesta vida, em um canto de seu coração sempre doía pensar na criança que havia ficado sozinha naquele período do tempo.
Mas no instante em que soube que o Asiel desta vida era o mesmo ser que o Asiel da vida passada, uma emoção indescritível a invadiu.
Ao mesmo tempo em que sentia alívio, foi tomada por angústia e remorso pelo menino que precisou atravessar duas vidas sem entender nada.
Bleier chorou enquanto acariciava repetidamente as costas pequenas e a cabecinha redonda do menino.
— Meu bebê, quanta frustração você deve ter sentido sem conseguir falar?… Me perdoe por não ter entendido. Deve ter sido muito difícil para você todo esse tempo.
Ao ver sua mãe chorando, o menino também ficou com os olhos marejados e esfregou os cantos dos olhos dela com suas mãozinhas.
— Mamãe, não chora. Tá bem. Tá bem.
O menino imitou exatamente as palavras e gestos que sua mãe usava para consolá-lo.
Bleier sorriu entre lágrimas enquanto acalmava o filho, preocupado com ela.
— Estou chorando porque estou feliz, Asiel. Mamãe está bem.
Quando Bleier forçou um sorriso, Asiel abraçou sua mãe com força. Bleier o apertou com ternura e sussurrou:
— Obrigada por voltar para encontrar a mamãe, Asiel. Mamãe te ama muito, meu bebê.
Meu amor. Minha vida. Minha existência.
Meu tudo.
Tendo recuperado todas essas razões, ela seria feliz para sempre a partir de agora.
Ao lado dos dois homens amados que haviam se tornado seu tudo.
O mana negro agitou todo o quarto e, diante dos olhos de Asiel, Bleier e Herdin se transformaram em cinzas e desapareceram.
O menino, observando aquela cena, saiu engatinhando do berço, soluçando.
Nos pezinhos pequenos da criança que caminhava em direção ao lugar onde sua mãe e seu pai estavam, manchou-se sangue vermelho-vivo.
Era o sangue de Ruth, que havia morrido instantes antes pelas mãos de Herdin.
Asiel recordou e repetiu as palavras que Bleier dizia quando ele caía e se machucava, vendo o sangue brotar do ferimento em seu joelho.
Ao sentir os pés manchados de vermelho, ficou assustado, como se ele próprio estivesse sofrendo.
O choro do menino, que soluçava, ficou cada vez mais forte.
Ainda assim, seus pezinhos cambaleantes, avançando para onde seus pais estavam, não pararam.
No momento em que finalmente chegou ao lugar onde os dois estavam, o círculo mágico e o mana negro remanescente envolveram fracamente a criança.
Era a magia aterrorizante que havia engolido sua mãe e seu pai.
Mas o mana restante carregava a sensação que ele reconhecia em seu pai, então não pareceu tão assustador.
Logo, um mana suave como o toque de sua mãe envolveu o corpinho do menino.
Asiel fechou os olhos em paz, como quando adormecia nos braços de sua mãe.
E quando os abriu novamente…
Estava submerso em água morna.
O menino se assustou brevemente com a mudança repentina, mas logo se lembrou e se acalmou.
Aquele era um lugar pequeno dentro de suas memórias, agora cada vez mais nebulosas.
No entanto, não via Bleier, por quem tanto procurava.
Justo quando estava prestes a começar a chorar outra vez:
— Bebê.
Uma voz que parecia ecoar chegou através da água.
Era muito tênue, mas era definitivamente a voz de sua mãe.
Mesmo sem Bleier aparecer, sua voz continuou sendo ouvida repetidamente.
Junto dela, ele sentia um calor que o envolvia com suavidade.
Asiel esperou, ouvindo aquela voz.
Porque, em suas memórias embaçadas, permanecia a lembrança de ter esperado pacificamente naquele lugar até encontrar sua mãe.
Embora às vezes, incapaz de suportar aquela opressão, chutasse.
E então, no dia em que cresceu tanto que o espaço dentro da água começou a parecer apertado, o lugar que envolvia o menino começou a se contrair.
Ao mesmo tempo, Asiel compreendeu instintivamente:
Que, se saísse agora, poderia reencontrar Bleier.
Com o único desejo de reencontrar sua mãe, o menino veio ao mundo exterior após uma longa luta.
Assim que saiu do ventre de sua mãe e recuperou a consciência, sentiu um cheiro familiar de leite e o calor de alguém o segurando.
Ao mesmo tempo, a voz que mais sentira falta soou claramente, bem perto.
— Olá, bebê.
Por alguma razão, sua visão estava turva, mas Asiel percebeu que aquela voz era da mãe que tanto desejara, Rira.
Seu corpo não se movia como queria e respirar era desconfortável e estranho, mas ao ouvir aquela voz doce, seu coração inquieto se acalmou.
Asiel ofereceu um sorriso tímido à mãe com quem havia se reencontrado.
Se estivesse ao lado da mãe que sempre o abraçava com ternura, sentia que tudo ficaria bem.
Assim, o menino retornou aos braços de sua mãe.
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