Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 154. Contrações
Depois de passarem mais quinze dias sozinhos em Ikar, o casal chegou a Ribren. Faltava menos de um mês para a data prevista do parto de Bleier.
Quando a carruagem atravessou o portão principal da mansão, avistaram os criados alinhados em fila, aguardando o retorno de seus senhores.
Ao presenciar aquilo, a expressão de Bleier se obscureceu. Herdin, ao notar seu semblante, perguntou com curiosidade.
—É só que me sinto um pouco envergonhada. Não faz nem dois meses que me despedi de todos anunciando meu divórcio…
Ah. Herdin, compreendendo que Bleier se sentia constrangida, soltou uma risadinha.
Sua esposa, que por fora se mostrava como uma princesa nobre e elegante, na verdade possuía um lado tão adorável assim. Ele experimentava uma estranha sensação de exaltação ao saber que era o único que conhecia essa faceta.
—Então, damos meia-volta com a carruagem e voltamos para Ikar? Para mim seria ótimo.
—Não faça isso.
Bleier o deteve apressadamente, temendo que Herdin realmente ordenasse o retorno do veículo. Enquanto isso, a carruagem parou diante da entrada da mansão.
—Bem-vindos, excelência.
O mordomo responsável pela residência de Ribren abriu a porta da carruagem e os recebeu.
Herdin desceu primeiro e depois ajudou Bleier a descer.
Quando ambos se dirigiram para o interior, os criados alinhados inclinaram a cabeça ao mesmo tempo.
Herdin caminhava ajustando seus passos aos de Bleier, incapaz de tirar os olhos dela. Devido ao ventre proeminente, Bleier avançava devagar, com passos curtos.
Aquela imagem despertava nele uma profunda ternura; o fato de até esse detalhe lhe parecer adorável era prova do quão perdidamente apaixonado ele estava por ela.
Enquanto observava em silêncio Bleier caminhar com cautela, Herdin sentiu um impulso travesso e a tomou nos braços. Diante de tal ação, Bleier se sobressaltou e se agarrou ao pescoço dele.
Herdin respondeu selando seus lábios em um beijo, enquanto ela o olhava com os olhos muito abertos de surpresa.
Diante do gesto audacioso, o rosto de Bleier se incendiou como uma maçã madura. Herdin, lisonjeado por aquela reação, tentou beijá-la de novo, mas foi detido pela mão dela.
Com o semblante visivelmente desconcertado, Bleier olhou ao redor, franziu levemente a testa e sussurrou.
—Os criados estão olhando.
—Que olhem.
—Isso não é digno da nossa posição.
—Por acaso é indigno que um esposo ame sua esposa?
Bleier o olhou com uma expressão severa de mentira, mas acabou caindo na risada, admitindo assim sua derrota. Herdin a carregou e entrou na mansão a passos largos.
Os criados, que observavam a cena com leves sorrisos, pensaram todos a mesma coisa.
Que o duque estava irremediavelmente apaixonado pela duquesa.
Diante do espelho, Herdin abotoava as abotoaduras quando, de repente, olhou para o exterior.
Avistou os criados retirando a neve acumulada em diversos pontos do jardim e o cocheiro preparando a carruagem.
Por causa da culpa por não ter estado ao lado dela em sua vida passada, Herdin tentava permanecer com Bleier o maior tempo possível, mas, como era de se esperar, os momentos compartilhados eram menores do que em Ikar.
Além disso, hoje ele precisava ir pessoalmente inspecionar o porto, e sentia-se ansioso, já que fazia tempo que não deixava Bleier sozinha na mansão por um longo período.
Apesar de saber que já não existiam facções à espreita deles e que faltava aproximadamente um mês para a data prevista, portanto o bebê não nasceria nesse intervalo.
A culpa da vida passada persistia em um canto de seu coração, sem derreter apesar do tempo, como uma pedra enterrada no gelo.
Herdin, que colocava e retirava as abotoaduras sem motivo aparente, finalmente desistiu e abandonou o vestidor.
Esperava que sua esposa, que havia se tornado mais sonolenta desde a gravidez, já tivesse despertado, mas infelizmente Bleier continuava mergulhada em um sono profundo.
Sentando-se silenciosamente à beira da cama, Herdin recordou a razão pela qual ela ainda não havia se levantado.
“Certo. Ontem à noite também dormiu tarde.”
Na noite anterior, tal como vinha fazendo desde que estavam em Ikar, Herdin atormentara Bleier com beijos e carícias.
A isso se somava o fato de que, talvez por causa dos hormônios da gravidez, a atitude de Bleier havia se tornado mais honesta apesar de sua timidez, o que intensificava ainda mais o desejo do homem.
Depois de possuí-la por muito tempo, Herdin finalmente a deixou descansar já tarde da noite.
Observando em silêncio sua esposa, que dormia com um rosto completamente indefeso e sem vestígio da imagem provocante que o havia instigado na noite passada, Herdin levantou-se silenciosamente.
Pensou que seria ambição demais esperar que ela o acompanhasse até a saída depois de tê-la atormentado a noite inteira.
No entanto, no instante em que Herdin se levantava da cama.
