Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 114: O Botão Se Desfez
— Você… como é possível que esteja aqui…?
As pupilas violetas que encontraram as dele tremeram de forma descontrolada.
Herdin contemplou aquele rosto em silêncio.
Suas feições e sua expressão, cheias de vida, mostravam que ela estivera melhor longe dele do que quando permanecia ao seu lado.
Ao perceber isso, sentiu alívio.
Mas, logo em seguida, zombou de si mesmo.
Depois de finalmente reencontrar o rosto daquela mulher que fugira com outro homem enquanto carregava seu filho, e que havia bagunçado sua alma pelos últimos meses…
A primeira emoção que sentiu foi alívio.
Achou que sentiria raiva ao encontrá-la.
Ver que ela havia comido bem, dormido bem e vivido bem — ao contrário dele — e sentir tranquilidade imediata por isso…
Era a prova de que estava irremediavelmente louco por aquela mulher.
Mais uma vez, riu de si mesmo.
— Pelo que vejo, sua recuperação foi bastante agradável.
Herdin acariciou a bochecha rosada de Bleier e sussurrou:
— Parece que sua saúde também melhorou consideravelmente.
Seu olhar gélido desceu lentamente do rosto dela até parar em seu ventre, agora arredondado e visivelmente maior.
Ao sentir aquele olhar, o coração de Bleier disparou de ansiedade.
Naquele mesmo instante, percebeu o bebê se mexer.
Como se a criança tivesse reconhecido o próprio pai.
Embora fosse impossível notar aquele movimento por fora, Bleier cobriu a barriga instintivamente, temendo que Herdin pudesse perceber.
Ao vê-la agir como se estivesse protegendo o filho dele, o cenho de Herdin se franziu por um breve instante… antes de relaxar novamente.
Ele baixou a mão que acariciava sua bochecha e declarou:
— Faz muito tempo desde que o lugar da senhora desta casa ficou vazio. Já está na hora de voltar, minha esposa.
— …Tem alguém me esperando.
A expressão de Bleier ao responder era firme.
Era ridículo que, diante do próprio marido, ela tivesse coragem de dizer que esperava por outro homem.
— Aquele idiota não vai voltar.
— Como pode saber disso…?
— Por que acha que aquele sujeito desapareceu de repente, deixando você sozinha? E justamente numa oportunidade tão conveniente como essa.
Ao captar o significado por trás daquelas palavras, as pupilas de Bleier vacilaram.
— O que fez com Mikhail?
— Nada.
Herdin respondeu friamente.
Os olhos de Bleier, enquanto fazia aquela pergunta, estavam cheios de medo.
Ao ver aquilo, o canto da boca de Herdin se torceu.
Ele odiava que o nome de Mikhail saísse daquela boca.
E odiava ainda mais que aqueles olhos demonstrassem tanto terror pela possibilidade de aquele homem estar ferido.
Ainda mais diante dele.
Depois de meses separados.
— Se for apenas um canalha que ousou fugir secretamente com a duquesa, ele merece ser punido como deve ser. Mas, se não for esse o caso… não haverá necessidade.
O destino de Mikhail dependia da resposta dela.
Quando Bleier compreendeu o significado daquelas palavras, seus lábios tremeram violentamente.
Observando aqueles olhos cheios de ressentimento contra si, Herdin perguntou com indiferença:
— Você o ama?
A resposta para essa pergunta… já estava decidida.
Mikhail percorria vielas pouco movimentadas, tentando encontrar a origem do olhar que, momentos antes, observava Bleier e a ele.
Já sentia aquela presença havia algum tempo.
No começo, pensou que fosse imaginação.
Mas, quando percebeu o olhar novamente, teve certeza de que não era.
Por isso deixou Bleier em uma praça movimentada e seguiu sozinho pelos becos.
Se o Papa realmente estivesse envolvido, aquele lugar já não era seguro.
E, se Gerard estivesse por trás disso, precisava tirar Bleier daquela cidade o mais rápido possível.
“Onde foi parar?”
Naquele instante, uma sombra surgiu diante dele.
Para uma pessoa comum, aquela presença havia se ocultado rápido demais.
Um mau pressentimento o atingiu.
— Você tem bons reflexos. Então não era só um vendedor de bebidas qualquer, hein?
Com uma voz debochada, Calrigo emergiu da escuridão girando a espada em mãos.
Ao mesmo tempo, o emblema familiar bordado em sua túnica tornou-se visível.
“… O brasão de Delmark.”
A expressão de Mikhail se contraiu imediatamente.
A presença daquele homem significava duas possibilidades:
Herdin sabia que Bleier estava ali.
E talvez…
Já tivesse chegado até ela.
“Não… talvez eu tenha sido atraído até aqui de propósito.”
Se fosse esse o caso, mesmo que corresse de volta agora, Bleier provavelmente já não estaria mais lá.
E, acima de tudo…
Não parecia que o homem diante dele pretendia deixá-lo partir facilmente.
Após analisar tudo rapidamente, Mikhail puxou a adaga que carregava e atacou primeiro.
Calrigo, que havia baixado a guarda por pensar que ele estava desarmado, bloqueou o golpe por pouco.
Depois de repelir o ataque, Calrigo percebeu:
De fato… ele não era apenas um simples barman.
Contra uma espada longa, uma adaga normalmente estaria em desvantagem.
Mas aquele homem compensava isso com velocidade absurda.
Era óbvio.
Um simples vendedor não teria coragem de planejar fugir com a esposa de outro homem.
