Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 97. Hora de enfrentar o passado
Mikhail afirmou que existia uma forma de distrair a atenção de Herdin, ainda que fosse por um instante.
O carruagem do templo entrou na mansão. Quem desceu foi Miela.
— Onde está o paciente?
— Por aqui.
O mordomo que a aguardava a conduziu até o jardim dos fundos.
Lá, um chá entre damas da nobreza estava em pleno andamento, e mesmo à distância era possível ouvir risadas elegantes. Não parecia, nem de longe, o ambiente de alguém doente.
Quando Miela se aproximou, uma das damas, ao notá-la, franziu o cenho e fez um gesto impaciente com a mão.
Era a dona da casa, a condessa Ronen.
— Nossa, pensei que teria um ataque de nervos de tanto esperar.
Miela se aproximou com passos firmes e sorriu gentilmente.
— Olá, milady. O que está sentindo?
— Acabei derramando chá e me queimei. Achei que meus pés iam pegar fogo de tanto esperar.
A criada que segurava o pé da mulher com uma toalha úmida se afastou, revelando uma vermelhidão no peito do pé. Não parecia grave.
— Sua pele delicada ficou vermelha. Deve ter doído bastante. Vou cuidar disso imediatamente.
— Ah, mas fiquei decepcionada. Sabe quanto nossa família doa para o templo? É triste ser tratada como alguém sem importância.
Embora os nobres não pudessem tratar o Papa — o mensageiro de Deus — com descaso, muitos desprezavam sacerdotes por serem plebeus.
A condessa Ronen claramente só estava arranjando desculpas por ter sido feita esperar.
Mesmo assim, Miela manteve um sorriso impecável.
— Sei muito bem o quanto a senhora contribui com o templo. Inclusive, estas roupas que estou usando foram feitas com tecidos doados pela senhora. Sou sempre muito grata. Peço desculpas pelo atraso.
As damas reagiram imediatamente.
— Sério? Ouvi dizer que esses tecidos são caríssimos!
— Então foi a família da condessa? Impressionante.
Com os elogios, o humor da condessa mudou completamente.
— Cof… é natural ajudar quem serve a vontade divina.
Na verdade, aquilo era uma mentira improvisada por Miela.
Mas, criada dentro do templo, ela sabia exatamente como lidar com nobres.
Quando o ambiente se acalmou e Miela começou o tratamento, o assunto mudou.
— A propósito, amanhã é o julgamento.
— Qual julgamento?
— O incêndio no palácio da imperatriz, de dez anos atrás. O duque Delmark pediu revisão.
— Ah, é mesmo.
— Então aqueles rumores eram verdadeiros? De que a duquesa investigava o caso e por isso foi sequestrada?
— Faz sentido… por isso ela não aparece em público.
— Mas o que vai acontecer com ela depois?
— Talvez rompa com a família imperial?
— Não sei… se a antiga imperatriz for inocente, ela pode virar inimiga da casa do duque. Os vassalos aceitariam isso?
Todas concordaram em silêncio.
Então uma delas comentou:
— Espera… então aquilo é verdade?
— Eu vi itens sendo levados para a casa do duque. Era um elixir… o mesmo que usei quando engravidei.
— Elixir? Então ela está doente?
— Acho que não. Provavelmente está grávida.
A mão de Miela parou imediatamente.
“Grávida?”
Se fosse verdade, Herdin ficaria preso a Bleier.
Seu coração apertou.
— Faz sentido… então ela tinha uma carta na manga.
— Isso se o filho for mesmo do duque.
O clima esfriou instantaneamente.
A dama tentou rir para disfarçar:
— Ah, é que em novelas… às vezes fingem gravidez…
— Pode ser…
O silêncio caiu.
E então, a voz baixa de Miela ecoou.
Todas olharam para ela.
— Sacerdotisa, você sabe de algo?
— Ah… não é nada. Já terminei o tratamento.
Ela tentou sair, mas a condessa segurou sua mão.
— Fique um pouco mais. Vamos conversar.
Era exatamente o que Miela queria.
Um leve sorriso surgiu em seus lábios.
— Na verdade… há alguns meses…
— Senhora… tem certeza de que ficará bem?
No dia do julgamento, Rina estava extremamente preocupada.
— Não se preocupe tanto. Eu não sou tão fraca assim.
— Vou voltar depois de resolver tudo.
Bleier segurou a mão dela para acalmá-la e entrou na carruagem com Herdin.
Pouco depois, partiram.
Herdin observava Bleier em silêncio.
Como sempre, ela olhava pela janela… com as mãos protegendo o ventre.
Um hábito recente.
Ele falou:
— Se se sentir mal, pode voltar antes.
— Não era você que queria que eu testemunhasse?
Ele hesitou.
— …Naquele momento não havia uma criança.
— Não se preocupe. Eu vim por minha própria vontade. Pela imperatriz.
Não por você.
Essas palavras, embora calmas, doeram.
Mas Herdin sorriu.
Porque, no fim, até aquele ódio ainda era dele.
E isso bastava… por enquanto.
Logo, a carruagem parou.
Eles entraram no palácio imperial.
Muitos nobres já estavam presentes.
Alguns cumprimentaram.
Outros desviaram.
Já mostravam seus lados antes mesmo do julgamento começar.
— Sua Majestade, o Imperador!
Ivan entrou, acompanhado de Katarina.
Ela, mesmo sendo o centro do caso, ainda mantinha seu status.
Sentou-se de frente para Bleier.
Claramente intencional.
“Quer usar a culpa dela…”
Mas Bleier não desviou o olhar.
Permaneceu calma.
Com as mãos protegendo o ventre.
Quando todos se sentaram, Ivan falou:
— Hoje iniciaremos a revisão do caso do incêndio do palácio da imperatriz, ocorrido há dez anos.
O tribunal mergulhou em silêncio.
— Que a verdade seja revelada… sem mentiras nem injustiças.
O julgamento começou.
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