Se o Gato-nim não estiver visível, eu explico. Está escuro e não consigo ver direito, mas a irmã Henna parece estar comendo alguma coisa. Ah, este detetive Kiki descobriu o que está acontecendo!
A irmã Henna está com muita fome e veio comer um lanche escondido. Se a pegarem, ela será repreendida. Ufa. Felizmente, o tio Marlow não está na cozinha agora.
Comer algo escondido sozinha, a irmã Henna é muito má. Mas como sou uma boa menina, não vou contar para a mamãe e para o tio Marlow.
Em vez disso, vou pedir para ela compartilhar comigo. Talvez a irmã Henna esteja comendo pimentão, então preciso ver bem o que ela está comendo primeiro.
O que a irmã Henna está comendo é…
…um rato?
G-Gato-nim. A irmã Henna me viu.
***
[pensamento]Onde será que ele estava que ainda não voltou? Ah, Pudim trouxe uma criança.[/pensamento]
De repente, uma criança apareceu diante dos meus olhos. O que é isso, um [glossario termo=”Espírito Elemental” definicao=”Uma entidade sobrenatural ligada a um dos elementos (fogo, água, terra, ar).”]Espírito Elemental[/glossario]? Por um momento, pensei que fosse um, ainda sem abandonar a ideia, mas então vi o gato familiar nos braços da criança e percebi que Pudim havia se teletransportado.
A criança, que abraçava Pudim com força como um boneco e tinha o rosto coberto de lágrimas, me viu e começou a soluçar sem parar.
[grito]“Hic. D-Demônio…”[/grito]
O quê? Não, por que ela me chama de [glossario termo=”Demônio” definicao=”Uma entidade sobrenatural maligna, frequentemente associada a magia negra.”]Demônio[/glossario] quando me vê? Eu não sou um demônio! Sou uma vilã! Fiquei irritada, mas pensei que seria inútil ficar brava com uma criança, então eu, a adulta, decidi me conter.
Pudim, apertado nos braços da criança, enviou um sinal de socorro, como se pedisse para ser solto. Mas, desta vez, ignorei seu olhar lamentável. Se eu tirasse o gato de uma criança que estava chorando, ela choraria ainda mais.
Eu também suportei centenas de maus-tratos desde o momento em que pisei neste [glossario termo=”Ducado Hosaquin” definicao=”Família materna de Evangeline.”]ducado[/glossario]. Pudim, você é um pouco mais velho, então seja compreensivo. Pudim miou insatisfeito.
[grito]“Pudim, quem você trouxe?”[/grito]
[grito]“M-Hic. Mavka.”[/grito]
A resposta veio de outro lugar. Foi impressionante que ela respondesse mesmo chorando. A imagem da criança soluçando e abraçando o gato amuado era tão adorável que me fez rir, mas como parecia que ela ia sufocar, decidi acalmá-la primeiro.
[grito]“Mavka. Quer parar de chorar e comer um biscoito?”[/grito]
[grito]“Hic. B-Biscoito…?”[/grito]
[grito]“Sim.”[/grito]
[glossario termo=”Mavka” definicao=”Nome da criança que se comunica com Pudim e se refere a si mesma como ‘Kiki’.”]Mavka[/glossario] assentiu vigorosamente, com lágrimas escorrendo. Sentei a criança no sofá e lhe dei um biscoito. Com o doce na boca, ela se acalmou e os soluços pararam.
Quando ela pareceu mais calma, perguntei por que estava chorando.
[grito]“Mavka, por que você estava chorando? Alguém te incomodou?”[/grito]
Mavka balançou a cabeça, com as bochechas estufadas de biscoitos como um hamster. Ela tentou falar algo, mas com a boca cheia, só saíam murmúrios, então ela mastigou tudo apressadamente.
[pensamento]Se ela comer tão rápido, vai soluçar de novo.[/pensamento] Entreguei-lhe um chá. Mavka bebeu alguns goles com destreza, engoliu e abriu a boca novamente.
[grito]“Eu vi algo assustador…”[/grito]
[grito]“O quê?”[/grito]
Lágrimas brotaram nos olhos de Mavka novamente, como se a lembrança assustadora tivesse voltado. Mavka abaixou a cabeça e respondeu.
