[sistema titulo=”Série”]Possuída e Tornei-me um Conto de Terror[/sistema]
[sistema titulo=”Título”]Possuída e Tornei-me um Conto de Terror Capítulo 114[/sistema]
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Se a [glossario termo=”Duque Hosaquin” definicao=”Família materna de Evangeline.”]Ducado Hosaquin[/glossario] se regenerasse bem e fizesse um drama de arrependimento familiar comigo, seria outra história, mas esta poderia ser a última visita à casa do Duque. Já que cheguei até aqui, achei melhor coletar todas as informações que pudesse.
Vou revistar o quarto da Condessa. Embora ela não tenha morado na casa do Duque depois que nasci, então meu segredo de nascimento não estaria lá. Mas não é só isso que preciso encontrar, certo?
Esta era a chance de descobrir por que um [glossario termo=”Círculo de Conjuração” definicao=”Símbolo ou padrão mágico usado para realizar feitiços ou rituais.”]Círculo de Conjuração[/glossario] para invocar demônios apareceu no diário da Condessa.
[sussurro]“O quarto que Lady [glossario termo=”Amaranto” definicao=”Nome que a protagonista especula que a mãe de Evangeline poderia ter escrito na capa do diário.”]Amaranto[/glossario] usava não foi devidamente limpo e não é um ambiente adequado para sua estadia. Ultimamente, ratos se proliferaram na mansão… Por favor, permita-me guiá-la a um quarto mais apropriado para a [glossario termo=”Jovem Lady Evangeline” definicao=”Título dado a Evangeline como herdeira do Condado Rohanson.”]Jovem Lady Evangeline[/glossario].”[/sussurro]
[glossario termo=”Lico” definicao=”Apelido de Licoradca Palamedes.”]Lico[/glossario] recusou-se educadamente, mantendo a formalidade.
Que adversário. Que adversário. Não esperava encontrar um rival na casa da minha família materna, e nem sequer era um evento social ou eu estava de vestido. Quando voltar para casa, direi a [glossario termo=”Doline” definicao=”Professora de etiqueta da protagonista.”]Doline[/glossario] que nem sempre se carrega uma dívida pequena.
[sussurro]“Primeiro, vamos entrar e conversar?”[/sussurro]
Lico verificou o tempo e, impaciente, tentou me levar para dentro. É verdade, o Duque já havia entrado correndo na casa, e eu fiquei muito tempo do lado de fora.
Enquanto seguia Lico, ouvi uma voz desesperada atrás de mim. Era um chamado tão urgente que, mesmo não sendo para mim, tive que virar a cabeça para verificar.
[grito]“Minha filha, minha filha!”[/grito]
Uma senhora, vestindo um vestido esvoaçante cheio de babados, tão vibrante quanto o de uma jovem em seu auge, jogou o guarda-sol e correu em minha direção. Ela me abraçou com tanta força que parecia determinada a nunca mais me soltar.
[grito]“Você finalmente me perdoou?”[/grito]
[sussurro]“…Lady [glossario termo=”Agera” definicao=”Nome da Duquesa Hosaquin, que sofre de demência e confunde Evangeline com sua filha Amaranto.”]Agera[/glossario].”[/sussurro]
Lico olhou para a senhora que me abraçava, como se tivesse sido pega de surpresa. Agera? O nome parecia familiar. Remexi na memória e lembrei que já havia sido mencionado junto ao nome do Duque [glossario termo=”Hosaquin” definicao=”Família materna de Evangeline.”].
[sussurro]“Duquesa…?”[/sussurro]
[grito]“Não me chame com tanta formalidade.”[/grito]
Era mesmo a Duquesa Hosaquin.
Então, a senhora à minha frente era a avó de [glossario termo=”Evangeline” definicao=”Protagonista que possuiu o corpo da filha do Conde Rohanson.”]Evangeline[/glossario] e a mãe de Amaranto. A Duquesa me soltou lentamente, mas imediatamente segurou minha mão com tanta força que parecia que ia quebrá-la, como se não quisesse se separar. Doeu tanto que a força em sua mão era inacreditável para uma idosa.
No início, pensei que a Duquesa estava me recebendo tão calorosamente porque havia conhecido Evangeline quando criança, mas logo percebi que algo estava errado.
[grito]“Amaranto. Você não vai mais me chamar de mãe?”[/grito]
A Duquesa estava confundindo a neta com a própria filha. Por mais que Evangeline e a Condessa se parecessem, ela não confundiria a filha morta com a neta. Não precisei de explicações para entender qual era a minha utilidade, como o Duque Hosaquin havia mencionado.
Vestindo roupas inadequadas para sua idade, como se vivesse no passado, parecendo excessivamente animada e me chamando de Amaranto, pensando que sua filha morta estava viva, tudo indicava que a Duquesa sofria de demência.
E, como ela ainda pensava que a filha estava viva, significava que eu deveria agir como Amaranto.
