[grito]Ainda não está confirmado. A Marquesa Toten também está…[/grito]
[grito]Faltam dois dias para o aniversário do Príncipe Herdeiro. Acha que a Senhora Toten vai nos contatar a tempo?[/grito]
[pensamento]Rafaela, parece que você nunca foi ignorada. Se a sua veterana de vida pudesse dar um conselho, Rafaela, seja em um relacionamento ou em um trabalho em equipe, quem some nunca mais aparece. Por isso que sumiu.[/pensamento]
[grito]Ou, minha mãe também está aqui. Se o oponente for um duque, nem o Bispo Marik poderá fazer nada.[/grito]
[grito]Não disse que estava rompida com ela?[/grito]
[grito]Não! É só um jeito de falar, na verdade ela se preocupa muito comigo. Eu vou me agarrar às barras da calça dela e implorar para que seja a acompanhante da Jovem Lady![/grito]
[pensamento]Rafaela gritou desesperadamente. Ela está preocupada que eu esteja em perigo? Parece que ela tem um certo senso de lealdade. Fiquei um pouco emocionada.[/pensamento]
[grito]E parece que estamos sendo vigiados.[/grito]
[pensamento]O quê? Isso não estava na carta. Será que estão me seguindo por causa dos rumores? Mas eu não saio de casa, como eles pretendem me vigiar?[/pensamento]
[pensamento]Ao ouvir isso, Jelly, que estava comendo uvas atrás de mim, respondeu com desdém.[/pensamento]
[grito]Ah, aquele cara que ficava rondando a casa? Já dei um jeito nele.[/grito]
[pensamento]Deu um jeito? Não, Jelly. Você estava patrulhando e agindo como um herói das sombras sem eu saber? E eu te repreendendo, pensando que você só ficava à toa![/pensamento]
[grito]Mas como você pôde fazer isso! Se os olhos na mansão sumirem, eles vão nos achar ainda mais suspeitos![/grito]
[pensamento]Mas parece que foi um erro. Parece que mereço a bronca. Rafaela, sem saber quem falava, explodiu de raiva e só depois olhou para Jelly com uma expressão azeda.[/pensamento]
[grito]Jovem Lady… A propósito, quem é ele?[/grito]
[pensamento]É a primeira vez que os dois se veem?[/pensamento]
[grito]Eu? Sou Jelly.[/grito]
[grito]Eu perguntei à Jovem Lady.[/grito]
[pensamento]Uma sutil guerra de nervos se seguiu. Ah, ela percebeu que é uma rival no amor por Daisy? Já que Daisy gosta de Rafaela, devo ficar do lado de Rafaela.[/pensamento]
[grito]Jelly é… meu cachorro?[/grito]
[pensamento]Droga. Ao tentar explicar minha relação com ele para que não houvesse contato com Daisy, acabei dizendo apenas “cachorro” sem querer. Isso vai me render olhares de discriminação contra [glossario termo=”Híbrido”]Híbridos[/glossario] novamente.[/pensamento]
[grito]Ah, quer dizer, ele é um subordinado que eu trato como um cachorro.[/grito]
[pensamento]Acrescentei rapidamente. Mas isso não é uma declaração típica de um empregador cruel? Rafaela bateu nas orelhas como se tivesse ouvido um absurdo. Eu, eu sinto muito.[/pensamento]
[pensamento]Por outro lado, Jelly, mesmo sendo chamado de cachorro, abanava o rabo docilmente, sem reclamar. O que é isso, uma ilusão? Ele está em forma humana agora, então devo ter visto coisas.[/pensamento]
[pensamento]Não. Não era uma ilusão. Um rabo saiu de Jelly. E ele tem orelhas também. Quando as orelhas na cabeça de Jelly se moveram, minha mão se contraiu sem querer. Eu não tinha visto errado antes! Não, ele geralmente as esconde bem, por que elas estão aparecendo agora?[/pensamento]
[pensamento]Felizmente, Rafaela estava batendo nas próprias orelhas, então parecia que não tinha visto. Guarde isso! Rápido! Enquanto eu sinalizava com os olhos, Jelly guardou as orelhas e o rabo.[/pensamento]
[grito]O que está fazendo?[/grito]
[grito]Ah. Isso? A Mestra gosta dessas coisas, não gosta?[/grito]
