Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 122: Um Amor Que Já Foi Doce
—São contrações uterinas —declarou o médico após examinar o estado de Bleier.
—É um sintoma natural que costuma aparecer com frequência em mulheres grávidas.
Ele acrescentou a explicação enquanto tranquilizava os futuros pais, que pareciam bastante surpresos.
—No entanto, pode se tornar perigoso se os sintomas forem frequentes ou não desaparecerem após certo tempo. Se acontecer, procure manter tanto o corpo quanto a mente o mais relaxados possível e descanse. Mas, se não houver melhora, é recomendável buscar atendimento imediatamente.
Bleier sentiu-se aliviada ao ouvir aquilo. Já havia experimentado sintomas parecidos em sua vida passada, mas desta vez estava inquieta porque pareciam sutilmente diferentes.
Felizmente, o bebê em seu ventre também a tranquilizou ao começar a se mexer diligentemente, como de costume, pouco antes.
No entanto, Herdin continuava com o rosto rígido mesmo após ouvir o diagnóstico.
—Quer dizer que esses sintomas podem surgir de repente no futuro?
—Sim.
—Sem motivo algum?
—É difícil definir a causa exata, mas, em geral, esses sintomas aparecem com frequência diante de esforço excessivo ou estresse psicológico.
Ao ouvir isso, Herdin franziu a testa.
Ontem ele a havia abraçado para satisfazer seus próprios desejos, e hoje a levara de um lado para o outro de carruagem desde o meio-dia.
E o mais decisivo…
Era porque sabia perfeitamente quem havia sido a causa do estresse antes de ela desabar de dor.
—A melhor forma de prevenir os sintomas é eliminar fatores de estresse e descansar.
O médico insistiu repetidamente para que Bleier repousasse antes de deixar o quarto.
Só então Herdin afrouxou a gravata sufocante. Ainda usava suas roupas de passeio, já que a carregara nos braços imediatamente para o exame.
Percebendo isso, Bleier disse:
—Vá se lavar. Eu vou descansar um pouco.
Herdin olhou fixamente para Bleier e para o ventre onde ela mantinha a mão apoiada.
O rosto dela, que permanecera pálido de preocupação durante todo o trajeto de volta, agora estava calmo. Embora ele não pudesse sentir os movimentos, parecia que o bebê em seu ventre estava confortando a mãe.
Depois de observar a cena em silêncio, Herdin se levantou. Pouco depois, com o som da porta se fechando, instalou-se uma paz silenciosa.
Bleier acariciou a barriga e sussurrou suavemente:
—…Me perdoe, meu pequeno. Por fazer você sofrer também.
Então, como se tivesse sentido seu toque preocupado, a criança chutou suavemente o lugar onde sua mão estava.
Como se dissesse que estava tudo bem.
Diante daqueles movimentos fetais que pareciam tentar confortá-la, sentiu as lágrimas ameaçarem cair.
A culpa veio tarde.
O bebê já devia estar suficientemente desenvolvido para ouvir as vozes da mãe e do pai; ela se perguntou o quanto ele teria se assustado ao ouvi-los discutir constantemente.
Ao imaginar o medo que a criança poderia ter sentido, um arrependimento infinito a invadiu.
Queria fazer melhor.
Queria dar a ele apenas as coisas mais bonitas e melhores. Como fora sua primeira vez sendo mãe na vida passada, devia ter sido muito inexperiente — então, nesta vida, desejava ser uma mãe mais preparada.
Mas havia cometido o mesmo erro outra vez.
Por fim, Bleier, que derramava lágrimas mais uma vez por culpa em relação ao filho, esforçou-se para conter o choro ao sentir os movimentos constantes do bebê.
A criança certamente sentiria toda a tristeza da mãe.
E ela não queria que ele conhecesse essas emoções.
Queria que sentisse apenas coisas bonitas e boas.
“O mais importante é meu bebê.”
O propósito desta vida era unicamente aquela criança.
Era uma vida que recomeçara apenas para reencontrá-lo — e, se o perdesse, essa existência não teria significado algum.
Nem o ressentimento contra Herdin, nem o medo de que tudo se repetisse como na vida passada, eram mais importantes do que o bem-estar de seu filho.
“Até essa criança nascer, pense apenas em trazê-la ao mundo em segurança.”
Todo o resto poderia esperar até depois do nascimento de Asiel.
Bleier acariciou o ventre com ternura e sussurrou:
—Eu vou te fazer feliz, sem falta, meu pequeno.
Então, por favor… venha saudável para o lado da mamãe.
Uma suave brisa marítima bagunçou seus finos cabelos negros.
Herdin lançou um olhar indiferente para a direção do vento. Sobre o mar azul-esverdeado, os reflexos do sol brilhavam intensamente.
Justo quando o rosto de alguém que provavelmente gostaria daquela paisagem surgiu involuntariamente em sua mente, a voz de Reimondeu, senhor de Nerha, interrompeu seus pensamentos.
—Quase cinquenta embarcações gigantes desse porte atracam aqui toda semana.
—Como entram e saem muitos forasteiros, manter a segurança pública não deve ser fácil.
—Claro que não é. Por isso, há dois anos aumentamos as tropas. Os custos são altos, mas reforçar as forças estacionadas é a forma mais simples e segura de manter a ordem.
Naquele momento, cavaleiros patrulhando a costa reconheceram Reimondeu e prestaram continência.
