Eu Só Preciso do Filho do Duque Extra 2. O plano do irmãozinho de Asiel (6)
A carruagem que transportava seu dono entrou na mansão do ducado. Era mais cedo do que o habitual.
Mason, que havia saído para recebê-lo, deu a resposta que ele desejava antes mesmo que Herdin pudesse perguntar.
— A senhora recebeu uma carta de Felik Hujang Bujin pela manhã e saiu de casa.
Ao ouvir a notícia, Herdin franziu levemente a testa, mas logo soltou uma risada desanimada.
— Ela não disse quando voltaria?
— Disse que retornaria antes do jantar.
Herdin olhou para o relógio de parede atrás de Mason. Ainda faltava bastante tempo para o jantar.
Herdin passou por ele e subiu ao segundo andar, onde ficava o quarto conjugal. Como Mason havia informado, Bleier não estava no quarto. Ainda assim, sua fragrância característica pairava no ar.
Já fazia bastante tempo desde que Asiel partira para visitar a residência do conde Arbon, e o menino retornaria em quatro dias.
Por isso, ele havia voltado cedo com a intenção de passar mais tempo sozinho com Bleier antes do retorno de Asiel, mas sua esposa não estava em casa.
Desde aquela noite em que conversaram seriamente sobre um segundo filho, Bleier havia se tornado extremamente ativa. Começou a visitar galerias de arte, participar de eventos beneficentes e frequentar os salões das damas da nobreza.
Quando voltava para casa após passar o dia inteiro em atividades externas, costumava reclamar do cansaço e adormecia rapidamente, talvez porque não fosse alguém que naturalmente gostasse de sair.
Por isso, ele havia perguntado na noite anterior se ela tinha outros planos para hoje. Como ela afirmou que não, ele resolveu seus assuntos rapidamente para voltar, mas não esperava que surgisse um compromisso repentino.
Ainda assim, pensou que era adorável e sentiu alívio por ela se esforçar para encontrar sua própria felicidade através de atividades externas, exatamente como ele havia sugerido…
Mas, ao retornar para uma casa onde sua esposa não estava, uma sensação estranha o invadiu.
Quanto tempo fazia desde a última vez que experimentara aquele silêncio?
Herdin contemplou o quarto vazio onde Bleier costumava estar.
O vaso com uma pequena flor que Asiel lhe dera de presente, o primeiro retrato da família de três que ela tanto valorizava, a penteadeira onde ela escovava os cabelos todas as noites, o livro de poesia lírica que às vezes lia para ele, e assim por diante.
As coisas que ganhavam sentido quando ela estava ali perderam todo o significado no instante em que ela se ausentou.
Após observar o cômodo vazio, voltou ao sofá e sentou-se cruzando as longas pernas.
Olhou distraidamente para a luz da tarde que caía seca pela janela e afrouxou descuidadamente a gravata apertada.
O tempo passava lentamente.
No meio daquela quietude, enquanto esperava por sua esposa, Herdin finalmente se levantou e saiu do quarto. Então ordenou à criada que guardava a porta:
— Preparem a carruagem.
A margem do lago na primavera estava lotada de gente.
Famílias, casais que haviam saído para contemplar as flores e grupos de jovens nobres — tanto rapazes quanto moças em busca de novas conexões — diversas pessoas haviam saído para desfrutar de uma tranquila tarde primaveril.
Entre aquela multidão, Bleier caminhava pela beira do lago acompanhada por algumas damas, incluindo Monika.
— Que tal subirmos em um daqueles barcos? — sugeriu Monika, apontando para as embarcações ancoradas na margem.
Ao seguir seu olhar, era possível notar que já havia numerosos barcos flutuando no centro do lago.
— Já que viemos até o lago, não podemos perder o passeio de barco.
As damas assentiram em concordância e, como Bleier não tinha motivo para recusar, seguiu com elas até o embarcadouro.
Os barcos funcionavam com duas passageiras por embarcação, enquanto o barqueiro remava de pé.
Bleier subiu no barco junto de Monika. Assim que o barqueiro começou a remar, o grupo de damas que as acompanhava foi se afastando gradualmente.
Enquanto Bleier acenava para elas junto de Monika, aproveitou o contato visual para falar cautelosamente.
— Obrigada, marquesa. Obrigada por me receber assim, apesar de eu ter entrado em contato tão de repente.
Normalmente, Bleier passava seus dias cuidando de Asiel, das plantas, dos pássaros exóticos da estufa e de Bbi Bbi.
Não era porque alguém mandava, mas porque fazia isso por gosto. Ainda assim, como Herdin dissera, pensou que, para encontrar felicidade como “Bleier”, seria proveitoso desfrutar de coisas que nunca havia experimentado.
Por isso, entrou em contato com reuniões de damas das quais raramente participava, e Monika, longe de demonstrar condescendência, a recebeu com sincera alegria e gentileza.
— Ora, não diga isso. Há muitas damas que desejam convidar a duquesa para nossos encontros. A honra é minha.
— Na verdade, estávamos justamente falando que seria uma boa ideia incorporar um novo membro — acrescentou Monika, mudando o rumo da conversa para evitar que Bleier se sentisse pressionada.
Quando estavam chegando ao centro do lago, de repente, o barqueiro começou a cantar.
Quando terminou o primeiro verso, Bleier pensou que a canção havia acabado, mas o barqueiro de outro barco ao longe respondeu ao verso e continuou a melodia. Ao chegar ao clímax, todos cantaram em uníssono, criando uma harmonia.
