Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 111: A Roda do Destino
—Tchau, professora!
—Até a próxima semana, Herieot.
Depois de se despedir da última criança, a escola mergulhou no silêncio.
Quando o vazio repentino daquele lugar, que até pouco antes estava tão barulhento, começou a parecer solitário, Bleier sentiu um pequeno movimento em seu ventre.
Ela soltou uma risadinha e acariciou a barriga.
“É verdade… eu não estou mais sozinha.”
Poucos dias após o incidente da tentativa de sequestro, preocupada que o forte impacto pudesse ter causado algum problema ao bebê, ela chamou imediatamente um médico; felizmente, a criança estava bem.
Bleier chegou até a sentir certa gratidão por Herdin, atribuindo a segurança do bebê à constituição física forte do pai.
Desde aquele dia, os movimentos do bebê se tornaram mais frequentes.
Provavelmente porque, à medida que a criança crescia, seus movimentos ficavam mais claros e fáceis de perceber, mas Bleier gostava de pensar que aquilo era uma forma de aliviar sua preocupação, então lhe parecia algo admirável e comovente.
Acariciando suavemente o ventre em resposta ao bebê, Bleier respirou fundo, levantou-se e começou a organizar a sala de aula.
Naquele momento, após bater à porta, um homem corpulento entrou.
Depois de inclinar levemente a cabeça em sinal de respeito, começou silenciosamente a ajudá-la a arrumar o local.
Era o guarda-costas que Mikhail havia designado para protegê-la após a tentativa de sequestro.
Eles ainda não haviam conseguido capturar o criminoso.
Mikhail queria que Bleier partisse imediatamente, mas decidiram que ela permaneceria ali até descobrirem a identidade do culpado. Ao contrário das preocupações dele, talvez tivesse sido apenas um ladrão comum; além disso, circulavam rumores de que criminosos haviam aparecido recentemente na vila.
Para Bleier, que já havia se afeiçoado à cidade durante o mês em que vivera ali, isso foi um alívio.
—Parece que já terminamos de arrumar. Pode ir descansar.
Justo quando Bleier se preparava para sair da sala junto com o homem, passos apressados se aproximaram do lado de fora.
De repente, a porta se abriu com força, e uma criança entrou correndo.
Era o pequeno para quem Bleier havia arrumado o cabelo alguns dias antes.
A criança, que vinha entrando decidida, hesitou ao ver o homem ao lado dela.
Bleier explicou com um sorriso:
—Está tudo bem. É amigo de um amigo. Só veio me ajudar um pouco.
—Mas por que voltou?
—Porque eu esqueci que tinha prometido ler suas cartas!
Só então Bleier se lembrou de que a criança havia prometido fazer uma leitura de cartas para ela alguns dias antes.
Quando lançou um olhar ao guarda-costas, ele assentiu discretamente, indicando que não havia problema, e recuou alguns passos.
Bleier sentou-se em frente à criança.
Com habilidade surpreendente, o pequeno embaralhou as cartas e perguntou:
—Professora, tem alguma coisa que queira perguntar às cartas?
—O que dá para perguntar?
—Hum… sorte no dinheiro ou no amor. Ou podemos ver sua sorte geral.
A postura era tão profissional que Bleier soltou uma risada.
—Leia o que quiser.
—Então vamos ver sua sorte geral. É o mais comum.
A criança espalhou as cartas embaralhadas diante dela com um movimento fluido.
—Agora pense no seu destino e escolha uma carta com cuidado.
Bleier observou as cartas diante de si com certa tensão.
Embora tivesse aceitado aquilo apenas para corresponder à gentileza da criança, sem perceber estava levando a leitura a sério.
—Escolho esta.
Após refletir, Bleier puxou uma carta.
A criança virou a carta com uma expressão muito séria.
Era uma carta com o desenho de um relógio ou uma roda.
Ao vê-la, os olhos da criança se estreitaram.
Observando aquela reação, Bleier perguntou cautelosamente:
—É uma carta ruim?