Reimondeu respondeu com um sorriso generoso e seguiu em frente.
Falou orgulhosamente sobre o valor das mercadorias importadas e exportadas distribuídas para o interior por meio de Nerha, sobre como era difícil controlá-las e sobre como Nerha era extraordinária por cumprir esse papel.
Ruth os seguia em silêncio, anotando informações potencialmente úteis.
O orgulho de Reimondeu cessou ao perceber nuvens negras se aproximando do mar.
—Vejam só, parece que vai chover. Ainda havia mais lugares que eu queria mostrar…
—Deixemos para amanhã. Temos bastante tempo.
Reimondeu estalou a língua em decepção, mas encerrou a inspeção conforme sugerido.
Quando ambos embarcaram em suas respectivas carruagens, partiram.
Herdin observou pela janela a paisagem da cidade passando.
Já haviam se passado vários dias desde o exame de Bleier.
Durante esse tempo, ele não a visitava durante o dia e se dedicava a resolver o trabalho acumulado.
Sempre que a via rapidamente, ela parecia bem.
Às vezes cochilava sob o sol no balanço diante do anexo, ou ria enquanto passeava pelo jardim com a jovem fera hiperativa.
Aquele sorriso — tão difícil de conquistar, não importava o que ele fizesse — surgia facilmente nos lugares onde ele não estava.
“…Era isso que você queria?”
O que você queria.
Será que o que você tanto deseja… é uma vida sem mim?
Sem perceber, começou a ouvir o som da chuva batendo na carruagem.
Herdin estava prestes a fechar a janela para impedir que gotas entrassem pela fresta aberta quando parou ao sentir um aroma doce estimular seu olfato.
Era um cheiro familiar.
No fim da tarde, Bleier, que havia tirado um cochilo após o almoço, despertou ao ouvir a chuva batendo na janela.
Enquanto afastava o sono observando distraidamente as gotas acumuladas nas árvores, lembrou-se de algo e se levantou.
Queria verificar se Herdin já havia voltado.
Porém, antes de chegar à varanda, seus passos pararam diante da mesa.
Sobre ela havia uma enorme pilha de pequenas caixas.
Aquilo não estava ali antes de dormir.
Curiosa, Bleier abriu uma das caixas mais próximas.
Ao ver o conteúdo, seus olhos se arregalaram.
Balas de limão.
As mesmas que costumava comer no início da gravidez, quando os enjoos eram intensos.
Ao abrir a caixa seguinte, o aroma doce de creme anunciou o conteúdo.
Pães recheados com creme.
Instintivamente, sua boca salivou ao recordar aquele sabor.
Determinada a verificar tudo primeiro, abriu outra.
Marshmallows.
Só havia uma pessoa que poderia ter deixado aquilo enquanto ela dormia.
Observando, atônita, o presente surpresa de seu marido, Bleier pegou um e o colocou na boca.
A textura macia e o doce agradável se espalharam por sua língua.
Como se o bebê em seu ventre sentisse o humor da mãe, mexeu-se animadamente.
Enquanto mastigava o marshmallow e acariciava a barriga, o rosto de Bleier se iluminou com um sorriso.
Junto com aquela doçura, emergiu a lembrança da primavera passada.
A doçura do primeiro marshmallow assado que provou.
O calor da vela, assustador e acolhedor ao mesmo tempo.
O rosto dele sorrindo ao seu lado.
E…
“Está tão gostoso assim?”
Até mesmo aquele sentimento que compreendera com dor no peito naquele instante.
Com essa memória repentina, uma emoção esquecida veio à tona.
Era um amor doce como marshmallow.
Um dia, foi.
Não importava qual fosse a sinceridade dele — naquela época, sentia que poderia se dar bem com Herdin se tivesse apenas a doçura de um marshmallow.
Como se saboreasse essa lembrança e esse sentimento, Bleier colocou mais um pedaço na boca.
Enquanto permanecia ali, degustando o presente de Herdin, uma batida ecoou no quarto preenchido apenas pela chuva.
—Senhora? Já acordou?
Era a voz da criada.
Bleier mastigou e engoliu o pão de creme antes de responder.
Assim que permitiu a entrada, a criada entrou imediatamente.
Em sua mão havia uma carta.
—O senhor de Nerha enviou um convite para o banquete.
Sob uma chuva torrencial, uma carruagem estava parada.
—Rápido! Tirem a carruagem daí! Meu vestido está molhando! Três homens não conseguem resolver isso?
Beateuriseu, debaixo do guarda-chuva segurado por uma criada, despejava sua irritação sobre os cavaleiros e o cocheiro.
Ela havia saído para apreciar a folhagem de outono, mas, por causa da chuva repentina, as rodas da carruagem afundaram na lama.
Como estavam ao ar livre e, talvez por causa da tempestade, não havia outras carruagens por perto, era difícil conseguir ajuda.
O agradável passeio de outono estava arruinado — assim como as rodas atoladas.
Enquanto Beateuriseu reclamava, uma carruagem velha surgiu ao longe e se aproximou.
“Será que é o homem do meu destino?”
Infelizmente para suas expectativas, quem desceu foi uma mulher.
Uma mulher com lindos cabelos prateados e olhos dourados, parecendo um anjo.
—Olá. Por acaso precisam de ajuda?
Miela, que se aproximara rapidamente, estendeu a mão com um sorriso.
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