[grito]“Um d-demônio…”[/grito]
Por mais que eu pensasse, não parecia que ela estava falando de mim.
[grito]“Mavka. Sei que é assustador, mas você pode explicar com calma?”[/grito]
Tentei persuadi-la gentilmente, fazendo minha voz soar o mais amigável possível. Mavka assentiu, apertando sem piedade as almofadinhas macias de Pudim. Fazer uma criança chorona parar de chorar… realmente, o poder de Pudim era como o melhor totem de cura de um [glossario termo=”Romance de Fantasia” definicao=”Gênero literário ao qual o mundo da história pertence.”]Romance de Fantasia[/glossario].
[grito]“Olá.”[/grito]
Mavka fez uma reverência profunda com seu pequeno corpo. Pudim, que estava em seus braços, guinchou no meio.
[grito]“Eu sou Mavka. Minha mãe me chama de Kiki.”[/grito]
[glossario termo=”Kiki” definicao=”Apelido de Mavka, dado por sua mãe.”]Kiki[/glossario]? Que apelido perfeito. É um senso incrível, mas se eu a chamasse assim, pareceria que estou rindo de forma sinistra, então decidi chamá-la pelo nome.
A explicação de Mavka, vista da perspectiva de uma criança, era um pouco confusa de entender, mas não foi difícil compreender a situação. A notícia que Mavka trouxe era um verdadeiro achado.
[pensamento]Devo começar dizendo: “Esta é uma história recontada a partir da perspectiva de Mavka.”[/pensamento]
Primeiro, para apresentar, Mavka era filha de [glossario termo=”Lico” definicao=”Apelido de Licoradca Palamedes.”]Lico[/glossario], o mordomo. Lico havia instruído Mavka a usar sua identidade como um escudo caso fosse sequestrada ou abordada por bandidos, mas ela acabou sendo pega pelos [glossario termo=”Padre” definicao=”Título religioso dado a Berga.”]padres[/glossario] sob o comando do [glossario termo=”Bispo Marik” definicao=”Bispo do templo, ex-freira, que supervisiona a purificação.”]Bispo Marik[/glossario].
Os padres pareciam ter usado a criança para extrair informações internas do [glossario termo=”Ducado Hosaquin” definicao=”Família materna de Evangeline.”]ducado[/glossario]. [pensamento]Eles realmente usaram uma criança como espiã sem nenhuma consciência?[/pensamento]
O Bispo Marik estava massacrando um por um aqueles que se opunham ao [glossario termo=”Templo” definicao=”Edifício religioso dedicado a uma divindade.”]Templo[/glossario] sob o pretexto de conter hereges, e parecia ter visto com maus olhos o [glossario termo=”Duque Hosaquin” definicao=”Família materna de Evangeline, cuja herança o Conde Rohanson cobiçava.”]Duque Hosaquin[/glossario], que havia intercedido pela minha absolvição.
O fato de terem mandado Mavka vigiar o demônio era para incriminar e oprimir o Duque Hosaquin.
Aqui, surge outro problema: a existência da [glossario termo=”Duquesa Hosaquin” definicao=”Nome da Duquesa Hosaquin, que sofre de demência e confunde Evangeline com sua filha Amaranto.”]Duquesa Hosaquin[/glossario], [glossario termo=”Agera” definicao=”Nome da Duquesa Hosaquin, que sofre de demência e confunde Evangeline com sua filha Amaranto.”]Agera[/glossario].
Neste mundo, a medicina havia declinado completamente devido à existência da [glossario termo=”Água Benta” definicao=”Substância sagrada usada para purificação e tratamento de vícios.”]Água Benta[/glossario], um remédio universal. Pessoas que não eram afetadas pela Água Benta eram consideradas amaldiçoadas ou hereges, e a demência não era exceção.
A demência também não era curada pela Água Benta, e as pessoas que a tinham eram evitadas, consideradas possuídas por espíritos malignos. Por isso, apenas o Duque compareceu ao banquete do [glossario termo=”Príncipe Herdeiro” definicao=”O herdeiro do trono imperial.”].
