Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 118: A Responsabilidade da Escolha
Bleier encarou Mikhail com os olhos arregalados de surpresa.
Mikhail havia atraído Bbi Bbi para dentro da bolsa. Bbi Bbi, que havia criado laços com ele durante os últimos dois meses, entrou sem resistência.
— Como era uma criatura pela qual a senhora tinha um carinho especial, imaginei que viria buscá-la antes de partir. Embora eu não esperasse que trouxesse aqueles homens com você.
Mikhail entregou a Bleier a bolsa onde Bbi Bbi estava.
— Com essa quantidade de gente, acho que consigo distraí-los para que fuja.
Ao perceber que ele tentava ajudá-la a escapar, Bleier o interrompeu às pressas.
— Não, já basta.
— …É por causa da sua condição física?
— Não quero envolvê-lo mais. Isso é um assunto entre aquela pessoa e eu, e é um problema que devo resolver sozinha.
Diante das palavras decididas de Bleier, a expressão de Mikhail endureceu.
Sentiu que aquelas palavras, mais do que preocupação com ele, eram uma forma de traçar um limite. Como se ela estivesse deixando claro que ele jamais poderia se intrometer entre ela e Herdin.
— E se eu quisesse me envolver nesse problema?
— Meus sentimentos por você não podem ser motivo suficiente para isso?
No instante em que Bleier ia responder, a porta fechada atrás dela se abriu.
Quem entrou foi…
— A senhora dizia que não havia nada entre vocês. Parece que, na verdade, não é bem assim, não é?
Os olhos de Bleier se arregalaram diante da aparição daquele homem que não deveria estar ali.
Só então ela entendeu por que os cavaleiros haviam permitido sua saída com tanta facilidade. Cada movimento seu estava sendo reportado imediatamente a Herdin.
Herdin se aproximou de Bleier, virou-a para si e a puxou para seus braços, como se quisesse impedir que Mikhail sequer pudesse vê-la.
Mikhail olhou para Herdin sem demonstrar surpresa e respondeu:
— É verdade que não há nada entre nós. Embora meus sentimentos não sejam assim.
Ao ouvir isso, uma sede assassina e gelada surgiu nas pupilas de Herdin enquanto ele fixava o olhar em Mikhail.
Mesmo sob aquela pressão, Mikhail continuou falando naturalmente.
— Foi exatamente isso que Sua Excelência acabou de ouvir.
— Eu ouso amar a senhora.
Naquele instante, uma corrente afiada de mana irrompeu de Herdin e disparou como uma adaga, roçando a bochecha de Mikhail antes de se cravar na parede.
Assustada, Bleier agarrou o braço de Herdin e o chamou com uma voz aguda, quase um grito.
Uma gota de sangue brotou da bochecha de Mikhail onde a mana o atingira, e logo um fio carmesim escorreu. O rosto de Bleier empalideceu de horror.
Sendo Herdin um mestre em magia, era impossível que tivesse errado por acidente. Ele havia desviado de propósito.
Era um aviso claro de que o próximo golpe seria no pescoço.
Mesmo assim, Mikhail, que acabara de ser atacado, continuou encarando Herdin sem sequer piscar.
Herdin curvou os lábios em um sorriso torto.
Ora, ora.
Era uma postura bem diferente daquele homem que fingia gentileza diante de Bleier quando se conheceram.
Bem, ele supunha que alguém precisava ter essa coragem para ousar tocar a mulher de outro homem.
— Você nunca me agradou desde a primeira vez que o vi.
— Alguém como você… ousando.
— Como devo punir um canalha que ousou fugir com a esposa de outro?
Mais uma vez, a mana de Herdin oscilou ao redor dele.
Como Mikhail também não demonstrava intenção de recuar, a atmosfera entre os dois ficou cada vez mais tensa, até que Bleier se colocou apressadamente entre eles.
— Basta, por favor!
A mana de Herdin, que parecia prestes a atacar novamente, cessou bruscamente.
Ao mesmo tempo, sua expressão endureceu ao olhar para Bleier.
Até mesmo o olhar de Mikhail, que permanecera inabalável diante daquela intenção assassina, vacilou diante da intervenção dela.
Herdin afastou a franja com irritação, engoliu um suspiro e falou com a voz mais baixa:
— Venha aqui, Bleier.
Mas Bleier não recuou.
Como sempre, permanecia firme quando acreditava estar certa.
— Fui eu quem disse que queria fugir, eu quem pediu ajuda e eu quem usou os sentimentos deste homem.
— Ele é meu benfeitor e alguém a quem devo um pedido de desculpas.
Fitando Herdin com olhos decididos, Bleier apresentou sua última proposta.
— Se poupar a vida deste homem, farei tudo o que quiser. Então, por favor… permita que nos despeçamos pela última vez. Eu imploro.
Um pedido.
Diante do olhar desesperado de Bleier, Herdin soltou uma risada fria.
Depois de odiá-lo e ressentir-se dele por tanto tempo, agora ela implorava para salvar aquele homem.
Fosse por culpa ou senso de responsabilidade… em que isso diferia de uma mulher se agarrando para salvar o amante?
Enquanto detestava horrivelmente aquela imagem, surgiu nele o pensamento sombrio de que, se pudesse usar esse sentimento para mantê-la ao seu lado, faria isso sem hesitar.
