nota da tradutora: esta obra, até pelo menos o cap. 90, está com um problema de quebra de estrofe… tem uma fala que começa com um espaço e termina na linha de baixo. Como não é um erro de entendimento, eu mantive, mas se vocês puderem apontar onde estão, já que estão lendo, eu corrigirei. Pelo que vi, não há erros gramaticais nem de pronomes… e espero que vocês tenham uma boa leitura
Eu Só Preciso do Filho do Duque Episódio 1. A Segunda Primeira Noite
Tarde da noite, Blair estava parada em frente à porta.
Hoje era o dia do seu casamento, e este quarto era onde ela passaria sua primeira noite com o marido.
Depois de ficar parada ali, sem expressão, por um bom tempo, ela cobriu a camisola fina que revelava as curvas do seu corpo com um xale e bateu na porta.
“…….”
Parecia que o marido ainda não tinha chegado ao quarto.
Blair soltou um pequeno suspiro de alívio, entrou no quarto e sentou-se no sofá.
E esperou pelo marido.
Dez minutos se passaram assim.
Trinta minutos, e depois mais trinta.
Mesmo depois de uma hora, o marido não apareceu.
Ao contrário do passado.
‘Será que ele está tentando não vir?’
Enquanto Blair encarava a porta bem fechada, ela de repente se lembrou do tipo de promessa com a qual esse casamento havia sido feito.
“Bem, desta vez não é um casamento de verdade, mas um casamento por contrato de um ano.”
Um casamento concluído exclusivamente para os propósitos de ambos.
Não havia necessidade de cumprir o dever do casal na primeira noite, como os verdadeiros cônjuges.
“Isso é melhor, na verdade.”
Se ela encarasse aquele rosto bonito e mais uma vez pressionasse seu corpo contra o dele, compartilhando calor, poderia se iludir de que ele a amava.
Assim como no passado.
“Passar uma noite com ele — apenas uma vez, no dia em que Asiel foi concebido — é o suficiente.”
Hoje não era esse dia, então não importava.
Blair concluiu que seu marido não viria ao seu quarto esta noite e pegou papel e uma pena da gaveta.
Então, calmamente, começou a escrever um contrato que comprovaria esse casamento por contrato.
Foi justamente quando terminou a última frase do contrato que,
de repente, sentiu um calor atrás de si e a mão grande de um homem, que aparecera do nada, se apoiou na mesa.
Assustada, Blair se virou e viu um homem que, de alguma forma, se aproximara por trás dela.
Muito mais alto que os homens comuns, com um corpo masculino perfeitamente esculpido visível através da abertura de seu manto.
Sob cabelos negros que ondulavam suavemente, havia olhos frios que lembravam o azul do céu de uma noite de verão.
Um homem com um rosto tão belo que qualquer um — homem ou mulher — pararia de respirar por um instante ao vê-lo.
Duque Herdin Delmark.
A partir daquele dia, o homem que se tornara oficialmente seu marido.
Como se pudesse ler seus pensamentos pelo olhar surpreso de Blair, ele perguntou:
“Por que você parece tão surpresa?”
Esta noite é a primeira noite. É natural que um casal casado passe a noite junto.”
“…Eu não pensei que você viria.”
“Mesmo tendo ficado acordada esperando até agora?”
Com as palavras certeiras, Blair apertou os lábios com força.
“Eu só esperei por precaução.
Du… não, você veio, então seria falta de educação estar dormindo.”
Ao ouvir o “você” escapar dos lábios de Blair, o olhar de Herdin se intensificou.
“Parece que você estava preparada para passar a primeira noite.”
Blair estremeceu com o toque da mão dele acariciando sua bochecha e com a voz grave soando em seu ouvido.
Mas, mais do que isso, o que a surpreendeu foi o que ele havia dito.
‘Por que, afinal?’
Em sua vida anterior, Herdin aceitara um casamento forçado proposto por seu irmão mais velho para descobrir a verdade sobre ela.
A primeira noite e a gentileza não passavam de uma farsa para prender Blair e extrair a verdade.
