Eu Só Preciso do Filho do Duque – Episódio 115: Farei Qualquer Coisa Por Você
— Pretende me transformar em um pai irresponsável?
— Seu corpo vai ficar mais pesado de agora em diante, então precisamos nos preparar para o parto. Você não pode dar à luz em um lugar que não seja sua casa.
Bleier soltou uma risada amarga ao ouvir aquilo.
Na vida passada…
Ele sequer a visitou uma única vez até o nascimento da criança.
Por isso, ouvir aquelas palavras agora parecia ridículo.
Uma tristeza tardia e esmagadora surgiu dentro dela.
— Eu não quero voltar. Meu lar agora é aqui.
A determinação de Bleier era inabalável.
Herdin suspirou enquanto a observava de cima.
Dois meses atrás…
E agora…
A teimosia de sua esposa continuava exatamente a mesma.
Ela não cedia facilmente.
Nem sob intimidação.
Nem sob persuasão.
Esfregando a testa, enquanto reprimia as próprias emoções, Herdin finalmente mudou de postura.
— Tudo bem. Eu fui o culpado por tudo.
— Farei qualquer coisa que quiser… então vamos parar com isso e voltar para casa.
Mas, mesmo dizendo aquilo…
Sua expressão não era a de alguém genuinamente arrependido.
Parecia mais a de alguém irritado por precisar acalmar uma criança birrenta.
Ao vê-lo assim…
Bleier sentiu como se o fundo do próprio coração desabasse mais uma vez.
Não era isso que ela queria.
Os dois meses de distância, conquistados depois de fugir desesperadamente…
Não haviam mudado nada.
Embora, para começo de conversa…
Ela nunca tivesse ido embora esperando que ele mudasse.
“Depois de ter sido tão ferida por esse homem… o que exatamente eu esperava agora?”
Sentiu-se patética.
Miserável.
Por ainda permitir que o coração desmoronasse outra vez.
Mas, ao mesmo tempo…
Alcançou uma certeza mais forte do que nunca.
Jamais poderia ser feliz com esse homem.
Reprimindo a avalanche de emoções dentro de si, Bleier finalmente declarou:
— O que eu quero… é o divórcio.
No instante em que aquela palavra maldita — divórcio — saiu da boca dela…
A expressão de Herdin se distorceu instantaneamente.
— Até quando pretende continuar assim?
— Por favor, tenha limites para essa teimosia! Eu disse que faria qualquer coisa que quisesse… exceto isso!
Sua voz se elevou.
Mas, ao ver os olhos avermelhados de Bleier…
Ele engoliu à força a emoção que subia junto com um suspiro.
Ainda assim…
Aquilo que desceu por sua garganta queimou como fogo dentro do peito.
— Quer dinheiro? Então transferirei propriedades privadas suficientes para que viva no luxo pelo resto da vida.
— Não… posso até lhe dar um território inteiro. Isso basta?
— Ou talvez a viagem que tanto queria? Pode fazê-la quando se recuperar. Quantas vezes quiser.
Ele enumerou tudo o que acreditava que ela pudesse desejar.
Dinheiro.
Terras.
Liberdade.
Mas os olhos de Bleier, voltados para ele…
Estavam vazios.
— …Você realmente acha que é isso que eu quero?
Sem emoção.
Sem entusiasmo.
Sem raiva.
Aquela expressão…
Era algo que Herdin nunca tinha visto nela antes.
E justamente por isso…
Sentiu uma ansiedade inexplicável.
Herdin agarrou o braço dela.
— Então o que diabos você quer?
Bleier permaneceu em silêncio.
Naquele instante…
As palavras ditas mais cedo na praça voltaram à sua mente.
“Não somos nada.”
Ele havia silenciado aquela mulher porque, se ouvisse da boca dela palavras dizendo que amava outro homem…
Sentia que poderia enlouquecer.
Mas vê-la tentando proteger Mikhail também fazia algo dentro dele se contorcer.
A emoção distorcida que vinha reprimindo explodiu de repente.
— Ah… então quer que eu faça alguma estupidez como amor ou coisa parecida? Igual àquele bastardo que fugiu com você sabendo que minha vida estava em risco?
O olhar gelado de Bleier tremeu violentamente.
Ela ficou sem palavras.
— Então eu também farei isso. Farei qualquer coisa, então—
Antes que pudesse terminar—
Smack.
A mão de Bleier atingiu sua bochecha.
Um silêncio sepulcral caiu junto com o som do tapa.
No meio daquela quietude…
Só a respiração trêmula de Bleier podia ser ouvida.
Foi Herdin quem quebrou o silêncio primeiro.
— Quantas vezes mais vou precisar apanhar… para que fique satisfeita?
O homem que recebeu o tapa permaneceu praticamente inabalável.
Mas o rosto dela…
Estava completamente destruído emocionalmente.
Por causa do impacto, sua mão branca tremia, avermelhada pela força.
Herdin a observou fixamente.
— Mas acho que assim… sua mão só vai doer mais.
— Então seria melhor me apunhalar com uma espada.
O peito de Bleier subia e descia violentamente.
Ela parecia lutar desesperadamente para não chorar.
Mordendo o lábio com força, sua voz tremeu:
— Você… realmente não mudou nada.
Sim.
Esse homem não mudaria.
Provavelmente nunca.
Agora…
Desprezo preenchia por completo suas pupilas violetas.
Herdin observou aqueles olhos por longos segundos.
Então soltou o braço dela.
Fechou os olhos com força.
Seu pomo de adão subiu e desceu bruscamente.
