Eu Só Preciso do Filho do Duque Extra 2. O plano do irmãozinho de Asiel (4)
Alguns dias depois, Asiel deu uma notícia que deixou os dois surpresos.
—Você disse que vai ficar alguns dias na casa do conde Arbon?
Bleier perguntou novamente, com os olhos arregalados de surpresa, enquanto Herdin interrompia bruscamente o movimento com a taça de vinho na mão.
E não era para menos, já que Asiel nunca antes havia se afastado do colo dos pais.
—Sim. Combinamos de brincar na vila do campo.
—E os pais deles permitiram?
Como se estivesse esperando por aquele momento, Asiel estendeu ao pai a breve carta enviada pelo conde Arbon. Era um convite formal que Jemie e Senika haviam conseguido após muita insistência com o pai.
Herdin alternou o olhar entre o convite do conde Arbon e os olhos cheios de expectativa do filho, e finalmente permitiu que o menino passasse sua primeira noite fora de casa.
—Nessa idade, é natural que seja mais divertido brincar com os amigos.
No entanto, Bleier ainda parecia não estar convencida, mesmo depois de ler o convite do conde.
—Hmm, ainda assim, fico preocupada que possamos causar incômodo. Também me preocupa um pouco mandar Asiel sozinho…
—Se for assim, não poderíamos convidar essas crianças para nossa casa na próxima vez?
Para evitar que seu grande plano desaparecesse, Asiel se apressou em apoiar as palavras de Herdin.
—É verdade. Da próxima vez eu os trarei para casa. Além disso, não vou aprontar e vou brincar tranquilamente.
O menino olhou para a mãe com olhos suplicantes.
Como seu pai era alguém que cedia diante de qualquer palavra de sua mãe, o verdadeiro poder de decisão estava com ela.
Após refletir por um momento, Bleier não teve escolha senão ceder à insistência do filho.
—Está bem. Em troca, você deve prometer que jamais vai brincar com algo perigoso. Entendido?
Ao finalmente obter o consentimento de ambos os pais, um sorriso triunfante surgiu nos lábios de Asiel.
Assim, na manhã seguinte, Asiel terminou todos os preparativos e ficou diante da carruagem que o levaria à casa do conde Arbon.
—Então, estou indo. Mamãe, papai.
Diferente do entusiasmado Asiel, os olhos de Bleier refletiam uma preocupação impossível de esconder. Ela se sentia, literalmente, como se estivesse deixando uma criança à beira de um rio.
O primeiro a falar foi Herdin.
—Senika é uma menina, então não deve tratá-la com rudeza. Ela é diferente de Jemie.
Diante das palavras notavelmente severas de Herdin, Asiel inclinou a cabeça. Achou estranho que o pai mencionasse Senika de repente, mas assentiu por enquanto.
Então, Bleier, que ouvia ao lado, acrescentou:
—Isso mesmo, Senika é uma dama, então trate-a com cuidado. Você deve pedir permissão até para segurar a mão dela. É isso que faz um cavalheiro.
“Às vezes parece até que ela tem mais força que Jemie…”
Mesmo assim, Asiel também assentiu diante das palavras de Bleier. Afinal, Senika era uma menina, e o certo era tratá-la com delicadeza.
“Se eu cometesse o erro de beijá-la, um bebê poderia nascer.”
Ele havia ouvido que um bebê não deveria nascer antes do casamento.
Bleier se abaixou para ficar na altura dos olhos do menino e não parou de lhe dar advertências.
Que não brincasse com água porque o clima ainda estava frio, que se vestisse bem porque esfriava à noite, que mesmo sendo divertido brincar com amigos, fazer barulho até tarde era incômodo e ele deveria dormir cedo… e assim por diante.
Apesar de serem advertências que sempre ouvia, Asiel escutou com atenção as palavras carregadas de afeto de sua mãe.
—Não se preocupe, mamãe.
