Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 142. Um passo
Enquanto Miela e os cavaleiros ficavam paralisados diante da sala vazia, Ruth, que havia chegado um passo depois, interveio.
— Eu não avisei vocês? Eu disse a eles que ela não estava lá.
— Onde você escondeu a senhora?
Diante do tom do cavaleiro, que parecia interrogar um criminoso, Ruth respondeu com um sorriso gelado, como se a situação lhe parecesse absurda.
— Cuidado com suas palavras. Escondido? Do que você está falando? Ainda ontem Sua Excelência teve de informar pessoalmente ao seu senhor feudal que em breve se dirigiria a Ripren.
— Não é comum se despedir do senhor feudal antes de partir?
— A senhora não estava se sentindo bem, então partiu primeiro para Ripren. Sua Excelência ainda permanece aqui, precisa informar cada pequeno detalhe?
— Não haveria alguma razão para esconderem a duquesa?
No momento em que Ruth estava prestes a responder, uma voz familiar soou atrás dela.
— Por que você está procurando minha esposa?
Os cavaleiros, que tentaram interrogar Herdin assim que ele apareceu, recuaram ao notar sua condição.
— Excelência, você está muito ferido—
Miela, que tentou se aproximar ao ver as costas da mão dele rasgadas e vários arranhões por todo o corpo, também congelou, sobrecarregada pela aura dele.
Sua aparência, com o rosto coberto de sangue, era assustadora. Além disso, o mana agressivo que ondulava ao seu redor era ameaçador apenas por existir.
Os cavaleiros de Nereha, visivelmente tensos, observaram Herdin e, após engolirem em seco, falaram:
— Recebemos informações de que a duquesa pode estar relacionada ao recente ataque de mortos-vivos e à descoberta do círculo de magia negra. Em prol da relação amigável com Nereha, pedimos sua cooperação.
— Entendo… Eu me pergunto se realmente vale a pena manter uma relação amigável com caras que vêm suspeitar de você desde o início, sem saber de onde ouviram isso.
Herdin perguntou inclinando levemente a cabeça enquanto observava os cavaleiros. Suas palavras tinham forma de pergunta, mas seus olhos frios e cheios de sede de sangue não buscavam resposta.
Ele encerrou a pergunta retórica dos cavaleiros, que não conseguiram responder ou refutar.
— Essa relação amigável acabou de terminar.
Herdin ordenou a Ruth, que estava ao seu lado:
— Ruth. Vá e leve todo o serviço.
Ruth, também tensa naquela atmosfera como caminhar sobre gelo fino, virou-se seguindo as ordens de seu mestre.
Ao ver isso, os cavaleiros deram um passo à frente para detê-la.
— Ele está tentando fugir!
Mas antes que os cavaleiros alcançassem Ruth, um feitiço foi lançado e explodiu a seus pés.
Olhando na direção de onde vinha a magia, os cavaleiros encontraram o olhar de Herdin, que continha seu mana perigosamente.
Seus olhos calmos, sem emoção, os encaravam.
Identificando o próximo alvo.
Um suor frio escorreu pelas costas dos cavaleiros ao perceberem que o ataque anterior não havia falhado, mas sido desviado intencionalmente.
— Se você der apenas mais um passo, eu os considerarei inimigos.
A pressão que ele emanava engoliu toda a atmosfera da sala.
O oponente era o único espadachim mágico do Império e um homem elogiado como herói de guerra. Era alguém contra quem todos ali deveriam estar preparados para morrer, até mesmo atacando juntos.
Os cavaleiros levaram as mãos trêmulas às espadas.
Era o prenúncio de uma guerra.
Bleier conteve um suspiro enquanto observava a paisagem pela janela. A carruagem em que viajava seguia em direção a Ripren.
Assim que Bleier abriu os olhos naquela manhã, Herdin pediu que ela se preparasse para partir.
— Aquela mulher viu seu círculo de magia negra, então não sabemos que calúnias ela inventará usando isso como desculpa. Por isso, parta primeiro.
— Você não vai comigo?
— Tenho assuntos para terminar.
Sentindo um mau pressentimento com a resposta evasiva, Bleier insistiu.
— Que assuntos?
Herdin, tentando evitar responder, pareceu se lembrar de algo ao ver o olhar dela e finalmente confessou.
— … encontrei quem estava por trás da sua morte.
— Isso… é verdade? Quem é essa pessoa?