Depois de reprimir as emoções à força…
Saiu do banheiro, deixando Bleier para trás.
As criadas, que aguardavam do lado de fora, entraram imediatamente seguindo suas ordens.
Pouco depois…
A porta se fechou suavemente.
Herdin passou a mão bruscamente pelos cabelos.
Quando o calor do vapor desapareceu…
E a temperatura do pequeno corpo que havia tocado se foi…
Seu corpo esfriou.
E sua razão voltou.
Ele havia demonstrado emoções cedo demais.
Agora que a encontrara novamente…
E que o corpo dela estava mais pesado por causa da gravidez…
Ela já não poderia fugir tão facilmente.
De qualquer forma…
Não conseguiria escapar dele.
Não havia motivo para ansiedade.
Nem pressa.
Depois de se convencer disso…
Finalmente começou a andar.
Após terminar o banho deliberadamente devagar e voltar ao quarto…
Herdin encontrou a cama vazia.
A essa altura, Bleier já deveria ter retornado.
No instante em que viu aquilo…
Seu coração despencou.
Sua expressão endureceu imediatamente, e ele quase saiu correndo—
Mas então…
Ouviu uma respiração suave num canto.
Ao seguir o som…
Encontrou Bleier dormindo, encolhida no pequeno sofá, de costas para a porta.
Ao ver aquela cena…
Sentiu-se estranhamente esvaziado.
E soltou uma risada amarga.
Era fácil entender por quê.
Ela preferia dormir desconfortavelmente naquele pequeno sofá…
A dividir a cama com ele.
Em outras palavras…
Sua mera presença era insuportável.
Era a forma máxima de resistência que podia oferecer.
E, ainda assim…
Seu rosto adormecido parecia pacífico demais para alguém resistindo com tanta força.
Na verdade…
Havia até um leve sorriso no canto de seus lábios.
Como se estivesse tendo um sonho agradável.
Aquilo o irritava.
Irritava profundamente.
Mas, de forma absurda…
Também gostava daquela expressão.
Como um louco.
Sentado diante do sofá, Herdin a observou longamente.
Bleier dormia profundamente…
Sem imaginar que a pessoa que mais odiava estava bem à sua frente.
Então—
Seu olhar desceu para o ventre saliente dela.
Dois meses atrás…
Ao toque, era apenas levemente arredondado.
Agora…
Estava visivelmente maior.
Inegavelmente grávida.
E, só naquele momento…
Sem a distração da discussão…
A realidade finalmente o atingiu por completo.
Aquela forma arredondada…
Parecia estranhamente adorável.
Fascinante.
Ainda mais ao pensar que aquela mulher tão pequena estava, com aquele corpo delicado…
Criando cuidadosamente seu filho.
Instintivamente…
Sua mão começou a se mover em direção à barriga dela.
Mas—
Bleier abriu os olhos de repente.
E abraçou imediatamente o próprio ventre.
Foi um reflexo puro.
Como um animal protegendo sua cria.
Mesmo reconhecendo que o homem diante dela era seu marido…
E o pai daquela criança…
Seu instinto defensivo permaneceu intacto.
Herdin a encarou.
— Nada vai mudar só porque está dormindo desconfortavelmente aqui. Pare de ser teimosa e vá para a cama.
— Aqui está bom—
Antes que terminasse—
Herdin simplesmente a ergueu nos braços.
— Me solte!
Ignorando completamente sua vontade, ele a levou até a cama e a colocou ali.
No instante em que foi solta, Bleier tentou se levantar imediatamente—
Mas o corpo firme dele bloqueou sua fuga.
Então—
— Eu vou sair.
Bleier congelou.
Herdin se levantou sem hesitar.
E saiu do quarto…
Deixando para trás o olhar cheio de desconfiança dela.
No instante em que fechou a porta…
Herdin puxou naturalmente um cigarro do bolso do robe.
Mas então—
Uma dor familiar…
Só que muito mais intensa…
Atravessou sua cabeça.
Seu corpo vacilou.
Ao mesmo tempo em que cerrava os dentes diante da dor…
Uma memória—
Ou talvez uma ilusão—
Que parecia ser dele, mas ao mesmo tempo não…
Cravou-se violentamente em sua mente.
Sua visão escureceu.
E então clareou.
Diante dele…
Apareceu uma criança pequena.
Um menino de cabelos negros cacheados…
Com brilhantes olhos violetas…
Como se tivesse começado a andar há pouco tempo.
Ao vê-lo…
Herdin pensou imediatamente em Bleier.
Aqueles olhos violetas…
Eram parecidos demais com os dela.
A criança, sentada num berço, olhava para ele…
E chorava desesperadamente.
Sob o berço…
Sangue.
Uma poça espessa de sangue.
Ao ver aquilo—
O coração de Herdin despencou.
Esquecendo completamente que podia ser uma ilusão…
Ele avançou imediatamente.
Por alguma razão…
Só conseguia pensar em salvar aquela criança que se parecia com Bleier daquele cenário cruel.
Mas, no instante em que estendeu a mão—
A criança desapareceu.
Como fumaça.
E, em seu lugar…
Restou apenas um corredor vazio.
Herdin encarou o espaço vazio por longos segundos.
Olhos ocos.
Então—
Franziu a testa ao perceber, tarde demais…
Que aquilo não passava de outra alucinação.
Os sintomas estranhos…
Que haviam permanecido silenciosos desde a partida de Bleier…
Tinham voltado.
Eram mais intensos.
Mais vívidos.
Muito piores do que antes.
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