Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 93. Você sabe que é realmente horrível?
Bleier abriu os olhos com dificuldade e piscou lentamente. À medida que sua visão embaçada se clareava, as lembranças de antes de perder a consciência voltaram aos poucos.
No banquete do Festival da Fundação, ela havia ouvido por acaso uma conversa entre Herdin e Ruth. Depois, ao voltar para a mansão ducal, discutiu com Herdin. Em seguida, virou as costas para sair do quarto, rejeitando-o… e depois disso—
Ao relembrar, o coração de Bleier disparou. Suas mãos trêmulas envolveram instintivamente o baixo ventre.
Nos primeiros estágios da gravidez, ela não podia se esforçar. Por mais irritada que estivesse, deveria ter aguentado pensando no bebê…
Tudo, desde que voltou ao passado, era por aquela criança. Se algo acontecesse com Asiel, sentia que não suportaria.
Enquanto se afundava na ansiedade, uma voz fria soou ao seu lado.
— A criança está segura.
Ao virar a cabeça, viu o rosto de Herdin, que a observava com olhos gelados. Ao encará-lo, as pupilas de Bleier tremeram.
Como havia desmaiado de repente, era óbvio que ele havia chamado o médico.
E, pelas palavras dele… ela já sabia o que havia sido dito.
No fim, ele descobriu.
Bleier se ergueu e recuou. Uma das mãos protegia o ventre, enquanto seus olhos revelavam cautela.
Era a postura de alguém tentando proteger o filho daquele homem.
Ao ver isso, o canto dos lábios de Herdin se torceu.
Parecia ridículo que ela tentasse proteger o bebê dele… do próprio pai.
Então era isso. Essa mulher só pensava em fugir.
No futuro que ela imaginava… ele não existia.
Mesmo depois de tantas noites juntos. Mesmo carregando o filho dele.
Pensar que ela ficaria ao seu lado por causa da gravidez havia sido um erro desde o início.
Esse fato arranhou seu coração.
Herdin inclinou levemente a cabeça.
— Pela sua reação… parece que você já sabia.
— Desde quando estava escondendo isso?
— Quero dizer… desde quando teve a adorável ideia de se divorciar de mim carregando meu filho?
Mesmo tremendo, ele só reforçava a ideia de posse.
Herdin falou com indiferença, olhando para o ventre escondido sob o cobertor.
— E também é meu filho.
— E é meu também!
Bleier rebateu, indignada.
Era o filho que ele havia ignorado. O bebê que cresceu sem o carinho de um pai.
Só ela o amou. Em duas vidas, ele foi tudo para ela.
Não importava o que dissessem… Asiel era seu filho.
— Então você o fez sozinha?
Antes que a mentira saísse, Herdin segurou seu rosto e a forçou a encará-lo.
Seus olhos azuis estavam mais frios do que nunca.
— Se vai mentir… faça direito.
— Depois de passar dias e noites comigo, quer dizer que isso é filho de outro?
Bleier parou.
Ele sabia que ela tomava remédios regularmente.
Mas sua reação não era de surpresa…
Era como se ele já esperasse isso.
Nesse instante, ela lembrou.
As palavras dele sobre precisar dela na negociação.
E uma suposição terrível surgiu.
— Não me diga que… você já sabia? Que eu ficaria grávida?
A voz dela tremia.
Ela rezava para estar errada.
Mas a resposta veio.
— Sim. Porque eu estava esperando.
Bleier ficou sem palavras.
Para ela… aquela gravidez era um desejo profundo.
Na vida passada, por amor.
Nesta vida… para reencontrar seu filho.
Mas para ele… era apenas um meio.
Sua vontade nunca importou.
“Então, no fim… nas duas vidas… você só me usa.”
O fato de ele não hesitar em destruí-la fez seu corpo tremer de repulsa.
Era tão absurdo que ela riu.
Ou talvez… fosse um choro.
— …Você sabe que é realmente horrível?
Naquele momento, ele parecia um estranho.
Como alguém totalmente diferente do homem que um dia esteve ao seu lado.
Essa diferença a sufocou.
E a náusea veio.
Bleier levou a mão à boca.
Mesmo sem ter o que vomitar, as ânsias não paravam.
Quando Herdin tentou tocá-la, ela o afastou com força.
— Não me toque!
Virou-se de costas, tremendo.
Só depois de um tempo conseguiu se acalmar.
Queria se jogar na cama…
Mas odiava estar no mesmo lugar que ele.
Odiava até o fato de querer se apoiar nele.
Forçando o corpo fraco, ela se levantou e tentou sair.
Ao perceber, Herdin suspirou e se aproximou.
— Bleier, volte e deite.
Ela ignorou.
Seus pés descalços seguiram em frente.
— Você precisa descansar.
Ele a segurou.
Ela se debateu.
— Não! Me solte!
Seus punhos bateram no peito dele, sem força.
Parecia que ela mesma se machucaria.
Por fim, ele a soltou.
Bleier saiu quase correndo.
Mas parou ao ver o corredor escuro.
Não havia para onde ir.
Ela não podia fugir.
Nada havia mudado.
Por mais que tentasse… continuava fraca.
Isso a fez rir.
A escuridão parecia esmagá-la.
Quando o amanhecer começava a surgir, uma porta se abriu silenciosamente.
Bbi Bbi, que dormia encolhido, acordou.
Quem entrou foi Herdin.
O pequeno animal olhou ao redor, esperando atenção.
Mas foi ignorado.
Herdin caminhou até o sofá.
Ali, dormia Bleier.
Encolhida, parecia ainda menor.
Ele a observou em silêncio.
Lágrimas ainda marcavam seu rosto.
Ela tinha fugido dele…
Mas só até ali.
A poucos passos.
Ela não podia escapar.
Para ela, era sufocante.
Para ele… era conforto.
Mesmo que ela só permitisse sua presença dormindo…
Ele não se arrependia.
Mesmo que voltasse no tempo inúmeras vezes…
Faria o mesmo.
Para mantê-la ao seu lado.
E, para ele, ficar ali era a melhor escolha para ela.
Melhor do que fugir… e acabar em desgraça.
Herdin a pegou nos braços com cuidado.
Ela era leve demais… para alguém carregando duas vidas.
Bleier murmurou algo, mas não acordou.
Exausta.
Ele saiu em silêncio, ignorando Bbi Bbi.
No dia seguinte, Bleier acordou na cama.
Provavelmente ele a havia levado.
Felizmente, ele não estava lá.
Com o corpo pesado, ela olhou pela janela.
Aos poucos, seus pensamentos se organizaram.
Na noite anterior, havia agido com emoção.
Agora… estava lúcida.
Herdin não pretendia se divorciar.
E ela não pretendia repetir sua vida passada ao lado dele.
Nesse caso… só havia uma conclusão.
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