As vozes profundas dos barqueiros ecoavam pela margem do lago, e o sussurro das folhas roçando com o vento acrescentava atmosfera. A canção, fundida à natureza, produzia uma emoção comparável à de ouvir uma obra em um teatro de ópera.
Enquanto Bleier observava a cena distraidamente, Monika, ao seu lado, explicou:
— Os barqueiros daqui cantam muito bem. Por isso muita gente vem só para ouvi-los.
Na verdade, Bleier apenas se surpreendera com o início repentino do canto; não era a primeira vez que via barqueiros cantando.
Já havia presenciado aquilo na margem de um lago durante um piquenique em família na primavera do ano passado. Ao ouvir aquelas vozes, a lembrança daquele momento surgiu naturalmente.
O brilho lindo nos olhos do menino enquanto observava com curiosidade os barqueiros passando o canto uns aos outros.
O quanto era agradável o riso de seu marido enquanto brincava com o filho, pedindo que ele também cantasse.
E o quanto ela se sentia feliz ao olhar para aqueles dois.
Embora estivesse desfrutando daquele momento de lazer ouvindo música na natureza, um vazio em um canto de seu coração permanecia sem ser preenchido.
Quando o barco, que vagara pelo centro do lago, virou em direção ao embarcadouro, a canção dos barqueiros chegou ao fim. O barqueiro retornou lentamente ao cais, concedendo às passageiras tempo para refletir em meio à natureza.
Ao descer do barco, todas as damas pareciam satisfeitas com o passeio.
— Parecia como se a floresta tivesse se transformado em um teatro e as vozes estivessem ecoando. O canto dos pássaros e o som do vento eram como uma orquestra.
— Uma ópera na natureza… é uma sensação tão diferente de uma apresentação de ópera que meu coração ainda está acelerado, não acham?
— Então, amanhã vamos assistir a uma ópera de verdade?
As damas, que já estavam organizando compromissos para o dia seguinte, eram esposas e mães em seus lares, mas naquele instante não diferiam em nada de meninas animadas para brincar com suas amigas.
Bleier sorriu ao observá-las.
“Então foi por isso que Herdin disse aquilo.”
Só agora sentia que compreendia plenamente suas palavras e suas intenções. Ao mesmo tempo, começou a sentir saudades dele. Desejava contar a ele as emoções que estava sentindo.
— Então, vamos para outro lugar tomar chá?
Justo quando as damas, animadas com o compromisso do dia seguinte, se preparavam para mudar de lugar, algo aconteceu.
Ao ouvir uma voz e se virar, um homem vestido de forma simples encarava Bleier. Parecia ter acabado de alcançar a idade adulta. Estava naquele limite entre homem e jovem, sem ainda ter perdido a aparência juvenil.
Ele movia os lábios repetidamente, tentando dizer algo, mas decidiu que agir seria mais rápido do que falar e, de repente, estendeu um bloco de desenho.
— Eu… a vi por acaso enquanto caminhava pela margem do lago… era tão bonita que… quando percebi, minha mão já estava desenhando sozinha…
O homem — ou talvez fosse mais adequado chamá-lo de rapaz — estava com o rosto branco completamente corado e nem conseguia sustentar seu olhar.
— Ora.
Ao ver a situação, as damas cobriram o rosto com os leques, soltando exclamações cheias de curiosidade e inveja.
Bleier o observou desconcertada e, quase sem perceber, pegou o bloco de desenho que ele lhe oferecia.
Devido à brusquidão da situação, não compreendeu imediatamente as palavras do rapaz, mas, ao ver sua própria imagem retratada no bloco, entendeu em linhas gerais o que estava acontecendo.
— Tive medo de que a senhora se sentisse ofendida… É um presente para a senhora. Peço desculpas por tê-la desenhado sem permissão!
O jovem se desculpava curvando a cabeça repetidamente. Bleier alternou o olhar entre o rapaz e a própria imagem no desenho.
Era um esboço rápido, mas, talvez por ele se especializar em arte, capturara as características da pessoa naquele curto espaço de tempo. Era um resultado impossível de alcançar sem afeição pelo sujeito.
Sentindo a admiração dirigida a ela naquele desenho, Bleier sorriu e aceitou a obra.
— Obrigada por me desenhar de uma forma tão maravilhosa. Graças a você, lembrarei deste dia através de uma imagem.
Diante do sorriso radiante de Bleier, o jovem que a observava ficou atônito. Só depois de alguns instantes reagiu e abaixou a cabeça.
— Eu… eu é que agradeço por aceitar com tanta generosidade, senhora.
Bleier chamou Melli, que estava por perto.
— Melli, dê algumas moedas de ouro a este jovem.
Ao perceber que ela tentava pagar pelo desenho, o rapaz se alarmou e agitou as mãos negativamente.
— Eu não o desenhei para vender! É uma demonstração de gratidão por a senhora ter se tornado minha musa, então, por favor, aceite.
— Mas eu preciso ao menos pagar o custo do papel—
No instante em que Bleier tentava tranquilizar o jovem dizendo que estava tudo bem, uma voz familiar e grave soou ao seu lado.
— Apenas aceite.
Surpresa pela aparição do dono de uma voz que não deveria estar ali, Bleier ergueu o olhar.
Ali estava seu marido.
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