Então, nesta vida, para não se deixar influenciar por essa farsa, ela lhe fizera uma proposta antes do casamento:
“Se o Duque aceitar minha proposta, cooperarei o máximo possível para descobrir ‘a verdade daquele dia’.
Mesmo que você não me engane, darei a você o que deseja. ”
Ela pensou que ele não fingiria mais para seduzi-la — mas por quê?
“Uma vez que você soubesse a verdade, não teria mais nada a ver comigo?”
Assim como no passado.
Mas ele demonstrou uma reação completamente oposta às expectativas de Blair.
Para Blair, que pensara que ele nem sequer iria ao quarto, isso era bastante desconcertante.
“Não há necessidade de consumar a primeira noite —”
“Eu quero.”
Seu olhar baixo e sussurrante estava fixo em seus lábios vermelhos.
A mão que segurava sua bochecha acariciava seus lábios com o polegar.
Com o calor que sentiu na ponta dos dedos dele, seu coração começou a bater forte.
Naquele instante, Herdin, que observava os lábios de Blair, ergueu o olhar, e seus olhos se encontraram.
“Agora mesmo.”
Em seus olhos azuis, cintilou um desejo intenso e bruto.
Antes que Blair, assustada por aquele desejo cru, pudesse recuar, seus lábios que se aproximavam engoliram os dela.
De repente, Blair se lembrou de que ele também era um homem.
“Homens podem compartilhar corpos até mesmo com alguém por quem não sentem nada.”
Sim, aquilo não era amor.
Nem era fingir amor para outro propósito.
Era apenas um desejo momentâneo.
Pensar assim a fez se sentir mais à vontade.
Blair reuniu seus pensamentos confusos e fechou os olhos como que em resignação.
No passado, o ato desconhecido e secreto com ele a assustara e aterrorizara, fazendo-a tremer.
Seu corpo grande lhe parecera uma besta que a devoraria, ou uma prisão que a aprisionaria.
E, no entanto, ela gostara do jeito como seus olhos a fitavam, gostara do calor com que a abraçava com força, e, acreditando ser amor, apaixonou-se por ele num instante.
“Mas não me deixarei enganar por esse calor novamente.”
Passar a noite com ele era apenas para conhecer seu filho.
“Asiel, meu bebê.”
Se ao menos ela pudesse reencontrar o filho que amara mais do que a própria vida.
Antes de sua regressão, ela poderia passar a noite repetidas vezes com o marido que talvez a tivesse matado.
⟨Episódio 1⟩ A Segunda Primeira Noite
Hoje era o dia em que Herdin retornava à casa depois de quase um ano.
Era a primeira vez desde o nascimento de Asiel.
Blair escolheu pessoalmente o vestido e os acessórios que usaria hoje.
Fazia muito tempo que não fazia isso.
Após terminar seus preparativos, Blair entrou no quarto adjacente ao quarto principal.
Havia um pequeno berço lá.
A criança no berço nem sequer choramingava, movendo desajeitadamente as mãozinhas em direção ao móbile e brincando sozinha.
Blair sorriu ternamente e pegou o bebê no colo.
“Nosso bebê, você acordou e estava brincando direitinho, sem nem chorar?”
“Uung.
Eueu!
Ububu!”
Nos braços da mãe, o bebê sorriu radiante e balbuciou repetidamente, de forma incompreensível.
Como se soubesse que aquele era o dia em que conheceria o pai, parecia estar de bom humor.
Mas o olhar de Blair, enquanto segurava a criança e olhava pela janela, se fechou em amargura.
Pouco depois de Blair engravidar, Herdin partiu para o castelo principal do Ducado de Delmark, no norte.
Superficialmente, ele alegava que precisava subjugar as bestas demoníacas que assolavam a região todos os verões, mas Blair sabia muito bem que ele estava partindo para evitar a esposa que havia conquistado com um casamento indesejado.
Mesmo assim, ela acariciou a barriga que crescia cada vez mais e rezou para que Herdin não se machucasse.
Seu marido era um homem tão forte que era conhecido como o único espadachim mágico do continente, detentor do poder de uma besta divina, e como um herói de guerra; mesmo assim, ela não conseguia evitar a preocupação.
