Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 103: Um Tipo Completamente Louco.
Quando Bleier se assustou com o som de alguém batendo à porta, a idosa pousou a comida que carregava sobre a mesa e se aproximou da entrada.
— Quem é?
— Sou eu, senhora.
Era a voz de um homem desconhecido, mas Mikhail pareceu reconhecê-la e lançou um olhar significativo para Bleier.
— É um dos meus subordinados.
A idosa abriu a porta, permitindo que o homem entrasse na casa.
Depois de cumprimentar educadamente os três, ele olhou para Mikhail. Compreendendo o significado daquele olhar, Mikhail se dirigiu a Bleier e à idosa.
— Não se preocupem comigo e comecem a comer. Voltarei depois de conversar um pouco com ele.
Mikhail subiu para um quarto no segundo andar com seu subordinado.
— Como está a situação lá fora?
— Como esperado, os cavaleiros da casa do duque Delmarque estão controlando todos os acessos à capital e verificando a identidade de quem entra e sai. E além disso…
— Antes mesmo que pudéssemos agir, o escândalo sobre a duquesa já se espalhou.
— O rumor de que a duquesa tem outro homem?
— Mais do que uma simples infidelidade, espalhou-se a notícia de que a duquesa está grávida e que o filho é de outro homem.
Ao ouvir isso, os olhos de Mikhail se estreitaram.
Desde o início, ele pretendia provocar um escândalo envolvendo Bleier, mas não esperava que outra pessoa espalhasse os rumores primeiro.
— …Não sei quem fez isso, mas graças a isso nos pouparam trabalho.
Embora não gostasse da intenção maliciosa por trás dos rumores, pensando bem, era melhor assim.
Se Bleier conseguisse escapar dessa forma, carregaria a infâmia de ter fugido grávida de outro homem.
E, nesse caso, Herdin perderia a justificativa pública para procurar uma esposa que fugiu levando até mesmo o filho de um terceiro.
— Continue vigiando os movimentos do duque e me informe assim que surgir uma oportunidade.
Após receber a ordem, o subordinado fez uma reverência e saiu imediatamente.
Sozinho, Mikhail tirou alguns documentos do bolso interno do casaco.
Era a metade dos papéis de Esmeralda que ele havia roubado antes de entregar apenas parte deles a Herdin por meio de seu subordinado.
Naqueles documentos constava o nome do verdadeiro culpado que, há mais de dez anos, assassinara intencionalmente os antigos duques.
Mikhail observou os papéis com um olhar gélido e, ao ouvir vagamente vozes conversando do lado de fora, tornou a guardá-los junto ao peito.
Era uma verdade que Herdin ainda não podia descobrir.
No início da manhã, quando o amanhecer começava a clarear.
Ruth subiu às muralhas da capital respirando o ar fresco da madrugada. Porém, ao contrário da atmosfera revigorante, havia profundas olheiras sob seus olhos.
Era porque ele mal havia dormido durante toda a noite.
Ao chegar ao topo, viu Herdin parado, imóvel como um sentinela guardando a muralha, contemplando a paisagem da capital.
Parecia fundido àquele cenário gélido da manhã.
Tanto que, se não fosse pelo cigarro soltando fumaça continuamente e pela mão que o segurava, poderia ter sido confundido com uma pintura.
Seu olhar, voltado para os portões abaixo da muralha, não mostrava qualquer traço de sono; ao contrário, era tão afiado quanto uma lâmina bem polida.
Mas o vaso vazio ao lado, repleto de bitucas, era a prova.
A prova de que ele permanecera ali, de olhos abertos, durante toda a noite.
Embora não demonstrasse abertamente sua fúria, a ira silenciosa que ondulava em suas pupilas azuis era aterradora, como se estivesse prestes a explodir.
O que aconteceria se Bleier aparecesse agora diante dele?
Só de imaginar, Ruth sentiu a boca secar. Engoliu em seco e se aproximou cautelosamente.
Afinal, como assistente, não podia simplesmente ficar parado enquanto seu senhor fumava de estômago vazio.
— Excelência. Trouxe algo leve para comer…
Mas suas palavras foram interrompidas antes de terminar.
— Mikhail Kines. Encontrou?
Ruth abaixou o sanduíche que ia entregar e respondeu rapidamente:
— Não, senhor. Disseram que ele desapareceu depois de receber seu pagamento na taberna onde trabalhou até alguns dias atrás. Ninguém sabe seu paradeiro e, como cresceu órfão, não possui parentes.
Ao ouvir isso, uma risada fria escapou entre os dentes de Herdin.
Mas seu olhar para a paisagem do amanhecer era tão gelado que parecia capaz de cortar a pele.
Ontem, ao perceber que Bleier havia desaparecido, ele visitara pessoalmente o grêmio que ela frequentava em segredo.
Mas mesmo investigando aquele lugar, não encontrara nada.
O desaparecimento de Bleier.
E, coincidindo com isso, o desaparecimento de seu falso amante.
Aquilo poderia mesmo ser coincidência?
Ruth hesitou por um instante diante da aparência de Herdin, que parecia capaz de matar qualquer um que o irritasse agora, e começou a falar com cautela:
— Além disso… recebi informações de que rumores estranhos sobre a senhora estão circulando…
Por instinto, Ruth sabia que aquilo não parecia uma boa ideia de contar naquele momento.
Mas, de qualquer forma, o rumor já havia se espalhado por toda a cidade.
Era melhor que ouvisse dele agora do que pelos sussurros alheios.
Ruth umedeceu os lábios secos e continuou:
— …Dizem que a senhora teve um caso com outro homem e que está grávida dele.
Ao ouvir isso, confirmou-se que o desaparecimento simultâneo de Bleier e Mikhail não era coincidência.