Em meio à tensão sufocante, Herdin finalmente falou após um suspiro.
Ao mesmo tempo, recolheu a mana ameaçadora que oscilava ao seu redor.
Os olhos de Bleier se arregalaram.
— Se continuarmos perdendo tempo, esse sujeito morre.
Herdin lançou um olhar frio para Mikhail atrás de Bleier, então se virou e saiu do quarto.
Bleier ouviu a porta se fechar e voltou-se para Mikhail.
Ao ver o ferimento em sua bochecha, seu rosto se contraiu de dor.
— …Me desculpe. É culpa minha.
— Não é culpa da senhora.
— Além disso, não é nada. A senhora não sabe? Um ferimento assim não é nada para mim.
Como Mikhail possuía poder sagrado, podia curar-se imediatamente.
Mas o coração de Bleier continuava inquieto.
Porque o fato de poder se curar não significava que ele não tivesse sentido dor.
Como para provar isso, Mikhail usou seu poder sagrado e fechou rapidamente o ferimento.
Então perguntou:
— Decidiu não fugir por minha causa?
Bleier balançou a cabeça.
— Não é por você. Apenas percebi tarde demais que esse não é um problema que possa ser resolvido me apoiando em outra pessoa.
— Obrigada por tudo… e me desculpe.
Ela falou como se aquelas fossem as únicas palavras que ainda podia lhe oferecer.
Ao vê-la assim, Mikhail soltou um suspiro.
No fim, fracassou em conquistar seu coração.
Se Bleier voltasse assim para Herdin, poderia acabar envolvida nas intrigas de Gerard e correr perigo.
No entanto, ele não podia falar sobre Gerard.
Se Herdin descobrisse e enfrentasse Gerard naquele estado, Bleier poderia correr risco por causa de um possível frenesi.
E, acima de tudo, ele não acreditava que Herdin — obcecado por ela e guiado pelas emoções — desistiria dela mesmo sabendo sobre o círculo de magia negra.
Mikhail enterrou aquela verdade e perguntou:
— …Mesmo que eu diga que pode correr perigo ao lado daquela pessoa… ainda assim vai voltar?
Diante da pergunta significativa, Bleier piscou por um momento e mergulhou em seus pensamentos.
A resposta veio facilmente.
Mesmo conhecendo os acontecimentos de sua vida passada, ela havia voltado para Herdin para encontrar a criança… e voltou a amá-lo.
O presente era resultado de escolhas feitas por sua própria vontade.
Não impostas por ninguém.
Bleier declarou sua decisão com voz calma:
— Terei que assumir a responsabilidade até mesmo por esse perigo. Porque este presente foi criado pelas minhas próprias escolhas.
Depois disso, pegou a bolsa onde Bbi Bbi estava e se virou em silêncio.
Mikhail moveu os lábios ao ver suas costas se afastando, mas no fim permaneceu calado.
Só quando a porta se fechou completamente ele deixou escapar uma risada autodepreciativa.
Não podia contar a Bleier sobre o círculo de magia negra.
Não… não queria contar.
Odiava a ideia de que ela descobrisse que aquele homem a amava.
E odiava ainda mais a ideia de ter que assistir à felicidade dela ao lado dele.
Mesmo que isso significasse comprometer sua segurança.
Queria ser ao menos uma boa pessoa para ela…
Mas parecia que, no fim, não conseguia vencer a natureza profundamente egoísta dos seres humanos.
Ainda assim, isso não significava que ficaria parado assistindo Bleier cair nas intrigas de Gerard.
O olhar de Mikhail brilhou friamente enquanto limpava descuidadamente o sangue do rosto com o dorso da mão.
Ainda restava uma forma de salvá-la.
Bbi Bbi, que se agitava inquieto dentro da bolsa por causa do ambiente desconhecido, finalmente se acalmou.
Parecia ter adormecido depois de explorar os arredores.
Herdin observou a bolsa silenciosa e então voltou seu olhar para Bleier, sentada ao seu lado.
Bleier olhava pela janela da carruagem enquanto acariciava suavemente o ventre arredondado por hábito.
Herdin, observando-a fixamente, perguntou:
— Ele se mexe?
Então Bleier, que não havia olhado para ele uma única vez durante toda a viagem, virou-se com expressão inquisitiva.
Herdin apontou para a barriga dela com o olhar e explicou:
— A criança no seu ventre.
Só então Bleier entendeu a pergunta e assentiu levemente.
No momento em que Herdin tentou tocar sua barriga, Bleier se encolheu instintivamente e acrescentou:
— …Ainda é fraco. Você não vai conseguir sentir.
Era sua forma de dizer para ele não tocar.
O cenho de Herdin se contraiu levemente ao perceber sua intenção.
Ignorando aquilo, ele pousou a mão sobre o ventre dela.
Bleier se sobressaltou com o toque, mas não afastou sua mão.
Herdin a encarou fixamente enquanto ela o observava com olhos ansiosos.
Então se inclinou até seus lábios vermelhos e sussurrou:
— Beije-me.
Diante do pedido repentino, os olhos de Bleier piscaram confusos.
— Você precisa pagar o preço por eu ter atendido ao seu pedido.
Junto de sua voz grave, um hálito quente escapou e roçou seus lábios de forma vertiginosa.
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