[grito]“Minha filha. É difícil me chamar de mãe?”[/grito]
Eu ainda não havia chamado a Condessa de mãe. Como não conseguia reunir coragem para usar o termo “mãe”, a Duquesa propôs um meio-termo.
[grito]“É compreensível, já que nós a abandonamos primeiro. Tudo bem, mamãe entende. Agera é suficiente até você se sentir confortável.”[/grito]
[sussurro]“…Sim, Lady Agera.”[/sussurro]
Ao ouvir minha resposta, a Duquesa sorriu como uma menina. Não a corrigi, dizendo que não era Amaranto. O Duque provavelmente me trouxe porque queria que eu fingisse ser Amaranto.
Enquanto Agera me segurava, animada e sem saber o que fazer, as criadas que serviam a Duquesa chegaram correndo. Lico as encarou e repreendeu friamente.
[grito]“O caminho de passeio de Lady Agera não era este, era?”[/grito]
[sussurro]“Mordomo Licoradca…”[/sussurro]
[grito]“Se a convidada que chegou agora fosse uma estranha, nem a vida de vocês seria suficiente para resolver a situação.”[/grito]
Lico repreendeu a criada, apagando completamente o leve sorriso que mantinha até então. Ah, então a aparição repentina da Duquesa não foi intencional, mas um acidente.
A razão pela qual Lico continuava verificando o tempo era para entrar rapidamente na mansão, evitando o horário de passeio de Agera. O Duque Hosaquin, sem olhar para trás, também parecia ter feito o mesmo. Agera, apesar da atmosfera séria, estava tranquila, sem entender a situação.
Agera inclinou a cabeça e perguntou:
[grito]“Você é a nova criada? Não fique tão brava, é assustador.”[/grito]
[sussurro]“…Sim. Sinto muito. Eu sou Lico.”[/sussurro]
[grito]“É mesmo? Nunca te vi antes… Qual foi o seu nome mesmo?”[/grito]
[sussurro]“É Lico.”[/sussurro]
[grito]“Ah, Lico.”[/grito]
Agera ainda me segurava no colo e repreendia Lico. Era natural que ela não reconhecesse o mordomo, já que sofria de demência.
[grito]“Ei, você. Pode dizer àquelas crianças? Que não sou criança e não precisam ficar me seguindo e interferindo.”[/grito]
Lico, em vez de mostrar ressentimento por Agera não se lembrar de seu nome, olhou para ela como se estivesse brincando com uma criança.
[sussurro]“Se não é uma criança, quantos anos tem, Lady Agera?”[/sussurro]
[grito]“Eu? Bem…?”[/grito]
[sussurro]“E a jovem ao seu lado?”[/sussurro]
[grito]“Amaranto tem dezenove.”[/grito]
Agera não se lembrava da própria idade, mas não parecia achar estranho ter uma filha de idade misteriosa. Lico não conseguiu mais trocar palavras com Agera. Provavelmente, a breve troca de perguntas e respostas foi uma tentativa, com uma leve esperança, de que Agera percebesse algo estranho e recuperasse a lucidez por um momento. Como a expectativa foi frustrada, a decepção não seria pequena.
[grito]“Não tirem os olhos de Lady Agera de jeito nenhum.”[/grito]
Lico, que havia voltado à sua postura de mordomo severo, instruiu firmemente as criadas atrás dele. As criadas baixaram a cabeça, sentindo a responsabilidade. Agera, sem se importar com o que Lico dizia, retomou a conversa.
[grito]“Sabe, a nossa Amaranto está com frio. Precisamos levá-la para o quarto logo e aquecê-la.”[/grito]
Agera soprou minhas mãos. Meus olhos encontraram os de Lico por um instante. Ele deve ter se lembrado da disputa sobre onde eu ficaria.
[sussurro]“…O quarto da Jovem Lady não está limpo. Preparei outro quarto, então lá…”[/sussurro]
Parece que a desculpa de Lico sobre o quarto não estar limpo era verdade. Vazio por mais de 20 anos, era compreensível. Agera, esquecendo-se disso, interrompeu Lico e explodiu em fúria.
[grito]“Leve-a para o quarto logo! Não, eu mesma a levarei. Minha filha está com frio, eu disse! Quem é você para não me ouvir?”[/grito]
[sussurro]“Eu sou Licoradca, não… Sim. Vou providenciar.”[/sussurro]
Lico, resignado, cedeu. Parecia exausto demais para continuar discutindo comigo.
[sussurro]“Lady Agera. A limpeza levará um tempo. Que tal passear com Lady Amaranto enquanto esperam?”[/sussurro]
[grito]“É mesmo? Que tal? Amaranto! O tempo está bom, que tal passearmos juntas depois de tanto tempo, mamãe e você?”[/grito]
Assenti. Agradar Agera e poder usar o quarto de Amaranto seria vantajoso para mim, de qualquer forma. Lico sussurrou discretamente antes de ir:
[sussurro]“Jovem Lady Rohanson. Agradeceria se pudesse acompanhar Lady Agera o máximo possível. O Duque lhe explicará os detalhes.”[/sussurro]
[sussurro]“Certo. Entendido.”[/sussurro]
Lico entrou na mansão primeiro.