O olhar de Bleier vacilou, profundamente chocada com a identidade do mandante, alguém de quem ela não suspeitava em absoluto.
Longe de suspeitar, era alguém que ela acreditava ser seu benfeitor por metade da vida.
— O fato de você ter sido alvo era por um rancor contra Delmark.
— Pretendo pôr fim a esse mau destino aqui.
Enquanto dizia isso e colocava as luvas, seu olhar era tão frio quanto um lago de inverno.
Mas, ao mesmo tempo, parecia tão frágil que poderia quebrar a qualquer momento. Pelo menos aos olhos dela.
O coração de Bleier afundou ao olhá-lo.
Ela o ressentia. E ainda o odiava.
No entanto, isso não significava que queria que ele se machucasse ou corresse perigo.
Era um sentimento de humano para humano, deixando de lado o afeto por ele ou a responsabilidade de ser pai de seu filho.
Como se tivesse lido sua preocupação, Herdin acariciou seu cabelo e falou:
— Vou resolver isso rápido e te alcanço, então vá na frente.
Bleier ficou chocada com a menção do menino, que saiu de sua boca pela primeira vez nesta vida.
Ele falou enquanto olhava para a barriga dela.
— Essa criança deve ser protegida.
Como se soubesse o motivo pelo qual ela o escolheu novamente nesta vida.
Herdin olhou alternadamente para Bleier, que o observava preocupada, e para sua barriga, e colocou cuidadosamente a mão sobre o abdômen dela.
Bleier cobriu a mão dele com a sua e pediu:
— Volte sem se machucar.
— Eu ainda não o perdoei.
Então não pense em buscar perdão de forma covarde assim.
Herdin, tendo entendido a intenção oculta de Bleier, assentiu satisfeito.
Depois disso, sua mão se afastou. Essa foi a última imagem que Bleier teve dele.
Ele sabia que, como disse, partir primeiro era a melhor opção tanto para o menino quanto para ele.
No entanto, independentemente do julgamento racional, ela sentia frustração consigo mesma porque, mesmo em uma situação angustiante, isso era o melhor que podia fazer.
Enquanto Bleier brincava ansiosamente com as mãos, a carruagem parou repentinamente.
— Já chegamos à fronteira?
Ainda era cedo demais para a fronteira.
Intrigada, Bleier abriu a janela e olhou para fora, momento em que os cavaleiros gritaram com urgência:
— Senhora, é perigoso, por favor fique dentro!
Atrás deles, feras mágicas surgidas de sabe-se lá onde atacavam os cavaleiros.
O coração de Bleier começou a bater rápido de ansiedade. Instintivamente, ela protegeu a barriga.
“Por que feras mágicas apareceram aqui?”
Normalmente não aparecem perto de assentamentos humanos.
E ainda era outono, época com muitas presas.
Além disso, não era uma única criatura, mas vários tipos de feras mágicas.
Os cavaleiros de Delmark rapidamente identificaram os pontos fracos e eliminaram as criaturas.
“Mas nesse ritmo…”
O número era grande demais.
Embora tivessem vantagem agora, logo seriam superados quando a resistência caísse.
“Não há alguma forma de resolver isso?”
Então Bleier percebeu algo estranho: as criaturas seguiam todas na mesma direção.
Nereha.
— Virem a carruagem para aquela floresta! E vocês, cavaleiros, me sigam!
As feras passaram direto, indo em direção a Nereha.
Só então perceberam que o alvo não eram eles, mas Nereha.
Os cavaleiros suspiraram aliviados e se aproximaram.
— A senhora nos salvou. Está bem?
— Eu também estou a salvo graças a vocês. No entanto…
O alívio durou pouco. O rosto de Bleier escureceu novamente.
Em Nereha, para onde as feras iam, estava Herdin.
Algo estava acontecendo lá.
Nesse momento, o teto da carruagem foi perfurado por um ferrão. Uma fera em forma de escorpião.
A carruagem inclinou.
Bleier protegeu a barriga.
Quando os cavaleiros iam reagir, uma magia sagrada atingiu a criatura.
A fera foi ferida e soltou a carruagem.
Uma sombra avançou e atacou o núcleo da criatura.
Assim que o núcleo foi atingido, a fera morreu.
Todos se perguntaram quem era o aliado.
Apenas Bleier reconheceu e abriu os olhos surpresa.
Mikhail, limpando o sangue da criatura do rosto, se aproximava deles.
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