Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 135. A Ti, Com Quem Me Reencontro
O sol poente, tingido de vermelho-alaranjado, alcançou seus pés.
As pálpebras de Bleier, que perceberam a luz graças a Seumi, tremeram levemente e logo se abriram devagar.
Bleier piscou atordoada e, ao se lembrar do instante imediatamente antes de desmaiar, levou apressadamente a mão ao ventre.
Naquele momento, uma voz familiar chegou aos seus ouvidos.
—A criança está bem.
Só então Bleier soltou um suspiro de alívio e virou-se na direção de onde vinha a voz.
Na penumbra suave, onde a luz do entardecer não conseguia penetrar completamente, seus olhos encontraram íris azuis que a observavam.
Ele usava as mesmas roupas de quando estava na praça.
Erguendo-se lentamente, Bleier perguntou enquanto avaliava seu estado:
—Você está bem?
À primeira vista, parecia que sim.
No entanto, em vez de responder afirmativamente, ele soltou uma risada irônica.
Era uma risada que beirava o choro.
Quando Bleier percebeu que havia algo sutilmente diferente na atmosfera, Herdin finalmente abriu os lábios, que até então permaneciam firmemente fechados.
—Você… nem sequer me odeia?
Bleier piscou, sem compreender a pergunta repentina.
Engolindo as emoções que o inundavam, Herdin acrescentou:
—Você se lembra de tudo. Do que eu fiz com você na vida passada… das feridas que lhe causei.
No instante em que as palavras “vida passada” escaparam de sua boca, as pupilas de Bleier, antes apenas confusas, começaram a tremer desordenadamente.
—Você não deveria ter se casado comigo de novo.
Ao recuperar as memórias do passado, as palavras que ela havia dito antes se sobrepuseram à imagem de sua vida anterior, e tudo fez sentido.
“Prefiro uma relação em que o começo e o fim sejam claros, a uma relação que fale de uma eternidade ilusória. Uma relação em que eu possa recuperar tanto quanto entrego.”
Por que ela havia dito aquilo ao propor um casamento por contrato.
Quem era o homem que ela procurava desesperadamente enquanto dormia.
“Aquele sacerdote de agora é a mulher por quem você vai se apaixonar.”
Com que sentimento ela havia dito aquilo ao se ver diante de Miela.
Só agora.
Depois de tê-la ferido mais uma vez.
Mesmo assim, nesta vida também, a existência da marca gravada em sua clavícula o destruiu de forma mais cruel do que qualquer ataque.
Herdin fechou os olhos, tentando conter as emoções transbordantes sem conseguir terminar a frase.
Mesmo agora, ao fechar os olhos, ele ainda via o pequeno corpo dela, frio e sem vida, em seus braços.
A última imagem que ela carregaria da vida passada.
Abriu os olhos enquanto cerrava os punhos com tanta força como se quisesse esmagá-los.
Um som sufocado escapou de sua garganta, arranhando-a dolorosamente.
—Você deveria… ter me odiado…
Lágrimas pesadas escorreram dos olhos atônitos de Bleier enquanto ela o encarava.
Diante dessas lágrimas, ele sentiu vontade de cair de joelhos.
Herdin segurou apressadamente a mão de Bleier, que apertava os lençóis, e sussurrou:
—Desculpa, Bleier.
Palavras que não conseguiu dizer na vida passada.
—Por feri-la daquela forma… por fazer você se sentir tão sozinha.
—Por amar você, mesmo em todos aqueles momentos…
Ele queria dizer que a amava havia muito tempo.
Que não era apenas consequência dos erros do passado.
Mas percebeu que aquelas palavras estavam erradas assim que Bleier falou.
—Então… eu deveria simplesmente perdoá-lo?
A voz dela, que soava vagamente como uma repreensão, estava vazia.
Naquelas íris violetas não havia apenas rancor ou alegria.
Estavam repletas de emoções confusas.
Mas logo aqueles olhos se distorceram dolorosamente.
—Se você diz que tudo aquilo foi porque me amava… então as feridas que recebi desaparecem? Viram nada?
Depois de voltar ao passado, ela tentou desesperadamente suprimir os sentimentos anteriores.
Já que tudo havia sido apagado, aquelas emoções deveriam ter se tornado insignificantes.
Mas ela nunca esqueceu, nem por um instante, a sensação devastadora do momento em que o amor — aquele que acreditava que a protegeria — foi despedaçado.
Mesmo depois de voltar a amá-lo.
Aquela sensação perfurava sua ferida inesperadamente.
Como uma lâmina escondida no bolso.
Por mais que quisesse esquecer… não conseguia.
Mesmo que o mundo inteiro tivesse esquecido, para ela aquilo havia sido realidade.
Remoendo esse sentimento, amou quem lhe deu aquela lembrança e odiou a si mesma por ainda amar aquele homem.
Viveu carregando um coração cheio de cicatrizes.
E ainda assim…
Era estranho demais pensar que tudo aquilo desapareceria com uma simples frase dizendo que foi por amor.
Estranho demais.
—Eu… não sei.
—Eu ainda odeio você. Dói demais…
Bleier soluçou, olhando para ele com olhos cheios de ressentimento.
Seus ombros frágeis e suas íris violetas úmidas tremiam tristemente.
Somente ao vê-la assim Herdin percebeu o quanto seu julgamento havia sido errado.
Pensou que dizer “eu te amo” bastaria.
Acreditou que, porque ele a amava e ela também o amava, tudo poderia ser resolvido assim.
Foi uma arrogância tola e estúpida.
Enquanto no peito dela ainda permaneciam feridas sangrando.
Herdin mordeu o lábio e apertou desesperadamente a mão dela.