Todas as noites, a ansiedade a impedia de dormir; todos os dias, ele aparecia em seus sonhos. Blair enviava cartas,
dizendo que o filho em seu ventre estava se desenvolvendo bem e
que esperava que ele também retornasse em segurança, sem ferimentos…
Mas nenhuma resposta chegou.
Ela pensou que a ausência de notícias era um bom sinal.
Ele era o senhor das vastas terras do norte, então, é claro, devia estar ocupado
… Ela precisava pensar assim.
O tempo passou assim, os verões e outonos em que bestas demoníacas devastavam tudo se passaram, e o inverno se aproximava.
Mesmo assim, Herdin ainda não havia retornado à capital.
Enquanto isso, a criança em seu ventre crescia constantemente e começou a se mexer.
A partir dessa época, Blair passou muitas noites em prantos.
A criança, demonstrando sua presença com movimentos cada vez mais fortes, parecia estar procurando pelo pai.
“Me desculpe.
Me desculpe, meu bebê…”
Ela sentia pena da criança que não seria amada pelo pai.
Sentia como se tudo fosse culpa dela, e seu coração doía.
Então, em um dia de inverno, seis meses depois de sua partida, Herdin desceu à capital.
Ele afirmou que havia ido apenas brevemente ao palácio imperial a negócios e que retornaria diretamente ao castelo principal, sem passar pela residência.
Ao ouvir essa notícia, Blair foi vê-lo de repente, apesar de sua gravidez avançada que dificultava até mesmo sair de casa.
Era o primeiro encontro deles em seis meses.
Mas os olhos azuis que fitaram sua esposa depois de seis meses eram tão frios quanto um lago congelado no inverno.
‘Por que você veio aqui?
Seu corpo já deve estar pesado.’
Diante daquela frieza silenciosa, as palavras “Senti sua falta”, que haviam permanecido em sua boca o tempo todo, não conseguiram ser pronunciadas.
Diante dele, ela sempre se transformava em uma criminosa.
Esquecendo todo o seu ressentimento e tristeza, era lamentável que seu coração ainda disparasse em direção a ele.
Blair controlou suas emoções e se obrigou a falar com uma expressão calma.
‘Herdin.
Você poderia me conceder apenas uma hora… não, apenas trinta minutos…?’
Sua voz, que começara calma, tremeu sutilmente no final.
Herdin, que observava Blair em silêncio, assentiu com relutância.
Os dois entraram juntos na carruagem.
Blair recebeu o tempo necessário para viajar do palácio imperial até a residência ducal dos Delmark.
No silêncio onde apenas o som da carruagem podia ser ouvido, Blair apenas mexia os dedos nervosamente.
Ela pensara que tinha tanto a dizer, mas no momento em que o encarou, sua mente ficou em branco.
Naquele instante, o bebê em seu ventre começou a se mexer.
Era um movimento forte, como se tentasse fazer com que seu pai soubesse de sua existência.
Blair franziu levemente a testa e acariciou a barriga.
“Parece saudável, puxando ao pai.
Os chutes são tão fortes que é difícil dormir à noite.”
“Entendo.”
“Você gostaria de senti-lo uma vez…?”
“…Não, tudo bem.”
Diante da reação brusca dele, como se estivesse lidando com o filho de outra pessoa, Blair calou-se.
Ela esperava que ele pudesse compreender seu sofrimento, ainda que um pouco.
Talvez até quisesse se sentir mimada por uma vez.
Ela se sentira assim durante toda a gravidez, mas, à medida que a data do parto se aproximava, seu medo aumentava.
Ao ouvir que outros nobres tinham suas mães, vindas de suas casas de família, ao seu lado, ela cautelosamente pediu também à Imperatriz Mãe.
Normalmente, Blair, conhecendo seu temperamento, jamais faria tal pedido, mas seu medo do parto era tão grande que não teve escolha a não ser perguntar.
Mas, como esperado, a Imperatriz Mãe recusou.
“Toda mulher passa por isso uma vez. Do que há para ter medo?
E mesmo que eu fosse, o que eu poderia fazer?”
Essa foi a resposta que recebeu,
junto com a parteira do palácio que ela enviara.