No entanto, como não eram poucas as pessoas com demência, havia um clima de silêncio, mas se o Templo usasse Agera como pretexto para acusá-la de heresia, a situação se complicaria.
Mas… havia outro problema aqui. [pensamento]Esta casa, quanto mais eu cavo, mais problemas aparecem.[/pensamento]
O segundo problema eram os “ratos”. Aqueles ratos que prometi ao Duque que exterminaria. Mavka me contou o que ouviu de sua mãe, Lico, e percebi que não eram ratos comuns.
A partir de certo dia, o número de ratos na mansão aumentou drasticamente, e por mais que os matassem, sua capacidade de reprodução era muito forte. Então, [glossario termo=”Gabriel” definicao=”Comandante da Ordem dos Cavaleiros de Phararos.”]Gabriel[/glossario] veio e lhes deu um método de contenção: mergulhar os ratos na Água Benta.
[pensamento]Então, o culpado por aquela cena horrível que vi era Gabriel…[/pensamento]
O fato de a Água Benta ter efeito significava que os ratos eram uma espécie de [glossario termo=”Maldição” definicao=”Um feitiço ou encantamento maligno, neste caso, o que aflige Bispo Marik.”]maldição[/glossario]. Não se sabia se o Bispo Marik os havia espalhado intencionalmente ou se alguém na [glossario termo=”Mansão Rohanson” definicao=”A residência principal da família Rohanson.”]mansão[/glossario] havia agido secretamente.
[pensamento]Não é à toa que o Duque me olhou com uma expressão de “Você vai fazer isso?” quando eu disse que ia pegar os ratos. Por que ele não me avisou que não eram ratos comuns?[/pensamento]
E foi aqui que Mavka testemunhou algo ainda mais chocante e me contou.
O demônio que Mavka mencionou aparece aqui. Eu me perguntava por que a criança estava tão assustada, e Mavka disse que viu uma criada chamada [glossario termo=”Nigella” definicao=”Criada da duquesa Hosaquin que ajuda a esconder os cadáveres de ratos na estufa.”]Nigella[/glossario] engolindo um rato. Ela estava observando secretamente a cena de Nigella engolindo um rato inteiro e foi pega. [pensamento]Eu também choraria se estivesse no lugar dela.[/pensamento]
Só de ouvir já é suspeito. A propósito, Nigella era a criada que abriu a cortina quando eu estava tomando chá com Agera na estufa. [pensamento]Ela está anunciando que é a culpada! Que audácia.[/pensamento]
De qualquer forma, Mavka fez um grande trabalho. Em agradecimento, dei a ela todos os lanches que [glossario termo=”Hazel” definicao=”Personagem que deu lanches à protagonista.”]Hazel[/glossario] havia me dado. Em troca, ela prometeu escovar bem os dentes.
Se não fosse por Mavka, eu teria sido enganada novamente pelo Bispo Marik sem saber de nada.
Preciso resolver isso rapidamente antes que o Bispo Marik ataque o Ducado Hosaquin.
Se tudo correr bem, posso salvar o ducado, acumular pontos de favor com Lico e resolver o problema dos ratos de uma vez, aproximando-me do [glossario termo=”história de arrependimento familiar” definicao=”Um subgênero de romance de fantasia onde a família que maltratou a protagonista se arrepende de suas ações e tenta se reconciliar.”].
***
[grito]“Bispo Marik. A criança que trazia notícias do Ducado Hosaquin não apareceu hoje.”[/grito]
[grito]“Não importa. Já fui informado sobre a condição da Duquesa.”[/grito]
[glossario termo=”Saraka” definicao=”Criada com cicatrizes que serve ao Bispo Marik e espia os nobres.”]Saraka[/glossario] respondeu gentilmente. Curiosa para saber por que o Duque, que havia cortado laços com sua neta, de repente tomou o lado da [glossario termo=”Lady Rohanson” definicao=”Título dado a Evangeline como herdeira do Condado Rohanson.”], ela havia colocado vários olhos perto do ducado.
As informações obtidas de pessoas facilmente subornáveis eram insignificantes. Curiosamente, informações internas úteis foram obtidas daquela criança, filha do mordomo.