—Hm… pode ser que sim, ou pode ser que não.
—O que isso significa?
—Esta carta se chama Roda da Fortuna. Significa mudança, um ponto de virada e um novo começo.
—Essa mudança pode ser boa… ou ruim.
—Então, se for algo ruim… não há como mudar esse destino?
—Não dá para evitar o destino que está chegando, mas dá para mudá-lo! Isso depende da senhora, professora.
—Mesmo assim, não se preocupe demais.
A criança acrescentou com um sorriso tranquilizador:
—Tenho certeza de que a senhora tem força para mudar esse destino.
Foi um encorajamento surpreendentemente profissional.
Outubro, o mês do festival da colheita, era a época mais movimentada do ano para o povo de Nereha.
O senhor feudal que governava Nereha e os criados de sua mansão não eram exceção. Especialmente naquele ano, estavam mais ocupados do que nunca.
Tudo por causa de um convidado ilustre que decidira visitá-los justamente naquele período.
—Vamos, vamos! Limpem tudo até não sobrar nem um grão de poeira!
Depois de concluir os preparativos para receber o visitante e sair de seus aposentos, o senhor feudal de Nereha, Reimondeu, dava ordens às criadas que limpavam o corredor.
Quinze dias antes, o entorno do Duque Delmark havia respondido ao convite de Reimondeu dizendo que, por ser época do festival da colheita, desejavam fazer uma visita discreta para não estragar o clima festivo.
Seguindo esse desejo, Reimondeu havia acabado de concluir todos os preparativos para receber Herdin sem que os habitantes do feudo soubessem.
Ele caminhou pelo corredor até parar diante de uma porta.
—Beti, posso entrar?
Seu tom era completamente diferente daquele usado ao dar ordens às empregadas.
Pouco depois, uma criada abriu a porta.
Ao entrar, viu sua filha, Beateuriseu, que acabara de terminar de se arrumar.
—Oh, minha filha! Hoje você está especialmente linda!
Reimondeu ficou satisfeito ao ver a aparência impecável da filha.
Afinal, o presente que ofereceria ao distinto visitante naquele dia era justamente ela — a filha que criara com tanto cuidado.
“Dizem que a duquesa teve um caso com outro homem e fugiu durante a noite.”
Independentemente de Herdin amar ou não sua esposa, sua dor devia ser grande. E, em momentos assim, se alguém se infiltrasse naquela solidão, conquistar seu coração seria fácil.
Se o alvo era o Duque Delmark — herói de guerra, possuidor de riquezas superiores às da família imperial de Ardel e dono de um poder militar imenso…
Se Beateuriseu conseguisse agradá-lo e ocupar o vazio deixado pela duquesa, isso significaria influência não apenas sobre Ribren, o território vizinho, mas sobre todo o norte do império.
Mas Beateuriseu não gostava daquele plano.
—Pai. Eu realmente preciso conquistar aquele homem?
—Mesmo que ele seja um duque imperial, não continua sendo um homem casado?
—Ele vai se divorciar em breve, então tecnicamente ficará solteiro de novo.
—E daí se ele se divorciar? Isso significa que eu seria a segunda esposa.
Beateuriseu resmungou.
Pensar que seu pai, que parecia amá-la mais do que qualquer coisa, havia escolhido para ela a posição de segunda esposa…
E pior: de um homem cuja esposa fugira com outro.
Ela se sentia profundamente decepcionada com a decisão do pai de empurrá-la para aquilo por interesse próprio.
Reimondeu tentou acalmá-la com doçura:
—Mesmo assim, dizem que o duque é extraordinariamente bonito. Cem entre cem pessoas que o viram dizem isso, então não deve ser só rumor.
Beateuriseu não respondeu, mas também não parecia convencida.
Ela ouvira muitas vezes os rumores sobre a beleza do Duque Delmark.
Mas não acreditava neles.
“Se ele é um herói de guerra… talvez esses rumores sejam só bajulação por medo.”
Se fosse realmente tão bonito quanto diziam, então por que a duquesa teria se apaixonado por outro homem e fugido?