Bleier sorriu com amargura ao ver o filho responder com energia. Ao ver a criança que crescera tão rápido que já podia sair de casa sozinho — mesmo que fossem apenas dez dias —, seus sentimentos eram complexos e contraditórios.
Mas agora era realmente o momento de deixá-lo ir.
Ela apertou Asiel em seus braços.
—O que vou fazer enquanto isso? Vou sentir tanta falta do meu bebê.
Asiel, que estava completamente empolgado para brincar com os amigos e com a ideia de que poderia ter um irmãozinho ao voltar, sentiu-se comovido diante da ternura da mãe.
—Jovem mestre, os preparativos terminaram.
Naquele momento, a babá, que já havia colocado toda a bagagem na carruagem, trouxe a notícia. Recuperando a compostura, Asiel abraçou Bleier e sussurrou:
—Eu também vou sentir muita falta da mamãe.
Depois, ao ver o pai parado ao lado, acrescentou tardiamente:
—E do papai também, claro.
—Eu ficaria triste se você me esquecesse.
Herdin sorriu e acariciou levemente a cabeça do menino, enquanto Bleier beijou sua bochecha. Asiel retribuiu o beijo da mãe duas vezes antes de subir na carruagem.
Sentado junto à janela, Asiel acenou para os pais. Eles também retribuíram o gesto. A essa altura, os olhos de Bleier já estavam avermelhados enquanto observava o filho.
Finalmente, a carruagem partiu.
Assim que deixou de ver os pais pela janela, a expressão de Asiel rapidamente se tornou melancólica.
A babá, percebendo isso, perguntou fingindo não notar seus sentimentos.
—O que houve, jovem mestre?
—… Já estou com saudade da mamãe.
—Quer que façamos a carruagem voltar?
Asiel hesitou por um momento, mas logo se lembrou do propósito de sair de casa e balançou a cabeça.
—Não. Já tenho oito anos, então consigo aguentar.
Desde que eu ganhe um irmãozinho!
Naquela manhã, Bleier, que havia retornado ao quarto após se despedir de Asiel, acabou desabando em lágrimas.
“Sinto que meu bebê cresceu rápido demais…”
Uma emoção estranha, uma mistura de orgulho pelo crescimento do filho e tristeza, a invadiu.
Herdin sorriu ao ver a esposa, que costumava se mostrar particularmente frágil em assuntos relacionados ao filho, mas depois a abraçou, sentindo pena ao vê-la chorar.
“Ele cresceu bem. Graças a você.”
Embora tenha conseguido consolar Bleier, suas lágrimas eram apenas o começo. Porque o menino continuaria crescendo cada vez mais rápido.
E sempre que isso acontecesse, ela sentiria o mesmo que hoje, e ele sempre estaria ao lado dela para protegê-la.
Para sempre.
Depois de soluçar por bastante tempo, quando finalmente parou de chorar, Bleier sentiu vergonha por ter chorado por algo que talvez nem fosse tão grave.
Bleier empurrou o marido, que dizia que cancelaria os compromissos da tarde para ficar com ela, e foi sozinha ao quarto de Asiel.
O quarto onde o menino estivera até aquela manhã ainda estava bagunçado, pois parecia que as criadas ainda não o haviam arrumado. Normalmente, Asiel era organizado, mas parecia que aquilo se devia ao fato de ter feito as malas até o último instante.
Ao ver os rastros de como ele havia guardado os brinquedos às pressas, soltou uma risadinha ao imaginar o que o menino fizera antes de partir.
Enquanto observava o quarto, Bleier se aproximou da cama e sentou-se na beirada. Era o lugar onde sempre se sentava quando colocava o menino para dormir.
“Será que já chegaram à vila?”
Enquanto acariciava o travesseiro que ainda guardava o aroma da criança com um leve sorriso, sentiu algo duro debaixo dele.
