Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 37. Eu Te Odeio.
Blair mordeu o lábio para suprimir o gemido que escapou reflexivamente.
Na verdade, ela não estava com vontade de ser abraçada por ele agora.
Afinal, ele poderia ser o responsável por sua morte.
Mas a carta sobre a mesa a perturbava quando pensou em recusá-lo.
Se não oferecesse seu corpo, sentia como se a atenção dele voltasse para a carta.
Deixando seu corpo nos braços de Herdin, Blair encarou fixamente a luz do pôr do sol que entrava pela varanda.
Nesse instante, Herdin virou Blair e a sentou de frente para ele.
Então, imediatamente a beijou e perguntou:
“Em que você está pensando tão profundamente?”
Os olhos insondáveis que se aproximaram tanto pareciam vasculhar cada canto de sua mente.
Após hesitar por um momento, Blair abriu a boca.
“É sobre Sir Caligo.”
No instante em que o nome de Caligo saiu de seus lábios, os olhos de Herdin se tornaram frios.
Ele detestava ouvir o nome de outro homem saindo dos lábios que os seus acabavam de tocar.
Especialmente naquele momento.
Mas Blair, aparentemente alheia à sua reação, perguntou:
“Ele é um dos subordinados em quem você confia?”
“É um sujeito que se envolvia comigo na fronteira entre a vida e a morte”,
respondeu Herdin casualmente, engolindo os lábios novamente.
Só então Blair pareceu perceber que ele não queria continuar a conversa e, silenciosamente, entregou-se.
Mesmo tendo conseguido o que queria, a obediência da mulher o desagradava.
Aquela atitude era como dar leite a uma criança que chora sem demonstrar qualquer emoção.
O problema era que ele era uma besta maldita e não tinha a menor intenção de rejeitá-la.
Herdin ergueu o corpo pálido de Blair em seus braços e caminhou em direção à cama.
Conforme se moviam, as roupas de Blair foram caindo, uma camada de cada vez, atrás deles.
Depois de deitar Blair na cama, Herdin a abraçou imediatamente.
Diferentemente do habitual, ele não tinha paciência para esperar hoje.
“Ah…”
O corpo de Blair ainda estava um tanto rígido, a tensão não havia desaparecido completamente.
Seus braços esguios envolviam as costas de Herdin.
Mesmo respirando com dificuldade, tomada pela presença dele, Blair respondeu desajeitadamente.
Aqueles movimentos, aqueles olhos que só o fitavam, eram lindos.
Herdin sobrepôs seus lábios aos dela como se compartilhasse sua respiração com a respiração ofegante dela.
Embora, no fim, ele apenas tenha roubado o fôlego dela.
Em pouco tempo, o quarto se encheu com o brilho do entardecer e o som da respiração deles.
O que quebrou aquela cena tranquila foi o relógio de pêndulo.
Dong— Dong—
O relógio tocou, anunciando cinco da tarde.
Blair, que estava agarrada a ele meio atordoada, de repente recobrou os sentidos e empurrou o peito dele.
Mas Herdin não parou.
Ele não tinha mais motivos.
Blair se debateu e falou desesperadamente:
“O remédio…
Está na hora do meu remédio.”
“…Remédio?
Ah.”
Blair tomava a pílula anticoncepcional todos os dias nesse horário.
Ela costumava ser atormentada por ele até o amanhecer e permanecia meio adormecida até de manhã, então temia esquecer se a tomasse naquele momento.
Durante o dia, ela se ocupava com sua própria rotina.
E, uma vez que começavam à noite, ela raramente permanecia lúcida até o amanhecer.
Por isso, escolhia aquele horário inconveniente para tomar o remédio.
“Se eu não tomar agora, posso esquecer…”
Blair estendeu a mão para o criado-mudo.
O frasco de comprimidos que ela havia tirado mais cedo estava lá.
Ao ver aquilo, os olhos de Herdin se tornaram frios.
Ele detestou a maneira desesperada como a mão dela tentava agarrar o frasco.
Será que aquela mulher realmente não tinha nada em mente além de concluir com sucesso aquele casamento por contrato?
Será que ela nunca considerou nenhuma outra possibilidade?
Mesmo fazendo aquilo com ele agora, será que ela ainda tinha tempo para pensar nisso?
Depois de tê-lo deixado tão louco.
O fato de haver espaço na mente dela para qualquer coisa além dele o irritava profundamente.
“Parece que você tem tempo para outros pensamentos.”
No momento em que a mão de Blair tocou o frasco de comprimidos, Herdin se moveu.
“Ah!”
O impacto sacudiu o corpo de Blair, e o frasco caiu no chão.
Herdin forçou o olhar de Blair para longe da mesa de cabeceira e de volta para ele enquanto sussurrava:
“Você pode pular por apenas um dia.”
“N-não.”
O rosto de Blair empalideceu.
Ver aquela expressão fez com que um prazer sádico crescesse dentro dele, mas ao mesmo tempo, uma onda de irritação o invadisse.
Ele selou os lábios de Blair com os seus antes que ela pudesse resistir.
Não era um momento em que ele pudesse parar de qualquer maneira.
Blair reprimiu os gritos de resistência.
Mas Herdin não era do tipo que deixava isso passar.
Sua voz saiu rouca, como se tivesse sido arrancada de sua garganta.
“Faça um som.”
Conforme suas ações se tornavam mais insistentes, Blair finalmente não aguentou e soltou um suspiro.