Enterrou o rosto naquela mão pequena e sussurrou como se estivesse soluçando:
—Desculpa… eu… eu errei em tudo, Bleier.
As duas mãos dele, envolvendo uma mão infinitamente mais frágil que a sua, tremiam.
Como se ela fosse desaparecer caso ele a soltasse.
—Não me perdoe.
Bleier não rejeitou nem afastou a mão.
Apenas continuou chorando.
De uma forma tão dolorosa.
Tão profundamente triste.
Diante daquele choro, ele sentiu como se seu mundo inteiro estivesse desmoronando.
Herdin então estendeu os braços hesitantes e a puxou para seu peito.
O som do choro dela, ecoando em seu ouvido, arranhava seu coração.
Ele acariciou desesperadamente as costas da soluçante Bleier e falou, como se arrancasse as palavras de si mesmo:
Ele não sabia como parar suas lágrimas.
Também não sabia como fazê-la sorrir.
Ela simplesmente não chorava porque estava ao lado dele.
E sorria porque estava ao lado dele.
Mas se agora… nem ao lado dele ela conseguia sorrir…
Então o que ele deveria fazer?
O que diabos deveria fazer…?
De repente, ao perceber algo, um suspiro doloroso escapou entre seus dentes.
Ele queria levá-la ao mar.
Como naquela promessa de antes.
Mas a promessa nunca foi cumprida.
E Bleier foi ao mar sozinha.
Agora ele precisava aceitar.
Que ela já não precisava mais de um cavaleiro para levá-la ao mar.
Esse fato esmagava seu peito, mas Herdin prometeu a Bleier, com a sensação de arrancar o próprio coração:
—Quando eu encontrar o culpado… faça o que quiser comigo. Seja o que for.
Então… que mais nada volte a machucá-la.
Agora, isso era tudo o que ele desejava.
Ao chegar ao escritório, a primeira coisa que Herdin fez foi acender um cigarro e colocá-lo entre os lábios, antes de tirar documentos da gaveta.
Eram os documentos de Esmeralda que um homem desconhecido lhe entregara na noite em que Bleier fugiu da residência do duque Delmark.
Na época, ele os deixara de lado para perseguir Bleier imediatamente, mas os trouxera consigo para Nerha.
Herdin abriu a última página dos documentos.
A última página continuava desaparecida, como se alguém a tivesse arrancado.
Exatamente como estava quando a recebeu.
Naquela página ausente deveria estar a identidade do culpado que arquitetou tudo isso.
Ou ao menos uma pista.
Enquanto rastreava o paradeiro de Bleier, ordenou a seus subordinados que procurassem a página desaparecida, mas ainda não havia notícias.
Era hora de iniciar oficialmente a busca pelo verdadeiro culpado.
“O método para disfarçar a morte daqueles dois como acidente… e o método para matar Bleier e me fazer perder o controle… são exatamente os mesmos.”
A essa altura, seria estranho se os culpados dos dois incidentes não fossem a mesma pessoa.
Na vida passada, como não encontrou os documentos deixados por Esmeralda, nunca imaginou que a morte de seus pais tivesse sido um assassinato premeditado.
Por isso, naturalmente, também nunca suspeitou que quem estava por trás da magia negra lançada sobre ele e Bleier fosse o mesmo responsável pela morte de seus pais.
“O ponto em comum entre as vítimas… é que todos eram senhores de Delmark.”
Isso significava que o culpado estava mirando Delmark.
Se ele se divorciasse de Bleier, ela deixaria de ser Delmark.
Mas o problema era a marca.
Enquanto a marca existisse, ela continuaria sendo usada como instrumento para matá-lo.
“Preciso encontrar quem está por trás disso, eliminá-lo e quebrar a marca.”
Herdin soltou a fumaça enquanto encarava a página arrancada como se estivesse olhando diretamente para o culpado.
Naquele momento, o som de alguém batendo à porta rompeu o silêncio da noite.
Quem entrou foi Ruth.
—Chamou por mim?
—Envie arqueólogos para a planície de Elir. Pessoas especialistas na língua dos demônios. Diga que cobriremos todos os custos necessários para a exploração.
—Perdão? Para a planície de Elir? Por quê, de repente?
Ruth expressou sua dúvida diante da ordem tão inesperada.
Era exatamente a reação que Herdin esperava.
A descoberta das ruínas antigas na planície de Elir aconteceria cerca de um ano depois.
No presente, Elir não passava de um campo vazio.
No entanto, explicar todas as memórias da vida passada para Ruth seria complicado.
Não havia necessidade.
Herdin respondeu enquanto apagava o cigarro:
—Você saberá em breve.
Ou seja: não pergunte mais.
Ruth permaneceu confuso diante daquela ordem misteriosa, mas em vez de insistir, respondeu:
—… Entendido. Há mais alguma ordem?
Em vez de responder imediatamente, Herdin fitou Ruth em silêncio por um longo instante.
Justo quando Ruth ia perguntar o motivo daquele olhar estranho, Herdin falou primeiro:
—… Desculpe.
Diante do pedido repentino, Ruth piscou, bastante confuso, mas logo sua expressão tornou-se séria.
—Não sei exatamente a qual das várias coisas pelas quais o senhor deveria se sentir culpado comigo está se referindo… mas espero sinceramente que não seja algum problema novo do qual eu ainda não saiba.
Herdin franziu a testa diante daquela resposta absurda.
—Quero dizer para você ir dormir.
Ruth manteve uma expressão insatisfeita, mas saiu sem fazer mais perguntas inconvenientes.
Enquanto observava a porta se fechar, Herdin levantou-se.
Saiu do escritório.
Seus passos, que inconscientemente se dirigiam ao quarto…
Pararam.
No quarto, Bleier dormia.
Ela… que não conseguiu acender a lareira.
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