Saraka, sendo uma [glossario termo=”Clérigo” definicao=”Um oficial religioso, geralmente associado a um templo ou igreja.”]clérigo[/glossario] misericordiosa que não desconsiderava o testemunho de crianças, ouviu tudo o que a criança disse. Ela se perguntava por que o Duque Hosaquin havia agido de repente, e a Duquesa era a causa de tudo. A Duquesa estava possuída por um espírito maligno.
Embora não fosse tão grave quanto outros crimes, era informação suficiente para acusá-la de heresia. [pensamento]Que pena do Duque, com todos os membros de sua família envolvidos em coisas ímpias. Se o Duque pudesse abandonar sua família como Saraka, ele poderia terminar sua vida com honra.[/pensamento]
Mas como o Duque estava tentando abandonar Deus diretamente, Saraka não tinha escolha a não ser ajudá-lo a seguir o caminho certo. Tendo descoberto o segredo do Duque, o Ducado Hosaquin poderia ser tratado sem problemas.
Saraka, que estava imaginando o futuro, decidiu deixar de lado os assuntos do Ducado Hosaquin por um momento e se concentrar no que estava à sua frente.
[grito]“Bispo. Os criminosos foram detidos.”[/grito]
Ao ouvir as palavras do [glossario termo=”Cavaleiro” definicao=”Um guerreiro, geralmente associado a uma ordem militar ou nobreza.”], Saraka olhou para as três crianças, com as mãos e os pés amarrados, ajoelhadas no chão. Embora fossem chamadas de criminosas, o crime que cometeram não era tão grave.
As três, curiosas sobre a crescente popularidade da [glossario termo=”Magia Negra” definicao=”Um tipo de magia que envolve o uso de forças sobrenaturais para fins malignos ou egoístas.”], ignoraram os conselhos dos pais e conspiraram para trazer secretamente um autoproclamado [glossario termo=”Feiticeiro” definicao=”Alguém que pratica magia ou rituais proibidos.”]Feiticeiro[/glossario] para ler a sorte.
Se os [glossario termo=”Paladino” definicao=”Cavaleiro sagrado, geralmente associado a ordens religiosas.”]Paladinos[/glossario] não tivessem seguido secretamente o Feiticeiro e invadido o local, teria sido considerado apenas um momento de curiosidade.
[grito]“Aria…”[/grito]
O [glossario termo=”Conde Regulus” definicao=”Pai de Aria, que ficou chocado ao ver sua filha com um feiticeiro.”]Conde Regulus[/glossario], que estava parado calmamente em um canto, chamou o nome de sua filha com desespero.
As três foram audaciosas o suficiente para convidar o Feiticeiro para um chá da tarde. Elas se aproveitaram do fato de que ninguém prestaria muita atenção a uma pequena reunião social de jovens damas.
Quando os Paladinos invadiram o [glossario termo=”Condado Regulus” definicao=”Família nobre de Aria, que foi invadida pelos Paladinos.”]condado[/glossario], o Conde Regulus repreendeu-os, acusando os Paladinos de abuso de poder em nome de Deus. Se não fosse pela reputação do Bispo Marik, ele nunca teria permitido a invasão.
O Conde Regulus enfatizou repetidamente a Saraka que sua família não tinha absolutamente nenhuma ligação com hereges, mas ao ver sua filha com o Feiticeiro lendo a sorte, ele ficou pálido de choque.
[grito]“Mãe! Eles estão me ameaçando! Por favor, me salve!”[/grito]
[glossario termo=”Aria” definicao=”Filha do Conde Regulus, que foi pega com um feiticeiro e não reconhece seu erro.”]Aria[/glossario], que estava segurando a respiração, envergonhada por ter chamado o Feiticeiro, viu o Conde Regulus e expressou alívio.
Saraka suspirou levemente ao ver Aria, que havia cometido atos malignos, mas não reconhecia seu erro e acreditava que o Conde a salvaria.
[grito]“Conde Regulus. Parece que a Jovem Lady Regulus foi completamente seduzida pela [glossario termo=”Magia Negra” definicao=”Um tipo de magia que envolve o uso de forças sobrenaturais para fins malignos ou egoístas.”]. Ela nem sequer percebe o que fez de errado.”[/grito]
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