Enquanto Beateuriseu questionava esses rumores, o mordomo entrou apressado.
—Senhor feudal, senhorita! O Duque Delmark chegou.
Ao ouvir isso, Reimondeu e Beateuriseu desceram rapidamente até a entrada para recebê-lo.
Pouco depois, a carruagem que atravessara os portões principais da mansão parou diante da entrada, e a pessoa aguardada desceu.
No instante em que viu aquele rosto, uma centelha de interesse surgiu nos olhos de Beateuriseu, que até então mal conseguia esconder sua indiferença.
O homem que caminhou até parar diante dela era mais imponente do que qualquer outro que já conhecera.
Não…
Era belo.
Era um homem para quem aquela palavra parecia ter sido criada.
Ela imediatamente corrigiu seus pensamentos anteriores.
“A esposa do Duque Delmark deve ser cega. Como pôde fugir com outro homem deixando alguém assim para trás?”
O rumor que antes lhe parecia desagradável agora parecia uma bênção.
Enquanto admirava distraidamente o rosto de Herdin, Beateuriseu voltou a si ao ouvir a saudação de Reimondeu.
—Foi uma longa viagem. Deve estar cansado, Sua Excelência. Sou Reimondeu, senhor feudal de Nereha. É uma honra recebê-lo.
—Prazer em conhecê-lo, senhor feudal.
—Ah, esta é minha filha.
Beateuriseu seguiu o exemplo do pai e fez uma reverência.
—Agradeço por nos conceder a honra de sua visita. Meu nome é Beateuriseu.
Herdin olhou para ela com olhos indiferentes, assentiu brevemente e desviou o olhar.
Mas Beateuriseu não conseguia tirar os olhos dele.
—Deve estar cansado da viagem. Primeiro, permitirei que descanse onde ficará hospedado.
Reimondeu conduziu Herdin até o anexo.
Originalmente, essa tarefa caberia ao mordomo, mas o fato de o próprio senhor feudal fazê-lo demonstrava o máximo respeito.
Ao entrar, via-se uma grande janela panorâmica revelando a paisagem de uma bela vila costeira e o mar azul.
Era um local adequado para hospedar um convidado ilustre.
—Agradeço sua hospitalidade.
Herdin sentou-se junto à janela com vista para o mar, tirou um cigarro e o acendeu.
No entanto, Reimondeu não foi embora.
—Ainda há algo?
Então Reimondeu rapidamente apresentou Beateuriseu, que o havia seguido.
—Durante sua estadia, minha filha poderá lhe apresentar Nereha. Como nasceu e cresceu aqui, acredito que será tão útil quanto qualquer assistente.
Ah… então era isso.
Herdin soltou uma risada fria diante das intenções de Reimondeu, que, por mais disfarçadas que fossem, eram óbvias demais.
—Eu não vim até aqui para comprar sua filha.
Suas palavras tratavam Beateuriseu como um objeto.
Ao mesmo tempo, expunham claramente a intenção de Reimondeu de exibir a própria filha como mercadoria.
Diante daquela resposta direta e humilhante, os rostos de Beateuriseu e Reimondeu coraram instantaneamente.
—C-comprar minha filha?! Está enganado! Eu só pensei que, enquanto Sua Excelência estivesse aqui, seria agradável ter uma companhia apropriada para conversar, e por isso quis lhe apresentar uma dama nobre de posição equivalente…
Apesar da explicação apressada de Reimondeu, Herdin apenas desviou o olhar para a janela, ignorando-o completamente.
Constrangido, Reimondeu pigarreou.
—E-então, me retiro.
Quase fugindo, ele saiu levando Beateuriseu consigo.
Pouco depois, ouviu-se a porta se fechar, e Herdin ficou sozinho na sala do anexo.
Exalando lentamente a fumaça do cigarro, ele observou em silêncio a vista panorâmica de Nereha.
Seu olhar brilhava intensamente — como o de uma fera procurando sua presa.
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