Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 134. Na Próxima Vida, Por Favor
Após chegar às ruínas antigas, Herdin finalmente conseguiu encontrar uma pista para quebrar a segunda restrição.
No entanto, ela não estava escrita na língua antiga, mas sim no idioma dos demônios, uma raça extinta há eras, motivo pelo qual ele não pôde interpretá-la imediatamente.
Ainda assim, o simples fato de ter encontrado uma pista após vagar por mais de um ano já era praticamente um milagre.
Sentiu que, se conseguisse decifrar aquele texto, poderia colocar tudo de volta em seu devido lugar.
Assim, Herdin, que se dedicou fervorosamente à interpretação da língua demoníaca, abrindo mão até mesmo de se alimentar por vários dias, decidiu não comparecer ao aniversário de Asiel.
Ele desejava encontrar o método o mais rápido possível para retornar, de coração tranquilo, ao lado de Bleier e de seu filho. Haveria aniversários no próximo ano, e no seguinte também.
Porque eles estariam juntos para sempre.
Foi então que notícias chegaram da vila.
Ruth, que correu até ele para entregar a mensagem, abaixou a cabeça, incapaz de terminar a frase, com a garganta travada pela emoção.
Diante daquela reação, o coração de Herdin afundou.
Sentiu curiosidade, mas não queria perguntar. Não queria saber.
Mesmo assim, Ruth, mal conseguindo conter o choro, voltou a falar:
—Disseram que minha senhora… faleceu.
No caminho até a vila, enquanto se apressavam, Ruth contou que Bleier havia morrido após ser atacada por um desconhecido.
Mas aquelas palavras não penetravam nos ouvidos de Herdin. Não… para começar, o simples fato de ela ter morrido era impossível de acreditar.
Assim que chegou à vila e entrou, percebeu que algo estava diferente do habitual.
No lugar onde ela e a criança estavam, mesmo sem fazerem grande alvoroço, a simples presença delas criava uma atmosfera sutilmente calorosa.
Mas hoje… havia apenas silêncio.
Atribuindo aquilo a uma simples impressão, Herdin entrou no quarto e, em vez da voz de Bleier sussurrando para o filho, ouviu soluços dilacerantes.
Era o choro de Rina.
No instante em que reconheceu aquele som, seu coração começou a bater violentamente.
Herdin parou por um momento, então entrou no quarto de onde vinha o som. Ao mesmo tempo, Rina, completamente destruída, lançou-se sobre ele.
—Por que está vindo só agora?! Por que não esperou nem o funeral terminar?!
As criadas rapidamente seguraram Rina.
Mesmo diante da insubordinação de uma serva gritando na sua frente, Herdin passou por ela como se fosse invisível e seguiu até a cama. Atrás dele, a voz de Rina ecoou:
—A senhora… esperou tanto pelo senhor…
Rina, soluçando como se cuspisse sangue, desabou. As criadas a retiraram dali.
Deixando todo aquele caos para trás, Herdin se aproximou da cama. Sobre ela, Bleier jazia com os olhos fechados e as mãos elegantemente repousadas sobre o ventre.
Seu rosto estava sereno, como se apenas dormisse.
Era inacreditável que estivesse morta.
—Desculpe por chegar tarde. Eu queria voltar o mais rápido possível…
Herdin continuou falando em tom calmo enquanto estendia a mão até o rosto de Bleier.
—Você disse que tinha algo para me contar. Conte agora. Eu ouvirei tudo, então…
Mas não sentiu calor algum na bochecha que tocou.
Nem sequer um sopro de respiração.
E, acima de tudo… ela não acordou nem olhou para ele.
“Quero ver seus olhos.”
“Quero ver meu reflexo nas suas pupilas.”
As pontas dos dedos de Herdin começaram a tremer enquanto percorriam o rosto pálido dela.
Ele retirou a mão que acariciava a pele de Bleier e, sem desviar o olhar, ordenou a Ruth, que aguardava atrás:
—Ruth. Vá buscar um sacerdote.
—Ainda não é tarde. Se a tratarmos imediatamente, podemos salvá-la.
Diante daquela ordem inútil, Ruth respondeu com a voz partida:
—Excelência… a senhora já…
Antes que Ruth pudesse terminar, Herdin desembainhou a espada e a posicionou em seu pescoço. O mana que emanava dele ondulava de forma ameaçadora.
—Cale a boca.
Mesmo tendo perdido a razão e ameaçando todos com a espada, ninguém sentiu medo.
Apenas choraram.
Não eram lágrimas de terror, mas de tristeza.
Herdin olhou para todos, atordoado por aqueles prantos, então voltou o olhar para Bleier.
Os soluços que ecoavam ao redor o forçavam continuamente a encarar uma realidade que se recusava a aceitar.
Você realmente morreu?
Não… não pode ser. Não pode…
Olhando para Bleier, que não despertava nem diante de todo aquele caos, Herdin jogou a espada fora e a tomou nos braços. Mason, assustado com sua atitude impulsiva, chamou-o apressadamente:
—Saiam da frente. Eu vou levá-la ao templo.
No templo havia muitos sacerdotes. Como eram pessoas abençoadas pelo poder divino, talvez, mesmo que um só não bastasse, dezenas deles juntos pudessem realizar um milagre.
Carregando Bleier, Herdin atravessou os criados como se fugisse da atmosfera de luto pela morte dela.
Foi então que o braço inerte de Bleier caiu sem força.
Ao mesmo tempo, os passos de Herdin pararam abruptamente.
Lágrimas começaram a brotar de seus olhos antes indiferentes, e ele desabou por completo.
Herdin encostou o rosto na bochecha dela.
A pele estava gelada.