Como se tivesse adivinhado seu desejo, Bleier abriu os olhos.
—Aonde vai?
—Tenho que ir verificar o porto. Vou só por um momento.
Só então Bleier se lembrou de que Herdin havia mencionado na noite passada sua intenção de inspecionar o porto hoje.
Enquanto isso, Herdin voltou a subir na cama. Bleier o olhou com estranheza enquanto ele se acomodava sutilmente ao lado dela, apesar de ter dito que precisava sair.
—Não disse que tinha que sair?
Herdin se aproximou tanto que parecia que iria beijá-la e sussurrou.
—Diga para eu não ir.
Quando seus lábios se moveram, quase roçando os dela, seu hálito quente alcançou os lábios de Bleier. Mas eles não chegaram a se tocar, como se ele estivesse exigindo a resposta que tanto desejava.
Ao mesmo tempo, sua mão deslizou por baixo dos lençóis e acariciou o ventre arredondado de Bleier. O toque ardente subiu secreta, mas decididamente, até envolver e estimular seus seios inchados. Era uma sedução explícita.
No momento em que se sentiu tonta por aquele toque, a lembrança da noite anterior atravessou a mente de Bleier. Teve o pressentimento de que, se cedesse à sedução dele agora, acabariam se revirando desordenadamente na cama em plena luz do dia.
Bleier deteve sua mão envolvendo-a com a própria.
—Deve ser um pai que dê o exemplo ao bebê.
—Também posso dar o exemplo como esposo.
—Negligenciar o trabalho também não é exemplar como esposo.
Diante das palavras firmes de Bleier, Herdin soltou um suspiro de insatisfação. No entanto, sem se mover, limitou-se a brincar com o cabelo dela. Evidentemente, ainda não queria partir.
Por fim, Bleier tirou sua carta na manga.
—Eu vou te elogiar quando voltar.
Um elogio.
Os olhos de Herdin se estreitaram, sabendo exatamente o que aquilo significava. Parecia que, nos últimos quinze dias, sua inteligente esposa havia descoberto como domá-lo.
E, claro, era o método mais preciso.
Herdin, propondo uma negociação a Bleier, beijou-a repentinamente. Bleier vacilou por um instante, mas logo aceitou seu marido obstinado, admitindo sua derrota.
Quando seus lábios fechados se abriram, Herdin não deixou a oportunidade passar e aprofundou-se nela, envolvendo-a. Então começou a acariciar o corpo macio feminino escondido sob os lençóis.
Os lábios se uniram e o hálito quente e a saliva se entrelaçaram, produzindo sons úmidos e eróticos.
Apesar de terem se desejado durante toda a noite, ambos se aprofundaram um no outro como se ainda não fosse suficiente. O calor entre os dois aumentou rapidamente à medida que o contato se tornava mais intenso.
Em um mundo onde parecia que só restavam eles dois, de repente um terceiro interveio.
—Excelência, os preparativos terminaram.
Era a voz de Ruth.
Herdin, com o corpo já aceso pelo desejo, quis ignorá-la e continuar o beijo, mas Bleier o afastou.
Só então Herdin suspirou e recuou. Depois, limpando com o polegar a saliva dos lábios de Bleier, sem saber de quem era, sussurrou em voz baixa.
—Receberei o resto do elogio quando voltar, minha esposa.
E enquanto se levantava da cama para arrumar a roupa, Herdin notou que a expressão de Bleier não parecia boa.
—Você está se sentindo mal?
Diante de sua pergunta preocupada, Bleier balançou a cabeça apressadamente.
—Acho que ainda não despertei completamente. Vá com cuidado.
Herdin observou o semblante de sua esposa, que lhe sorria radiantemente, beijou sua testa arredondada e se levantou.
Pouco depois de sair do quarto, ouviu-se o som da porta se fechando. Ao mesmo tempo, o sorriso desapareceu do rosto de Bleier e se contraiu dolorosamente.
Bleier levou as mãos ao ventre onde sentia as contrações.
Na verdade, ela havia sentido contrações leves logo depois que o beijo terminou. Mas não quis demonstrar nada para não preocupar Herdin, que precisava sair.
Bleier se levantou enquanto abraçava o ventre, que estava incomumente tenso e endurecido.
É comum ter contrações falsas quando a data do parto se aproxima, mas era difícil distingui-las detalhadamente das contrações reais.
“Ainda faltam mais de quinze dias para a data prevista…”
Em sua vida passada, Asiel havia nascido mais de quinze dias depois deste momento, mas não havia garantia de que nesta vida nasceria no mesmo dia.
Na verdade, Asiel havia nascido cerca de quinze dias antes do originalmente previsto, e faltando pouco mais de um mês para o parto, não seria estranho que o bebê pudesse nascer a qualquer momento.
Com o coração inquieto, Bleier puxou a corda do sino. Enquanto permanecia deitada na cama esperando que as contrações desaparecessem, Melli entrou no quarto.
—Senhora, descansou bem… está se sentindo mal em algum lugar?
Bleier pediu a Melli, que se aproximava apressadamente dela.
—Melli, poderia chamar o médico da família?
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