Eu Só Preciso do Filho do Duque Extra 2. O plano do irmãozinho de Asiel (7)
Bleier arregalou os olhos, surpresa com a aparição inesperada do marido.
Herdin, em vez de responder a ela, envolveu seus ombros com o braço e disparou ao homem:
— Se você recusar isso, não vai parecer que tem outras intenções?
À primeira vista, suas palavras soavam como uma brincadeira, mas em seu olhar não havia o menor traço de diversão. A pressão emanada daquela estranha dissonância esmagou o homem.
Herdin estendeu uma moeda de ouro.
— Então aceite.
O homem engoliu em seco sem perceber.
Superficialmente, o nobre à sua frente estava sendo excessivamente generoso, mas, por alguma razão, ele sentia uma obrigação que o impedia de recusar.
— O-obrigado, excelência.
O homem não conseguiu rejeitá-lo pela segunda vez e pegou a moeda de ouro que Herdin lhe oferecia. No entanto, o olhar deste último não se desviava dele.
Era um olhar sereno, impossível de decifrar, mas o homem não conseguiu sustentá-lo e abaixou a cabeça.
Sentia-se como se tivesse sido jogado diante de uma fera faminta.
— Então… tenha um bom dia.
O homem fez uma reverência e se afastou apressadamente, como se estivesse fugindo.
Bleier, que não havia percebido a tensão estranha entre Herdin e o homem, observou com certa pena o sujeito se afastando sem lhe dar tempo para se despedir adequadamente, depois ergueu o olhar.
— O que está fazendo aqui?
Ao encontrar os olhos dela, a expressão de Herdin relaxou e tornou-se preguiçosa, como se nada tivesse acontecido. Parecia que sua esposa ingênua não suspeitava que ele havia ido até ali só para vê-la.
Ele respondeu beijando o dorso da mão de sua esposa, com a qual já entrelaçara os dedos.
— Porque senti sua falta.
— Ah!
Ao ouvirem sua resposta, as damas presentes reagiram com entusiasmo e inveja.
No entanto, a protagonista de toda aquela atenção apenas corou, desconcertada com as demonstrações explícitas de afeto do marido. Era típico dela, que costumava se envergonhar até mesmo de gestos carinhosos diante do próprio filho.
Enquanto Bleier permanecia muda, envergonhada, Herdin pediu permissão a Monika, que estava ao lado dela.
— Então, poderia me levar minha esposa primeiro, senhora?
— Ora, claro. Se um marido quer levar sua mulher, com que direito eu poderia impedir?
Monika deixou Bleier partir enquanto brincava que ele deveria ensinar algumas dessas coisas ao próprio marido.
Após se despedirem das damas, o casal seguiu junto para a carruagem.
Assim que entraram, Herdin mencionou algo que ouvira por acaso durante os cumprimentos entre as damas.
— Você tem outros planos para amanhã?
— Sim. Combinei de ir assistir a uma ópera.
Ao responder, Bleier segurava nas mãos o caderno de esboços que o pintor lhe entregara há pouco. Ela mesma o segurava, em vez de entregá-lo à criada, como se fosse um presente precioso.
Quando a carruagem partiu, Bleier pareceu se lembrar de algo e abriu o caderno para observar os desenhos. Havia vários outros esboços que o pintor fizera anteriormente.
Um leve sorriso surgiu em seus lábios enquanto os observava. Ao ver aquilo, Herdin estreitou os olhos.
Depois de observá-la em silêncio por um momento, Herdin inclinou-se em sua direção justamente quando estava prestes a arrancar o caderno de suas mãos.
— Quer ver também?
Bleier, sem perceber as intenções dele, deslizou o caderno em sua direção e apoiou-se em seu ombro.
— Obrigada, Herdin. Graças a você, consegui ter tempo para refletir sobre minha vida.
Bleier o olhou e sorriu radiantemente.
Herdin, que a encarava fixamente, soltou uma risada incrédula.