Bleier puxou o objeto. Debaixo do travesseiro apareceu um livro infantil intitulado “Como nascem os irmãos?”.
Ao descobrir aquilo, as pupilas de Bleier tremeram levemente.
Parecia que seu filho havia partido para realizar uma missão de conquista romântica.
Essa foi a conclusão a que Herdin chegou.
Por isso, ajudou Asiel a ir brincar na casa do conde Arbon. A partir dali, era a vez de Asiel.
E graças ao fato de Asiel ter deixado a casa vazia, ele também teve tempo, depois de muito tempo, de ter Bleier só para si.
Como a estadia noturna de Asiel foi decidida às pressas, ele não pôde esvaziar sua agenda de trabalho com antecedência, mas não tinha intenção de desperdiçar o precioso tempo que o filho lhe havia proporcionado.
Assim, após concluir rapidamente os compromissos que tinha, junto com o jantar, o que o recebeu ao voltar foi…
Sua esposa, dormindo em um horário mais cedo do que o habitual. E, além disso, usando uma camisola que revelava sutilmente as curvas de seu corpo.
Herdin soltou uma risada incrédula diante daquela visão.
Aquilo não era nada menos que tortura.
Vestida como se estivesse pedindo para ser devorada, e dormindo com o rosto mais inocente do mundo.
—Acho que a princesa adormecida precisa ser despertada com um beijo…
Sentado na beirada da cama, Herdin murmurou isso enquanto pousava os lábios sobre os de sua esposa, que se encontrava em total vulnerabilidade. E no momento em que passou entre seus dentes…
Junto com um leve gemido, o aroma amargo do vinho o invadiu. Só então percebeu a garrafa de vinho sobre a mesa.
No dia em que finalmente tinham tempo a sós, dormir daquele jeito, com álcool e uma camisola provocante. Não havia dúvida de que ela estava decidida a enlouquecê-lo.
Ele a despertou beijando-a suavemente nos lábios.
—Acorde, princesa bêbada.
Enquanto seus lábios sussurravam em voz baixa e desciam por sua bochecha e mandíbula até tocar sua nuca branca.
Finalmente, a princesa adormecida abriu os olhos.
Bleier arregalou os olhos, surpresa com a situação diante dela. Sem perceber, seu marido havia voltado e a mantinha presa, usando o corpo robusto como uma prisão.
Só então percebeu. Havia adormecido involuntariamente. Seu plano estava completamente arruinado.
Ou melhor, no começo ela não tinha a menor intenção de dormir.
Bleier, ao descobrir que o verdadeiro propósito de Asiel ao querer ir para a casa do conde Arbon era por causa de um irmãozinho, traçou um plano.
“Hoje vou tentar seduzir Herdin.”
Como até então havia tentado persuadi-lo por meio de conversas e fracassado, pensou em usar um método diferente desta vez.
Por isso, vestiu uma camisola que normalmente não usava, preparou vinho e deixou de tomar o comprimido anticoncepcional que costumava ingerir por hábito. Pensou que seria difícil seduzi-lo estando totalmente sóbria, então bebeu uma taça de vinho primeiro.
No entanto, depois de beber, o arrependimento veio tarde demais.
No início, havia planejado a estratégia de chantageá-lo com o próprio corpo. Mas, enquanto o esperava e refletia, mudou de ideia.
“É o filho meu e dele, nosso filho.”
Ela não deveria chantageá-lo unilateralmente. Esse não era o método correto entre marido e mulher.
“Vamos tentar persuadir Herdin seriamente mais uma vez.”
Quando chegou a essa conclusão, a embriaguez já estava no auge.
No fim, Bleier, ignorando o fato de que seu costume ao beber era adormecer, caiu em um sono profundo.
—Se você me enlouqueceu, precisa assumir a responsabilidade.
Diferente de sua determinação antes de dormir, ela se viu enfrentando uma situação em que estava prestes a ser devorada por ele.
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