Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 127. O presságio
— Ir ver o festival da colheita?
Bleier, que havia acordado tarde e tomava café da manhã sozinha, arregalou os olhos ao ouvir a proposta da criada.
— Sim, senhora. Hoje é o último dia do festival. No encerramento, as barracas costumam vender produtos de alta qualidade por preços reduzidos e, como muita gente sai para aproveitar o fim da festa, há muito mais para ver.
Enquanto dizia isso, a criada recordou as instruções que recebera naquela manhã de Ruth.
“Leve a senhora para passear pelo festival.”
Na verdade, aquilo havia sido uma sugestão de Ruth.
Ruth, sempre muito perspicaz, percebeu apenas pela expressão de Herdin na noite anterior que o relacionamento entre os dois havia se deteriorado novamente.
Embora não soubesse os detalhes exatos dos conflitos entre eles, Ruth compreendia os sentimentos de Bleier.
Ela era alguém que fugira afirmando odiar ficar ao lado de Herdin e, tendo sido trazida de volta à força, era natural que se sentisse assim.
No entanto, analisando friamente a situação, estando grávida, seria cem vezes melhor permanecer ao lado de Herdin.
Se de qualquer forma teriam de conviver, não seria melhor ao menos tentar aliviar um pouco o estado emocional da senhora?
Foi pensando nisso que ele fez tal sugestão.
Herdin poderia tê-las acompanhado ao festival, mas parecia que hoje seria impossível devido a outros compromissos. Acima de tudo, Ruth sentia que obrigar duas pessoas que haviam discutido a compartilhar o mesmo espaço poderia piorar ainda mais a situação.
Por isso, sugeriu que a criada levasse Bleier para conhecer o festival.
— Além disso, os festivais de cidades costeiras são diferentes dos realizados na capital, não é? Talvez a senhora nunca mais tenha a oportunidade de ver o festival de Nereha, então acredito que seria bom dar uma olhada.
Bleier ficou pensativa. Naquele momento, seu coração ainda estava inquieto por causa do que acontecera com Herdin no dia anterior.
“De qualquer forma, se eu ficar no anexo, só vou continuar pensando em Herdin…”
Depois de hesitar por um instante, Bleier assentiu.
— Sim, parece uma boa ideia. Vamos juntas.
Depois de terminar de comer, ela se arrumou com a criada e desceu ao primeiro andar.
Foi então que encontrou um rosto inesperado.
— Olá, senhora. Espero que tenha passado bem esse tempo todo.
Ao ver Calrigo cumprimentando-a com familiaridade, as pupilas de Bleier se dilataram em agitação.
Quando abandonou o império, deixando para trás seu nome e seu status, acreditou que nunca mais cruzaria com ele e, naturalmente, havia deixado sua existência de lado.
Ele, que não possuía qualquer laço emocional com ela, provavelmente tentara matá-la apenas pelos objetivos de quem estava por trás; afinal, sua vida, já não sendo mais princesa nem duquesa, não deveria ter tanto valor.
Mas, contra sua vontade, ela voltara a ser duquesa — e, portanto, precisava encarar novamente o risco de se deparar com Calrigo.
Bleier perguntou, esforçando-se para esconder o tremor na voz e parecer indiferente:
— O senhor também veio para cá, sir cavaleiro?
— Ah, sim. Acabei de me juntar ao grupo depois de concluir outras investigações que Sua Excelência me confiou.
— …Entendo. Trabalhou duro.
Após a saudação formal, Bleier quis encerrar a conversa.
Quanto mais descobria que Calrigo era uma boa pessoa, mais desconfortável se sentia por ser obrigada a desconfiar dele.
Infelizmente, seu desejo não se realizou.
— Hoje estou encarregado de sua escolta. Está tudo bem para a senhora?
Bleier congelou diante das palavras despreocupadas de Calrigo.
Embora se sentisse desconfortável com ele, não podia recusá-lo diretamente.
“Não vou ficar sozinha com ele, e haverá muita gente na praça… então deve ficar tudo bem, certo?”
Bleier respondeu fingindo naturalidade, enquanto instintivamente envolvia a barriga com os braços, como se protegesse o bebê.
— Então conto com você.
— É uma honra escoltar a senhora.
Calrigo ajudou Bleier a subir na carruagem.
Já acomodada, Bleier observou pela janela enquanto Calrigo e alguns cavaleiros montavam em seus cavalos.
Foi então que viu um brilho avermelhado tênue próximo à clavícula, refletido no vidro.
De repente, lembrou-se de ter visto algo semelhante a um círculo mágico naquela mesma região no dia seguinte à sua noite de núpcias.
Piscando, Bleier tocou a clavícula.
A criada, que subia logo atrás, percebeu seu gesto e perguntou curiosa:
— O que houve, senhora?
— Acho que estou com alguma coisa manchada aqui na clavícula.
A criada observou atentamente a região e inclinou a cabeça.
— Hm… por enquanto não vejo nada… Está incomodando muito?
Ao olhar novamente para a janela, não havia mais nada.
Depois de tocar a região por mais alguns segundos, Bleier balançou a cabeça.
— Não é nada. Acho que vi errado.
Pouco depois, a carruagem partiu.