Então, Blair quisera pedir ao marido
que ficasse ao seu lado por alguns dias, perto da época do nascimento do bebê.
Mas, diante de sua reação indiferente, Blair não conseguiu dizer nada.
O bebê, que se mexia bastante, também parou.
Parecia que as lágrimas iriam brotar.
Isso seria terrivelmente feio.
Blair reprimiu as emoções que lhe subiam à garganta e olhou pela janela.
Antes que percebesse, a carruagem havia chegado à residência.
Herdin encarou a barriga de Blair com um semblante indiferente e então disse algo que se diria a um completo estranho:
“Que tenha um parto seguro”.
O mordomo abriu a porta da carruagem.
Era realmente hora de se despedir dele, mas Blair hesitou.
Havia tantas coisas que ela queria dizer, mas só lhe vinham à mente coisas que não podia dizer.
Olhando para ele e movendo apenas os lábios, Blair mal conseguiu pensar em algo que pudesse pedir.
“…Um nome.
Por favor, dê um nome a esta criança.”
Talvez ele não pudesse recusar nem isso; depois de parecer ponderar por um instante, sugeriu dois nomes:
“Se nascer uma menina, Diana. Se nascer um menino, que tal Asiel?”
Acrescentou que, se Blair tivesse outro nome que quisesse, poderia escolhê-lo, mas Blair deu o nome de Asiel à criança.
Porque foi o primeiro nome que o pai lhe deu ao pensar em seu filho.
Mas mesmo depois do nascimento de Asiel, Herdin não apareceu na casa.
E agora, mais meio ano se passou antes que ele finalmente retornasse.
“Senhora, Sua Graça chegará em breve!”
A criada Rina entrou no quarto e deu a notícia.
Blair beijou a bochecha rechonchuda do bebê e sussurrou:
“Asiel, seu pai chegou.”
“Abu?”
Blair pegou Asiel no colo e desceu para o primeiro andar da residência.
Todos os criados saíram para esperar o patrão, que retornava após muito tempo.
Logo, uma carruagem apareceu ao longe, acompanhada pelo som de cascos.
O coração de Blair se encheu de alegria com o reencontro, mesmo sabendo que era uma esperança vã.
Ela sabia que ele a detestava.
Também se lembrou das incontáveis noites que passara sozinha, chorando e com a barriga inchada.
Mas agora havia Asiel entre eles.
Por mais que ele a odiasse, ele era o pai da criança, e ela, a mãe.
Mesmo agora, Blair queria construir uma família completa com ele.
Pelo bem daquela criança adorável.
Se ele visse a criança que se parecia exatamente com ele, certamente concordaria com seus pensamentos.
Logo a carruagem chegou em frente à residência, e a porta se abriu quando Herdin desceu.
Esquecendo todo o seu ressentimento, Blair se aproximou dele ansiosamente, animada para mostrar Asiel.
“Seu—”
Mas Herdin não olhou para Blair nem para Asiel. Em vez disso, ele estendeu a mão para dentro da carruagem.
A pessoa que apertou sua mão e desceu era uma bela mulher de deslumbrantes cabelos prateados.
A mulher parou ao lado de Herdin.
Ao vê-los, os criados da casa ducal começaram a murmurar.
Uma mulher que havia viajado na mesma carruagem que seu senhor.
Mesmo sem saber quem ela era, era fácil deduzir que se tratava de alguém precioso para Herdin, apenas pela forma como ele a tratava.
Os passos de Blair, que se aproximavam dele, pararam abruptamente.
Seus olhos violeta tremeram enquanto ela os olhava.
Os olhos azuis e frios de Herdin e os olhos dourados da bela mulher ao seu lado se fixaram em Blair ao mesmo tempo.
“Olá, senhora.”
A mulher angelical sorriu e a cumprimentou.
Seus claros olhos dourados brilhavam como joias.
Blair olhou fixamente para a mulher que seu marido havia trazido.
No ar úmido do final do verão, pesado de calor, ela sentia como se não conseguisse respirar.
Ainda mais do que no verão do ano anterior, quando ele partira.
曲熙之
queria falar nada nao mas essa tradutora e otima