— Então você não atacou primeiro por impulso.
Depois de muito tempo, Calrigo havia encontrado alguém interessante.
Ele firmou melhor o punho na espada e finalmente levou a luta a sério.
Seu sorriso relaxado desapareceu, substituído por uma sede assassina e gelada.
A atmosfera descontraída sumiu.
No beco, restou apenas o som agudo de metal contra metal.
Após uma batalha feroz…
Foi Calrigo quem primeiro teve o pescoço exposto.
Ainda assim, a respiração de Mikhail também estava longe de estável.
Pressionando a adaga contra o pescoço de Calrigo, como se fosse cravá-la, Mikhail perguntou:
— O duque veio até aqui?
— Não sei. Mas não acho que você esteja em posição de me interrogar.
Só então Mikhail percebeu.
Calrigo segurava outra adaga na mão esquerda.
E sua lâmina estava apontada diretamente para sua lateral.
Ao ver isso, Mikhail franziu a testa.
— …Pelo visto, você já vendeu sua honra cavalheiresca.
— Ah, honra cavalheiresca. Isso é muito importante.
Calrigo deu de ombros.
— Para novatos que nunca estiveram numa guerra de verdade.
— Depois de alguns anos rolando por campos de batalha, a primeira coisa que se joga fora é essa tal honra. Honra não salva minha vida… nem a dos meus companheiros.
— E, pelo que vejo, você também já esteve bastante em combate real. Então não é meio ridículo exigir honra só de mim?
Sua atitude descarada não mostrava o menor traço de vergonha.
No momento em que Mikhail soltou uma risada incrédula…
Calrigo aproveitou a brecha.
Afastou rapidamente a adaga de seu pescoço e recuou.
Girando a própria adaga entre os dedos, declarou:
— Não recebi ordens para matar você, então não vou fazer isso. Bem… ainda que, desta vez, eu também não tenha conseguido.
Sua forma leve de admitir derrota irritou Mikhail de maneira estranha.
Como se percebesse isso, Calrigo abriu um sorriso ainda maior.
Mas logo voltou a encará-lo friamente.
— Se valoriza sua vida, não tente fazer nada além do seu alcance e suma daqui imediatamente.
Sua voz tornou-se gélida.
— Eu perdi… mas meu senhor, quando decide matar, nunca falha.
Mikhail sabia muito bem que aquilo não era blefe.
— Então… espero que não nos vejamos de novo.
Após transmitir a vontade de Herdin, Calrigo acenou de forma despreocupada e desapareceu.
Mikhail observou suas costas com olhos afiados.
Então se virou rapidamente para retornar à praça onde Bleier o aguardava…
Mas percebeu tarde demais.
Bleier já não estaria mais lá.
Seus passos perderam o rumo.
E ele parou, como se estivesse pregado ao chão.
O lugar para onde Herdin levou Bleier…
Era a mansão do senhor de Nereha.
Como se já estivessem avisadas de sua chegada, as criadas a conduziram diretamente ao banho.
Todos os rostos eram desconhecidos.
Não havia ninguém familiar entre elas.
— Quero me lavar sozinha.
Nos últimos dois meses, Bleier havia se acostumado a se banhar sem ajuda.
Além disso, odiava expor o próprio corpo diante de estranhas, especialmente em um lugar desconhecido.
Acima de tudo…
Sentia que aquelas mulheres estavam ali para vigiá-la.
Mas a resposta foi imediata.
— Pedimos perdão. Como seu corpo está delicado, recebemos ordens para servi-la com extremo cuidado.
Sem dúvida.
Herdin havia ordenado que a vigiassem de perto.
A intenção era tão óbvia que Bleier sentiu falta de ar.
Enquanto travava uma silenciosa batalha psicológica com as criadas…
A porta do banheiro se abriu sem aviso.
E Herdin entrou.
Surpresas, as criadas abaixaram a cabeça imediatamente.
Ao perceberem que Herdin usava um robe, entenderam o motivo de sua presença e saíram em silêncio.
Bleier recuou ao vê-lo se aproximar.
Mas Herdin encurtou a distância num instante.
O delicado cenho dela se franziu.
— …Quero me lavar sozinha.
— Receio que isso seja difícil, minha esposa.
Herdin encurralou Bleier entre seu corpo e a parede enquanto ela tentava escapar.
Então, levando a mão até os botões da gola de seu vestido, murmurou:
— Tenho medo de que, se eu desviar os olhos por um momento… você desapareça outra vez.
Seu olhar frio desceu dos olhos dela para os botões.
E então—
Seus longos dedos desabotoaram habilmente o primeiro botão.
O pequeno som ecoou pelo banheiro silencioso…
Tensionando ainda mais o ar entre os dois.
Bleier segurou a mão dele antes que pudesse abrir o próximo.
O olhar de Herdin, antes fixo nos botões, subiu lentamente até encontrar o dela.
Com olhos cheios de ressentimento, Bleier perguntou:
— Por que me procurou?
Mesmo depois de eu implorar para que não fizesse isso…
Herdin respondeu num tom natural:
— Um marido precisa de motivo para procurar sua esposa?
— Nosso contrato já terminou.
— O contrato terminou. Isso é verdade.
Ao mesmo tempo…
Sua mão grande pousou sobre a barriga já saliente dela.
Bleier estremeceu ao sentir aquele calor vívido através do tecido.
— Mas a criança ficou.
Diante daquele olhar gelado, tão oposto ao toque quente…
O coração de Bleier tremeu de puro terror.
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