Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 94. Vamos
Mikhail havia dito que existia uma forma de desviar a atenção de Herdin, nem que fosse por um instante.
No início, ela pretendia se divorciar de forma limpa, seguindo os procedimentos legais, mas se ele não tinha essa intenção, ela também não via motivo algum para respeitar tais formalidades.
Portanto, poderia deixá-lo a qualquer momento, exatamente quando desejasse.
“É melhor assim. Será uma viagem longa… talvez seja melhor partir quando a gravidez estiver mais estável.”
Uma jornada longa no primeiro trimestre seria, sem dúvida, exaustiva demais para o bebê em seu ventre.
Ao pensar nisso, seu coração se acalmou.
Depois de organizar seus planos futuros, Bleier puxou a corda do sino.
No entanto, Rina e Melli, que normalmente viriam correndo, não apareceram.
Justo quando se perguntou o motivo e tentou puxar a corda novamente, a porta se abriu de repente.
Melli e Rina entraram apressadas, cada uma segurando uma pequena sacola e um buquê de flores. Seus rostos estavam iluminados de alegria.
— Parabéns por se tornar mãe!
— Queríamos dar um presente, mas não sabíamos o que seria melhor… então saímos correndo agora há pouco e compramos esses doces que dizem ajudar com o enjoo.
— E isso é um buquê de flores.
Melli entregou os doces de limão, enquanto Rina lhe deu o buquê com um lindo laço. Ao que parecia, elas já sabiam da notícia.
Bleier olhou para as duas e para os presentes por um momento, surpresa, antes de rir levemente e aceitá-los.
— Muito obrigada às duas.
As duas não sabiam que seu casamento com Herdin era por contrato, nem tudo o que havia acontecido entre eles.
Elas só sabiam que uma nova vida havia chegado ao casal que serviam.
Independentemente das intenções de Herdin ao desejar essa criança, o bebê em seu ventre merecia ser abençoado.
Só por existir, por ter se instalado com segurança dentro dela.
Bleier sentiu uma gratidão sincera pelas duas por lembrarem algo que até ela mesma havia esquecido.
Especialmente o fato de que, desta vez, Melli também celebrava a gravidez — algo que, em sua vida passada, havia sido feito apenas por Rina — tinha um significado ainda mais profundo.
“Voltar no tempo não foi completamente inútil.”
Mesmo que sua relação com Herdin não tivesse escapado do padrão do passado, em outros aspectos, suas escolhas nesta vida haviam criado laços preciosos.
Pensando assim, a melancolia que a acompanhava desde a noite anterior se dissipou bastante.
Mas as duas jovens, que haviam animado o espírito de Bleier, logo ficaram cabisbaixas.
— Eu achei que a senhora estava tão cansada por causa de Sua Excelência… devia ter incomodado mais o senhor.
— Se eu soubesse que havia um bebê, teria cuidado ainda mais da senhora. Me desculpe.
Diante das palavras de Rina, ainda cheias de ressentimento contra Herdin, Bleier balançou a cabeça sorrindo.
— Está tudo bem. É natural que vocês não soubessem, ainda não são casadas. Além disso, graças a vocês cuidarem da minha alimentação, eu tenho comido muito bem.
Só então os rostos das duas se iluminaram novamente.
Rina, que vinha olhando fixamente para o ventre fino de Bleier, perguntou:
— Então, senhora… quando o bebê vai nascer?
— Se tudo correr como esperado, no começo do próximo ano.
Bleier respondeu sem nem precisar pensar. Era uma data que jamais poderia esquecer.
— Se parecer com a senhora e com Sua Excelência, com certeza será lindo.
— Verdade! Ah, queria que o próximo ano chegasse logo. Quando nascer, vou carregar ele o tempo todo!
— Hm? E você perguntou a opinião do bebê?
— Ah! Se for filho da senhora, claro que vai gostar de mim! É instinto!
Melli e Rina discutiam animadamente, cheias de expectativa pelo futuro ainda distante.
Mas Bleier, observando-as, murmurou com um leve sorriso amargo:
— …É verdade. Ele também vai gostar muito da Rina.