[grito]“Vamos, Amaranto. Mamãe vai te mostrar a estufa de vidro. Você também gosta de flores, assim como eu, não é?”[/grito]
Agera, sem se importar com Lico, me puxou pelo braço e me guiou. As criadas nos seguiram.
Agera, que queria ir para a estufa de vidro, ficou teimosa e repreendeu as criadas quando disseram que era perigoso ir lá porque estava em obras.
Eu a contive, me esforcei para agir como Amaranto, e reagi como se estivesse ouvindo pela primeira vez histórias que já havia escutado umas trinta vezes.
A história de Agera caindo feio quando criança e sendo carregada para casa nas costas do pai. A história de como Agera e o Duque se conheceram e se casaram. A história de como ela ficou emocionada no momento em que Amaranto nasceu.
Se Agera fosse realmente minha avó, teria sido um momento muito melancólico. Como eu costumo me envolver demais, senti um leve toque de tristeza.
***
A Duquesa havia acabado de se levantar da cama. Como ela havia recusado comida por um tempo, a mesa estava posta com alimentos fáceis de engolir e digerir, especialmente para ela.
No entanto, a Duquesa, insatisfeita com algo na mesa preparada exclusivamente para ela, começou a gritar e a fazer um escândalo. A mesa foi derrubada.
A senhora, sem se importar que a sopa ainda quente queimasse suas mãos, enfiou as mãos na tigela, pegou os pratos e os jogou e quebrou descontroladamente, causando um tumulto. Um dos criados, com a cabeça sangrando por ter sido atingido por um prato, tentou acalmar a senhora.
A Duquesa, sem dar uma razão clara para ter derrubado a mesa, apenas chamava por sua filha morta.
[grito]“Tirem isso daqui! Tragam Amaranto! Minha filha, minha filha!”[/grito]
Com os cabelos desgrenhados de tanto coçar e os olhos injetados de sangue, não havia mais nenhum vestígio da benevolência anterior. A Duquesa que tratava os criados com a mesma gentileza que tratava os filhos não existia mais. O que restava era um espectro que ansiava pelas memórias do passado.
[grito]“Senhora, por favor, recupere a consciência, Lady Amaranto já faleceu!”[/grito]
[grito]“Mentira, é mentira! Foi você, não foi? O que você fez com minha linda filha?”[/grito]
A Duquesa, possuída pelo espectro, avançou sobre a criada que havia anunciado a morte de Amaranto e tentou estrangulá-la. A criada, sem conseguir se libertar, engasgava e sufocava, pois a força da senhora, à beira da morte, era surpreendentemente grande. Quatro pessoas tentaram contê-la, mas não conseguiram parar a idosa.
A visão da criada girou. Quando ela pensou que realmente morreria, a porta da sala de jantar se abriu e o Duque Hosaquin entrou.
[grito]“Agera!”[/grito]
A Duquesa se assustou com o grito alto e soltou o pescoço da criada. Por um momento, a Duquesa tremeu, mas logo começou a chorar como uma criança.
[grito]“Por que você está bravo comigo? O que eu fiz de errado? Eu só queria ver Amaranto…”[/grito]
O Duque, ironicamente, sentiu-se aliviado por sua esposa o ter reconhecido. Ontem, ela havia se assustado com ele, perguntado quem ele era e tentado fugir, então sua condição estava relativamente melhor. O Duque abraçou e consolou sua esposa que chorava amargamente.
[sussurro]“Sinto muito. Eu sinto muito, Agera.”[/sussurro]
O Duque a abraçou apertado.
[sussurro]“Mas Agera. Olhe para eles. Aqueles que você tanto amava, não estão muito feridos? A Agera que eu conheço não machucaria inocentes.”[/sussurro]
Com as palavras de consolo do Duque, a Duquesa fungou e assentiu.
[sussurro]“Você me diria por que ficou brava?”[/sussurro]
[grito]“Ratos… Havia ratos. Ratos na sopa… Por isso eu queria dizer à Amaranto para não comer a sopa.”[/grito]
[sussurro]“Entendi. Você é uma mãe muito gentil.”[/sussurro]
[grito]“Eu tive outra alucinação? Você, por favor, verifique.”[/grito]
O Duque a abraçou, bloqueando sua visão para que ela não pudesse verificar o ambiente. Em seguida, mandou os criados revistarem os utensílios. Um dos criados, como se tocasse algo horrível, pegou uma longa cauda com dois dedos e a ergueu.
Era um rato vivo.
[sussurro]“Infelizmente, não havia nenhum rato, Agera.”[/sussurro]
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