Ao mesmo tempo, as palavras que Mikhail lhe dissera quando se conheceram na galeria passaram por sua mente.
“Pretendo deixar o império quando tudo isso terminar.”
Agora, aquilo soava como se ele já estivesse planejando o futuro após o divórcio entre Bleier e Herdin.
Pensando bem, até mesmo quando a gravidez de Bleier foi descoberta, ela mencionou sem hesitar o nome daquele bastardo como pai da criança.
Como ousou.
Herdin, imaginando Mikhail ao lado de Bleier, curvou o canto dos lábios em um sorriso zombeteiro.
No fim, ela fugiu com aquele sujeito carregando meu filho.
E ainda espalhou o absurdo boato de que meu filho, confortavelmente acomodado em seu ventre, é filho daquele bastardo.
Ela pensou que, usando esse método, eu deixaria de procurá-la?
Que adorável.
Talvez eu devesse tê-la mantido acorrentada no quarto até sua barriga crescer.
Ou talvez presa em meus braços até esse momento.
Se tivesse feito isso… teria sido incapaz de fazer algo tão adorável?
Agora era um arrependimento tardio.
Com um sorriso gélido, Herdin percorreu a paisagem da capital com olhos afiados.
Depois de permanecer ali a noite inteira, como um guardião nas muralhas ou um soberano aterrador, finalmente pareceu tomar uma decisão.
Jogou o cigarro no vaso vazio e se virou.
Ruth o seguiu às pressas.
— Já se passou um dia. Devemos ampliar a busca para fora da capital?
Herdin respondeu imediatamente:
Com esse corpo, é impossível que ela já tenha conseguido escapar da capital.
— Continuem bloqueando todos os acessos à cidade. Sem deixar uma única brecha.
Herdin Delmarque não compareceu à reunião do conselho de Estado.
Enquanto os nobres murmuravam ao ver sua cadeira vazia, as portas do salão se abriram e Ivan entrou.
Recebendo as saudações dos nobres, Ivan sentiu uma atmosfera estranhamente diferente do habitual, olhou ao redor e percebeu o assento vazio de Herdin.
O canto de seus lábios se ergueu levemente.
“Já é hora de trazer esse assunto à tona.”
Na verdade, o fato de Ivan ter emitido uma sentença justa sobre o incêndio de dez anos atrás escondia outro cálculo além de proteger sua própria imagem.
“Dizem que a duquesa parece estar grávida.”
Assim que Herdin solicitou a revisão do caso, Ivan ordenou que vigiassem os movimentos da casa ducal.
Como resultado, soube da gravidez de Bleier.
Ivan ficou satisfeito com a notícia.
Mencionar o divórcio para Herdin havia sido apenas uma ameaça; o objetivo original daquele casamento era fazer a família imperial absorver o prestígio de Delmark.
E agora, uma gravidez.
Que prova de harmonia poderia ser mais evidente?
Pensando nisso, ele decidiu relevar a ausência sem aviso de Herdin.
A imagem de um marido absorto pelos cuidados com a esposa grávida reforçaria a boa relação do casal e consolidaria, de forma tácita, a harmonia entre Delmark e a família imperial.
Então Ivan decidiu anunciar a gravidez naquele momento.
— Parece que o senhor Delmark está bastante ocupado com os cuidados pré-natais.
Assim que Ivan falou, o salão barulhento mergulhou em silêncio.
Pensando que fosse apenas surpresa diante da notícia inesperada, Ivan continuou:
— Sinto que é um pouco estranho eu mencionar isso antes dos próprios interessados, mas não posso esconder uma notícia tão feliz.
— A duquesa está grávida. É como um tesouro que fortalecerá ainda mais o vínculo entre a família imperial e Delmark. Essa feliz notícia, junto de todos vocês…
Enquanto falava sobre a relação entre Delmark e a família imperial, Ivan finalmente percebeu que havia algo errado na atmosfera e interrompeu suas palavras.
Naquele instante, o chefe dos servos entrou apressado, aproximou-se e sussurrou algo em seu ouvido.
Ao ouvir, a expressão de Ivan endureceu gradualmente.
A reunião do conselho terminou de forma vaga, em meio a um clima glacial.
No caminho de volta ao palácio imperial, Ivan soltou uma risada incrédula ao recordar as palavras recém-ditas pelo chefe dos servos:
“Circulam rumores por toda a cidade de que a duquesa fugiu carregando o filho de outro homem.”
Além disso, chegara a notícia de que os cavaleiros da casa do duque Delmarque estavam revistando os portões da capital.
Então o rumor era verdade.
Se a criança no ventre fosse realmente de Herdin, não haveria motivo para Bleier fugir.
— Essa insolente… me humilhar dessa forma…
Diante dos nobres, ele havia anunciado a gravidez sem saber que o suposto herdeiro poderia ser visto como filho bastardo de um desconhecido.
Tornara-se motivo de ridículo.
Enquanto pensava em como resolver aquela situação absurda, Ivan chegou ao palácio imperial e encontrou Herdin esperando por ele.
A fúria silenciosa que ondulava naquelas pupilas geladas era tão feroz que, por um instante, até Ivan se sentiu pressionado.
Ivan presumiu que Herdin pediria o divórcio naturalmente.
Afinal, como manter como esposa uma mulher que fugira grávida de outro homem?
No entanto, as palavras que saíram da boca de Herdin foram completamente inesperadas.
— Permita-me revistar as residências civis, Majestade.
— Devo encontrar minha esposa.
Uma risada incrédula escapou de Ivan.
Foi naquele momento que ele percebeu, tarde demais, que havia enviado sua irmã para um sujeito completamente louco.
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