Desde o início, tinha sido uma luta que ela jamais venceria.
Herdin a puxou ainda mais para seus braços.
A mulher era quente e macia.
Tinha um cheiro doce quando a abraçava e um gosto doce quando a mordia.
Quando ele se afundava em seus braços como num pântano inescapável, tudo se tornava distante.
Mas, junto com essa satisfação, vinha a ansiedade de que ela pudesse desaparecer mesmo em seus braços.
Como grãos de areia escorregando por entre seus dedos.
E assim ele atormentou Blair com ainda mais persistência.
Quanto mais ela chorava e reagia a ele, mais real parecia que ela estava em seus braços.
Finalmente, a respiração que estavam prendendo escapou de suas bocas.
Herdin conteve seu próprio calor enquanto esperava que o corpo trêmulo de Blair se acalmasse antes de se afastar lentamente.
À medida que sua respiração ofegante se acalmava, o foco retornou aos olhos turvos de Blair.
Seus olhos lacrimejantes estavam cheios de ressentimento contra ele.
Blair o empurrou quando ele tentou abraçá-la novamente.
Embora um empurrão tão pequeno não pudesse movê-lo, Herdin, surpreendentemente, recuou.
Blair tentou se levantar para pegar o frasco de comprimidos que havia caído no tapete debaixo da cama.
Mas naquele instante suas pernas cederam e ela desabou no chão.
Mesmo assim, como se não importasse, Blair pegou um comprimido do frasco e o engoliu.
Como estava com tanta pressa, o comprimido desceu até sem água, embora normalmente não conseguisse engoli-lo dessa forma.
Só então ela soltou um suspiro de alívio.
Ela não podia engravidar naquele momento.
Havia uma grande chance de a criança não ser Asiel.
‘Asiel…’
Asiel era sua força motriz.
Se ela não pudesse reencontrar aquela criança adorável, então a milagrosa segunda vida que havia conquistado não significaria nada para ela.
Pensar que quase perdera aquela criança por causa dele a fez gelar o sangue.
Observando Blair sentada no tapete sem sequer se levantar, Herdin a pegou silenciosamente em seus braços.
Blair não se afastou do toque dele, mas o ressentimento em seus olhos era impossível de esconder.
Com um suspiro, Herdin falou:
“Na improvável hipótese de você engravidar, eu assumirei a responsabilidade—”
“…Não, isso não vai acontecer.”
Blair o interrompeu.
Sua voz tremia levemente.
Mas, quando se recompôs, continuou com um tom firme, sem a menor hesitação.
“Vamos nos divorciar.
Exatamente como diz o contrato.”
* * *
Depois de tomar banho, Herdin entrou no quarto carregando um café da manhã simples que uma empregada lhe entregara.
Blair estava deitada de costas para ele.
Sua figura, já pequena, parecia ainda menor sob o cobertor.
Ela parecia estar fingindo dormir, mas Herdin não era do tipo que deixaria passar algo assim.
Ele a encarou com olhos frios e fundos.
Ela estava assim desde a noite anterior.
Quando ele a abraçou, ela obedientemente lhe entregou o corpo, mas foi só isso.
Blair não resistiu, mas Herdin percebeu.
Ela simplesmente suportava a noite em silêncio, esperando que terminasse.
Sabia que essa era a maior resistência que podia oferecer.
Herdin colocou a bandeja na mesa de cabeceira e levantou Blair.
Mas Blair escapou silenciosamente de seus braços.
“…Vou comer mais tarde.”
“Por quê?”
“Meu estômago está ruim.
Quero descansar.”
Blair nem sequer olhou nos olhos dele.
Os lábios de Herdin se contorceram ao ver a cena.
Agora ela estava até mesmo fazendo greve de fome.
Herdin colocou a bandeja na frente de Blair.
As belas sobrancelhas de Blair se franziram ao vê-la.
“Eu não quero comer agora—”
Nesse momento, Herdin segurou o rosto dela e pressionou os lábios contra os dela.
Um suco doce escorreu entre seus lábios sobrepostos.
Era um morango das panquecas na bandeja.
Surpresa com o beijo repentino, Blair engoliu o morango sem perceber.
Só então Herdin se afastou.
Limpou o suco de morango dos lábios de Blair com o polegar e olhou para ela.
Os olhos que se arregalaram em choque já se contorciam como se estivessem prestes a chorar.
Aqueles olhos grandes estavam repletos de ressentimento contra ele.
Mesmo assim, aquela expressão parecia bela.
Provavelmente porque aquela mulher fora amaldiçoada com um rosto tão bonito.
Herdin colocou um garfo na mão de Blair.
“Coma.
Antes que eu mesmo te dê na boca.”
Embora soasse como um incentivo, Blair sabia que era mais próximo de uma ameaça.
E que o “dar na boca” a que ele se referia se assemelharia ao que ele acabara de fazer, em vez de seu significado usual.
Blair olhou entre a comida à sua frente e a dele, depois largou o garfo.
Um silêncio sufocante se instalou entre eles.
Blair olhou diretamente em seus olhos e falou:
“…Eu odeio isso.”
“…”
“Eu te odeio mesmo…”
As emoções que ela vinha reprimindo finalmente transbordaram.
Seus olhos, que pareciam prestes a chorar a qualquer momento, não derramaram lágrimas.
Mas a mão que segurava o cobertor em vez do garfo tremia violentamente.
Herdin a encarou com seus penetrantes olhos azuis por um longo momento antes de se virar e sair do quarto.
Comentários