Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 139. Que o Seu Inverno Seja Aconchegante
Diante das palavras inesperadas de Miela, Bleier franziu a testa.
— Não entendo o que você está tentando dizer aparecendo aqui assim, sem aviso.
— Não é algo difícil de entender.
Miela voltou a explicar suas intenções com um tom que sugeria estar fazendo um grande favor.
— É exatamente o que você já entendeu. Acho que seria melhor você se afastar do lado de Sua Excelência. Afinal, você já veio aqui fugindo dele uma vez.
— Eu vou ajudá-la. Para que você possa fugir de novo.
À primeira vista, parecia preocupação com Bleier, mas para ela, que conhecia os sentimentos de Miela por Herdin, aquilo era ridículo.
— Não pretendo envolver mais ninguém nisso. É um assunto entre marido e mulher.
Bleier estabeleceu o limite com firmeza, deixando claro que não era algo em que ela devesse interferir.
Diante disso, pela primeira vez, a expressão de Miela — antes sempre gentil — se distorceu violentamente.
Marido e mulher.
O vínculo formal e legal de um casamento sólido, no qual ela não podia se infiltrar, quebrou sua compostura.
— Então pretende continuar ao lado de Sua Excelência? Mesmo carregando o filho de outro homem?
As palavras de Miela fizeram o rosto de Bleier endurecer.
— Agora mesmo… do que você está falando?
— Esse bebê não é filho de Sua Excelência.
Miela disse isso enquanto olhava para o ventre de Bleier.
Atônita, Bleier ficou sem palavras. Ao ver isso, Miela continuou, acreditando estar certa:
— Um homem de cabelo castanho. Não foi com ele que você fugiu? Por que voltou para Sua Excelência?
Ao ouvir o nome de Mikhail, as pupilas de Bleier tremeram por um instante, mas logo se acalmaram.
Miela sabia da existência de Mikhail.
Isso significava que ela a tinha visto com ele em algum momento.
E talvez…
— Foi você quem espalhou o boato de que eu estaria grávida de outro homem.
— Porque todos têm o direito de saber a verdade.
Miela dizia isso como se fosse uma defensora da justiça.
Ao observá-la, Bleier sentiu um arrepio.
Graças a esses rumores, conseguiu fugir de Herdin e eliminar qualquer motivo para ser perseguida.
Era irônico — e desagradável — que um boato malicioso tivesse acabado ajudando-a.
— As pessoas precisam saber o quão egoísta você é, senhora. Sendo filha do inimigo, como pôde sequer pensar em se tornar esposa daquele homem?
— Eu sinto pena dele. Se tivesse conhecido outra pessoa, teria sido feliz…
Miela distorceu a expressão como se isso a machucasse profundamente.
Pela primeira vez, somando sua vida passada e atual, ela revelou seus sentimentos por Herdin diante de Bleier.
Mas Bleier não se feriu. Apenas a olhou com calma.
— Senhorita Miela…
Sua voz cortou o silêncio.
— Se eu me tornar a vilã por causa disso, seus sentimentos se tornam justificados?
Surpresa, Miela vacilou, mas logo se recompôs.
— Está dizendo que desejar a felicidade dele é errado?
— Então é correto julgar a felicidade dos outros conforme sua própria vontade?
— Não importa como tente justificar, no fim é apenas o desejo egoísta de um homem que já tem família.
As palavras calmas de Bleier atingiram o ponto mais profundo de Miela.
Seu equilíbrio emocional se quebrou.
— Isso é tudo culpa sua!
— Senhorita Miela.
— Se você não tivesse se casado com ele… eu teria desejado a felicidade dele sem problemas!
Nesse momento, a porta se abriu bruscamente.
Herdin entrou.
Seus olhos eram frios como gelo.
Ele avançou rapidamente, agarrou Miela e a arrastou para fora. No corredor, a empurrou contra a parede.
Quando ela tentou falar, ele segurou seu queixo com força.
— Já terminou de brincar de sacerdotisa justa? Então vou te avisar.
— Se valoriza sua vida, não apareça mais na minha frente.
Ele a soltou e saiu.
Miela ficou ali, mordendo os lábios, até que sua expressão mudou completamente.
Tristeza desapareceu.
Restou apenas loucura fria.
— Eu te dei uma chance, senhora…
A chance de se proteger… e proteger o bebê.
Naquela noite, Bleier parou ao voltar do banho.
Herdin já estava no quarto, embora ainda fosse cedo.
Ele brincava com um isqueiro e se aproximou ao vê-la.
Bleier evitou seu olhar.
Ela sabia que o incidente com Miela não tinha relação com ele.
Mas isso não impedia a dor.
Ela queria odiá-lo… mas sabia que ainda o amava.
E já havia decidido cortar esse sentimento.
Quando tentou ir para a cama, Herdin segurou sua mão.
— Vou te ensinar a acender a lareira.
Ela hesitou.
— Lembrei que não te ensinei isso antes.
— O inverno está chegando.
O frio já preenchia o quarto.
Bleier lembrou-se de quando não conseguiu manter o fogo aceso após o parto e adoeceu.
Talvez aprender agora fosse importante.
Ela assentiu.
Herdin a levou até a lareira.
Mostrou como acender a vela e transferir o fogo ao papel.
Guiou suas mãos.
Ajudou-a a se inclinar, protegendo-a por causa da barriga.
O fogo finalmente acendeu.
Ele tocou suavemente seu rosto.
— Você foi muito bem.
Bleier desviou o olhar, lembrando-se da primavera passada.
Herdin também olhou para o fogo.
— Houve um tempo em que eu queria que você tivesse medo dele para sempre.
Ele riu sem humor.
— Eu queria que você ficasse ao meu lado de qualquer forma… mesmo pelo medo. Eu fui um idiota.
Ele a encarou.
— Quando isso terminar…
— Nós vamos nos separar. Como você disse.
Não como imposição.
Mas como aceitação.
E, mesmo assim, mesmo depois de ela deixar seu lado, ele desejava que o inverno dela fosse quente.
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