A praça estava em seu auge com a atmosfera vibrante do encerramento do festival da colheita.
Depois de passear por bastante tempo, Bleier entrou em uma loja localizada em um canto da praça.
No interior, diversas peças artesanais de vidro delicadamente trabalhadas brilhavam sob a luz.
Esses artesanatos eram um dos produtos mais emblemáticos de Nereha.
— Uau… é realmente lindo…
Enquanto a criada se perdia admirando as peças, Bleier escolhia presentes para Rina e Melli.
Havia selecionado aqueles itens porque queria lhes dar algo que simbolizasse Nereha.
Embora não se sentisse tranquila por ter retornado à mansão ducal contra seus planos originais, havia uma única coisa que a deixava feliz:
O fato de poder rever aquelas duas pessoas.
Especialmente Rina.
Bleier sentia uma culpa profunda por ter desaparecido repentinamente sem sequer se despedir.
Após percorrer toda a loja, escolheu delicados globos de neve com esculturas de vidro.
“Espero que elas gostem.”
Impedindo que a criada carregasse os presentes, Bleier saiu da loja segurando cuidadosamente as caixas.
— Então, para onde deseja ir agora?
— Acho que já vi o suficiente. Vou voltar para a mansão descansar. Se quiser continuar passeando, pode ficar mais um pouco.
O rosto da criada se iluminou diante da possibilidade de tempo livre.
Bleier sorriu.
— Sim. Obrigada por me acompanhar hoje.
— De nada! Eu também adorei passear graças à senhora! Então, vou acompanhá-la até a carruagem.
Como a praça estava lotada, a carruagem havia sido deixada um pouco mais distante.
Bleier caminhou ao lado da criada e dos cavaleiros, gravando em sua memória a paisagem do festival — casais, famílias, risos.
Porém, aquela cena pacífica foi abruptamente destruída pelo grito desesperado de alguém.
— Socorro! Por favor, me ajudem!
Diante daquele som tão destoante, todos olharam instintivamente na direção do grito.
Bleier também.
Um breve silêncio.
E então—
Outro grito ecoou.
Logo em seguida, ouviu-se o choro de um bebê que detectara o terror por instinto.
Percebendo que algo estava errado, as pessoas começaram a murmurar.
Calrigo e os cavaleiros levaram as mãos às espadas e cercaram Bleier.
Ao mesmo tempo, gritos explodiram por toda parte.
Foi então que, diante dos olhos atentos de Calrigo, a origem do horror se revelou.
Uma grande quantidade de cadáveres horríveis, com corpos apodrecidos, havia surgido e atacava as pessoas.
“Mortos-vivos? Por que existem mortos-vivos aqui…?”
Mortos-vivos surgiam quando energia maligna ou magia negra possuía cadáveres, sendo mais comuns em regiões frias do norte.
Em climas amenos, os corpos se decompunham rápido demais.
Mas Nereha era uma região costeira de clima temperado.
Não fazia sentido.
Calrigo afastou a dúvida e desembainhou a espada.
Independentemente da razão, só havia uma prioridade agora.
— Todos! Escoltem a senhora até a carruagem!
Os cavaleiros, cercando Bleier e a criada, começaram a avançar entre a multidão.
Mas era difícil.
As pessoas corriam em pânico.
Os cavaleiros de Nereha, responsáveis pela segurança local, começaram a lutar, mas não estavam preparados.
Os mortos-vivos não morriam, mesmo quando cortados repetidas vezes.
Eles se levantavam novamente.
Calrigo gritou:
— Fogo! Coloquem fogo neles!
Apesar dos esforços, o grupo de Bleier logo se viu cara a cara com uma horda de mortos-vivos.
— Senhora, por aqui!
Diante daquelas criaturas monstruosas, Bleier tremia de medo.
Mas então sentiu o bebê se mover.
“Meu bebê… preciso proteger meu bebê.”
Bleier correu com os cavaleiros pela multidão em direção ao beco onde estava a carruagem.
Mas aquilo foi um erro.
Outro grupo de mortos-vivos vinha pelo lado oposto.
Era um beco sem saída.
Um dos cavaleiros de Delmark foi derrubado após um ataque surpresa.
No mesmo instante, outro morto-vivo avançou e mordeu o braço de Bleier.
Com o impacto, ela deixou cair a caixa de presentes.
Os globos de neve voaram e se despedaçaram no chão.
Apesar da dor lancinante, como se seu braço estivesse sendo arrancado, Bleier não soltou o braço que protegia sua barriga.
Calrigo, ao perceber a cena, cortou o morto-vivo e o afastou dela.
Ao ver o ferimento, ele cerrou os dentes.
O cheiro de sangue enlouqueceu ainda mais os monstros.
“Se ao menos houvesse fogo…”
Mas era pleno dia.
Não havia nada por perto.
No momento em que o desespero atingia o ápice—
Sobre os mortos-vivos enfurecidos surgiu a forma de uma espada feita de luz.
Ela desceu do céu e se cravou diretamente neles.
Bleier demorou um segundo para entender o que estava vendo.
Então olhou para trás.
E viu uma figura familiar.
Era Herdin.
Aproximando-se envolto em uma aura de mana azul, transbordando uma sede assassina.
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