Na vida passada, Rina amava Asiel.
E Asiel, sabendo disso, também a amava e a seguia para todo lado.
Mas desta vez, ela deixaria o ducado antes do nascimento dele.
Rina não teria a chance de conhecê-lo.
Isso a entristecia profundamente.
Rina, que ainda conversava animadamente, bateu palmas de repente como se lembrasse de algo.
— Ah! Olha só o horário, já passou da hora do almoço! Senhora, tem algo que gostaria de comer?
— Fico enjoada com cheiro de manteiga… então prefiro algo sem. Talvez algo com frutas ou vegetais.
— Vamos avisar agora mesmo!
Rina saiu apressada.
Melli, que observava, também se levantou.
— Então eu vou buscar água para a senhora lavar o rosto.
Quando estava prestes a sair, Bleier a chamou ao lembrar de algo.
— Melli, antes de ir… tenho um favor para pedir.
— Sim, diga.
— Pode chamar a Baronesa Sionel?
Para deixar o ducado, o primeiro passo era contatar sua aliada.
A notícia do noivado de Ivan, anunciada no Festival da Fundação no dia anterior, também impactou a reunião do conselho naquele dia.
Assim que a sessão sobre o orçamento da cerimônia terminou, os nobres cercaram Ivan um a um para parabenizá-lo.
— Parabéns mais uma vez, Sua Majestade.
— Vocês dois combinam perfeitamente, como um quadro.
O clima festivo foi interrompido quando Herdin se aproximou.
— Peço desculpas por interromper, mas gostaria de solicitar a revisão do caso do incêndio do palácio da imperatriz ocorrido há dez anos.
O salão ficou em silêncio.
Até Ivan endureceu a expressão.
— Graças ao interesse de Sua Majestade naquele incidente, reafirmei minha decisão.
— Poderia, como disse antes, conceder um julgamento justo?
Ivan encarou Herdin friamente.
Aquilo não era um agradecimento — era uma armadilha.
Se recusasse, levantaria suspeitas.
Se aceitasse, se colocaria em risco.
“Ontem mesmo mandei que trouxesse as provas para destruí-las…”
O que havia mudado em apenas uma noite?
Ainda assim, respondeu:
— Claro. Se for verdade, é meu dever limpar o nome da imperatriz.
— Então voltarei para definir a data.
Herdin se virou imediatamente.
Os nobres cochichavam.
Ivan observava com olhar afiado.
A paisagem passava rapidamente pela janela da carruagem.
Talvez por ser o último dia do festival, a praça estava cheia.
Entre tudo aquilo, algo chamou a atenção de Herdin.
Uma criança pequena, segurando as mãos do pai e da mãe.
Depois de observar, ele quebrou o silêncio:
— Traga todas as testemunhas do caso de dez anos para a mansão.
Ruth, que cochilava, acordou assustada.
As testemunhas estavam escondidas justamente para evitar a família imperial.
Ela piscou, confusa.
Ontem ele queria adiar. Agora…
— As negociações com o imperador deram certo?
Herdin lembrou das palavras do médico:
— A senhora está grávida.
E do ventre dela.
Agora… não havia mais nada a perder.
— Sim. Não precisamos mais esperar. Preparem o julgamento. E…
Sem tirar os olhos da família lá fora:
— Traga também algum tônico adequado para gestantes.
— Para quê…?
Ruth ia perguntar, mas parou.
Uma possibilidade surgiu.
E Herdin confirmou:
— Bleier está grávida.
Os olhos de Ruth se arregalaram.
“E ele disse que isso não aconteceria…”
Atordoada, ela perguntou:
— …Isso é motivo de comemoração, certo?
— Disse que era um casamento por contrato.
— Agora será um casamento de verdade.
Pelo rosto de Herdin, aquilo não parecia desagradá-lo.
Mas uma nova preocupação surgiu na mente de Ruth.
Sabia_tutsung
Vey a segunda vez que eu vejo que o homem que aplica o golpe da barriga 🤣