Nem mesmo as lágrimas que caíam sobre seu rosto conseguiam devolver àquele corpo a temperatura que já havia desaparecido.
—Bleier… abra os olhos.
—Eu vou levá-la ao mar que você queria conhecer. Vamos juntos.
As pontas de seus dedos, que acariciavam o rosto dela, tremiam visivelmente.
—Não faça isso… por favor, Bleier…
Sua voz, que a chamava desesperadamente, começou a se quebrar em choro.
Ao lembrar das pupilas de Bleier, Herdin percebeu que a última vez que viu seus olhos foi quando ela o observava escondida com Miela.
E ele riu enquanto chorava.
A escolha que acreditou ter feito pelo bem dela tornou-se a última grande adaga cravada no peito de Bleier.
Uma ferida que jamais poderia arrancar ou curar.
Se soubesse que tudo terminaria assim, teria preferido amá-la mais.
Teria preferido não feri-la sob o pretexto de fazer o melhor por ela.
Arrependo-me de ter permitido que você levasse essas feridas dolorosas como última lembrança…
—Desculpe, Bleier. Desculpe…
Pronunciou palavras que ela já não podia ouvir, como se cuspisse sangue.
A tristeza insuportável logo afetou também seu mana.
O fluxo, que se agitava violentamente, acabou consumindo até mesmo a mente de seu dono.
Ruth e Mason, ao perceberem aquela anormalidade, ficaram alarmados.
No momento em que tentaram se aproximar, o mana explosivo de Herdin atacou todos os presentes no quarto.
O aposento, antes tomado pelo choro, encheu-se de gritos e gemidos.
Em meio ao caos, Herdin, que havia perdido o controle e sido consumido pelo mana, levantou-se carregando o cadáver de Bleier.
Um mundo sem ela não tem sentido algum.
Entre os humanos deste mundo, existe alguém que a matou… se eu matar todos, poderei vingá-la.
Consumido pelo mana, perdeu completamente a razão e começou a atacar todo ser vivo, reconhecendo-os como inimigos que precisavam ser eliminados.
Os cavaleiros que vieram ao ouvir o tumulto morreram sem sequer conseguir reagir adequadamente ao ataque inesperado.
Mesmo com o sangue de seus subordinados respingando diante dele, os olhos de Herdin eram assustadoramente indiferentes.
Ainda assim… ele segurava o corpo de Bleier com extremo cuidado.
Após matar todos os cavaleiros que bloqueavam seu caminho, Herdin derrubou a porta seguinte e entrou.
Lá havia um berço.
No instante em que se aproximava com olhos vazios, a porta conectada ao quarto de Bleier se abriu e Ruth correu para impedi-lo.
—Excelência, não pode fazer isso!
—Ele é seu filho! Assim como o duque anterior fez… o senhor também não pode fazer isso com o jovem mestre! Por favor…
Ruth, sangrando pelos ferimentos de antes, implorou desesperadamente, mas Herdin lançou magia contra ele sem piedade.
O sangue que chegou aos seus pés escorreu até o berço, formando uma poça avermelhada.
Dentro dele, um bebê chorava, aparentemente assustado com toda a comoção.
Herdin, que estava prestes a lançar outro feitiço com o mesmo olhar vazio, congelou ao cruzar os olhos com a criança.
Eram pupilas violetas.
Idênticas às de Bleier, que ele tanto desejava ver.
Ao encarar aqueles olhos, lembrou-se de Bleier lhe apresentando o filho.
“Asiel, cumprimente o papai.”
Os olhos de Herdin, fixos na criança, estremeceram violentamente.
Uma fissura surgiu em sua mente consumida pelo mana, e por um breve instante sua consciência retornou.
“Não.”
Ao mesmo tempo, a mão estendida em direção a Asiel baixou.
Quando a lucidez começou novamente a desaparecer, Herdin cravou os dentes na própria mão com força brutal.
A ponto de sentir que esmagava o próprio osso.
Graças àquela dor, o mana foi reprimido por um instante.
Mas isso não duraria muito.
Naquele intervalo, precisava encontrar uma forma de proteger Asiel de si mesmo.
Foi então que uma memória esquecida emergiu.
Em algum momento, ele havia investigado uma magia proibida capaz de retornar ao passado.
Quando seus pais morreram.
E quando Esmeralda morreu.
Mas jamais ousara utilizá-la, pois desconhecia se funcionaria ou falharia… e temia o preço.
Agora, porém, já não sentia medo algum.
Buscando nas lembranças da infância, Herdin materializou o círculo mágico temporal que havia praticado centenas e milhares de vezes.
Usando a si mesmo como sacrifício.
A última coisa que precisava escrever naquele círculo quase completo era o nome daquele que viajaria no tempo.
Sem hesitar por um único segundo, Herdin escreveu o nome de Bleier.
“Se eu voltar com minhas memórias, não conseguirei soltá-la.”
“Como não poderei abandonar meus sentimentos… eu a perderei de novo.”
“Por isso, Bleier…”
“Na próxima vida… por favor, fuja de mim.”
Finalmente, o círculo mágico completo começou a dilacerar o corpo daquele que servia de sacrifício.
Em meio à dor, Herdin abraçou Bleier, beijou-a e sussurrou:
—…Eu te amo. Eu te amo, Bleier.
Palavras que jamais poderia transmitir à Bleier da próxima vida.
E então…
Veio uma escuridão profunda.
Após a passagem de um tempo remoto…
Bleier abriu os olhos.
No passado.
Três anos antes de se casar com ele.
Alic
GENTEEEEEEEEE AHHHHHHHHHHHGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHGHHHHHHHHHHHHHHHGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHGHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHG
Eu senti dor física, mental e emocional 🤡😭😭😭😭💔💔💔 que dorrrr