Achava absurdo que sua esposa ingênua sorrisse sem saber que intenções distorcidas ele abrigava, mas, ao mesmo tempo, até aquela imagem lhe parecia bonita.
Se ela sorria de forma tão encantadora, ele não tinha escolha além de fingir ser um bom marido, mesmo que não quisesse.
Sua mão descarada, que havia tentado soltar os laços nas costas do vestido de Bleier, recuou ao perder o objetivo.
Ele não podia profanar sua esposa enquanto ela sorria como uma criança.
Pelo menos, não naquele momento.
Herdin observou Bleier em silêncio enquanto ela tagarelava sobre os esboços do pintor e, quando ela levantou o olhar ao sentir que estava sendo observada, ele perguntou:
— Vamos juntos amanhã?
No dia seguinte, Herdin conseguiu ingressos para os casais. E todos eram para camarotes privados.
Como não era fácil conseguir entradas para camarotes privados com apenas um dia de antecedência, as damas, que pensavam em aproveitar a ópera dos assentos comuns, ficaram felizes com a proposta inesperada.
— Teria sido lindo se Asiel também viesse.
Mesmo depois de entrar no espaço onde podiam assistir à ópera sozinhos, Bleier pensou no filho. Sem suspeitar das intenções obscuras do marido ao conseguir aqueles ingressos de camarote.
Finalmente, a ópera começou.
Uma música majestosa e um canto grandioso, que preenchiam o teatro, ecoaram pelo ambiente, e a atuação apaixonada dos atores capturou todos os olhares.
Acontecesse o que acontecesse, o olhar de Herdin permanecia fixo apenas em Bleier, sentada ao seu lado.
No entanto, Bleier estava tão concentrada na ópera que não percebeu aquele olhar. O mesmo aconteceu quando Herdin tentou lhe dar sinais brincando com seus cabelos ou segurando sua mão.
Por fim, ao ver sua esposa com os olhos marejados pelas dificuldades do protagonista, Herdin soltou uma risada irônica.
Sentiu a frustração de ser o único que havia se transformado numa fera no cio por sua esposa a qualquer momento.
… Embora, tecnicamente, ele realmente fosse uma fera.
Sua esposa ingênua e despreocupada estava completamente absorta na ópera, tendo bem ao lado uma fera cheia de desejos insatisfeitos. Ela chorava e ria acompanhando o protagonista.
Como havia sido ele quem sugerira que tentassem diversas atividades, Herdin não pôde incomodá-la mais e, deixando parte de sua ganância de lado, limitou-se a observar a expressão da esposa.
Ele não tinha o hábito de assistir a óperas. Do seu ponto de vista, não compreendia o ato de chorar e rir por uma história fictícia que não envolvia amigos próximos ou familiares.
No entanto, os olhos de Bleier enquanto assistia à ópera brilhavam mais do que nunca. Era uma expressão que ele não pudera ver quando os três, junto com Asiel, assistiam a peças teatrais ou concertos.
Naquela imagem, Herdin viu a jovem de mais de dez anos atrás, quando se conheceram pela primeira vez.
A menina de onze anos cheia de sonhos que dizia querer deixar o império para viajar pelo mundo.
Seu primeiro amor, que lhe pediu para levá-la até aquele mundo.
Ao vê-la assim, pensou que fizera bem em vir assistir à ópera com ela. Também pensou que era uma sorte nenhum outro homem poder vê-la daquela forma.
“… Desde que você seja feliz.”
Vendo sua esposa se divertir como uma criança, Herdin decidiu adiar o beijo por um momento.
No entanto, antes mesmo que duas horas se passassem, Herdin terminou se arrependendo de ter trazido Bleier à ópera.
Ao final da apresentação, as damas tiveram um momento para cumprimentar os atores. Bleier e Herdin também estavam presentes.
As damas se aproximavam uma após a outra para cumprimentar o ator que interpretava o protagonista masculino.
— Céus, estou realmente surpresa. Como consegue cantar sem vacilar enquanto faz aquelas cenas de ação…
— E a ação não perde intensidade em nenhum momento. É admirável essa resistência física para atuar com tanta paixão por duas horas.
— Haha, é graças aos meus colegas, que me apoiaram sempre que me senti exausto. Ainda assim, fico feliz em sentir que pude proporcionar às senhoras uma apresentação inesquecível. Na verdade, sofri muito para desenvolver essa resistência, mas sinto que o esforço valeu a pena.
O ator, que atualmente desfrutava de grande popularidade nos teatros, respondia com habilidade aos elogios das damas, mantendo um ambiente harmonioso.
Sem perceber que os olhares do casal, que observava mais atrás, tornavam-se cada vez mais gélidos.
A Herdin não importava se o ambiente do grupo ficaria tenso ou não.
Sua esposa, de personalidade reservada, não era do tipo que se aproximaria primeiro para conversar, por mais que gostasse daquele ator. Portanto, era algo que não tinha nada a ver com ele.
Mas, justamente quando Herdin baixou a guarda, Bleier, que observava a situação em silêncio ao seu lado, dirigiu-se a algum lugar.
Para onde ela foi estava o ator que interpretara o papel do vilão e segundo protagonista masculino.
— Gostei muito da sua atuação. Graças a você, assisti à peça com os nervos à flor da pele e muita tensão.
O ator, que pensava que ninguém se interessaria por ele por ser o vilão e um personagem secundário, pareceu desconcertado com o elogio inesperado, mas logo se recompôs como um bom ator e respondeu ao cumprimento.
— Obrigado por vê-lo de forma tão positiva, senhora. Para mim, é uma grande honra ter podido lhe deixar uma boa lembrança.
No rosto sorridente do homem não restava nem vestígio da imagem do vilão de momentos antes.
Bleier sentiu que, só por aquela diferença entre palco e realidade, podia perceber o quanto ele havia se esforçado por aquela obra. Além disso, sentiu o coração bater forte ao vislumbrar a razão de viver de um completo estranho.
Por isso, queria encorajá-lo.
Porque sabia que uma palavra sua, por mais insignificante que fosse, seria a força para que aquele homem continuasse atuando magnificamente em futuras óperas.
E porque desejava que muitas pessoas aproveitassem aquela ópera e sentissem a mesma emoção que ela.
No entanto, diferente dos dois, que estavam em um ambiente harmonioso, o canto dos lábios de Herdin, que observava o movimento inesperado da esposa, se distorceu.
Parecia que sua esposa tinha uma fraqueza por aqueles idiotas que fingiam ser ingênuos e desajeitados.
Tanto o pintor de ontem quanto esse sujeito.
Enquanto observava em silêncio, pensando que ela apenas o cumprimentaria e encerraria a interação, viu Bleier notar um ferimento aberto no dorso da mão do ator e tentar lhe entregar seu lenço. Naquele instante, o humor que mal conseguira conter se crispou.
Herdin aproximou-se a passos largos e segurou a mão dela. Depois, disparou friamente ao ator, que o encarava desconcertado:
— Um cavalheiro deveria saber recusar uma gentileza que não pode devolver, não acha?
Essas palavras significavam que ele não poderia devolver o lenço a Bleier.
Porque ele não permitiria que isso acontecesse.
Herdin, que deixara escapar suas emoções afiadas sem perceber, zombou de si mesmo tardiamente, mas o dano já estava feito. Sentiu-se patético por agir daquela forma.
Engolindo a emoção que surgira impulsivamente, disse a Bleier, que o observava com olhos surpresos:
— … Estarei esperando lá fora, então saia com calma.
E, deixando Bleier para trás, virou-se e foi embora.
Depois de muito tempo, começou a sentir falta dos charutos que deixara de fumar quando seu filho nasceu.
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