[grito]Eu gosto disso?[/grito]
[pensamento]Que bobagem ele está falando? Por que eu gostaria disso?[/pensamento]
[grito]Sim. É por isso que você só dá carinho para o Pu… Pudim, não é?[/grito]
[pensamento]Ah, entendi. Não era sobre meus gostos, mas sim que eu dou mais carinho aos animais. Eu pensei que Jelly estava competindo com Pudim, por isso me chamava de Mestra. Não, ele deveria comparar coisas comparáveis. Pudim ainda é um bebê. Não é óbvio que eu deveria cuidar mais dele?[/pensamento]
[pensamento]Eu ia dizer para ele agir como um adulto, mas Rafaela olhou para Jelly com uma expressão que não sabia o que dizer. Será que ela viu as orelhas e o rabo de Jelly? Rafaela, ao contrário de antes, falou com Jelly em uma voz muito mais suave.[/pensamento]
[grito]E-eu, uh…[/grito]
[grito]Está me chamando?[/grito]
[grito]Se houver alguma pressão injusta, por favor, denuncie.[/grito]
[grito]O quê?[/grito]
[pensamento]O que ela está dizendo! Pressão injusta? Ela está me considerando uma colecionadora pervertida de escravos [glossario termo=”Híbrido”]Híbridos[/glossario]? Mais uma linha será adicionada aos inúmeros rumores. Como vou me explicar? Eu não gosto de [glossario termo=”Híbrido”]Híbridos[/glossario]? Não! Isso só vai parecer mais suspeito! Pelo contrário, parece que estou tentando esconder meus gostos, o que me faz parecer ainda mais pervertida![/pensamento]
[pensamento]Jelly também parecia chocado, mas logo caiu na gargalhada.[/pensamento]
[grito]Ei, você é muito engraçada. Está me dizendo para denunciar a Mestra?[/grito]
[pensamento]Não me chame de Mestra! Você nunca me chamou assim antes, não me faça levantar suspeitas de repente![/pensamento]
[grito]Se eu denunciar, quem vai me prender?[/grito]
[pensamento]Jelly riu e continuou comendo as uvas. De vez em quando, ele parecia querer fazer truques e até jogava uvas para Pudim pegar. Claro, nosso majestoso Pudim pegava as uvas e as arremessava de volta no rosto de Jelly com toda a força.[/pensamento]
[pensamento]Jelly, mesmo sendo atingido por frutas por um gato, ria e se contorcia de alegria. Onde ele parece uma pessoa sofrendo de trabalho injusto? Aos meus olhos, ele parece um desocupado que encontrou um bom protetor. Olhei para ele com ressentimento, e Rafaela desviou o olhar.[/pensamento]
[grito]Hahahaha. É claro que é brincadeira. Você sabe, não é?[/grito]
[pensamento]Não, não sei! Eu disse que protegeria o seu romance com Daisy, e você me vê como uma empregadora cruel? Olhei para ela, e Rafaela apressadamente arrumou suas coisas.[/pensado]
[grito]Então, irei procurar minha mãe para me preparar para qualquer situação inesperada.[/grito]
[pensamento]Rafaela tentou fugir. Para onde você pensa que vai fugir?[/pensamento]
[grito]Não precisa.[/grito]
[grito]O quê?[/grito]
[pensamento]Logicamente, de que adiantaria implorar de última hora?[/pensamento]
[pensamento]Se fosse eu, se meu filho, que rompeu com o mundo e entrou para um templo, viesse me procurar depois de anos e choramingasse para o abade do templo que ele tem uma paquera e que eu deveria ser a guardiã dela, eu o chutaria para fora por ser tão descarado. O duque é uma pena, mas vamos desistir.[/pensamento]
[grito]O Bispo Marik é alguém que aceitaria de bom grado ser a acompanhante de uma Jovem Lady desconhecida?[/grito]
[grito]Não. Ele é gentil, mas tem limites claros. Mesmo que você peça, ele não aceitará.[/grito]
[pensamento]Se uma pessoa assim se oferecesse, seria porque me consideraria extremamente suspeita. Considerando os rumores sobre Evangeline, há muitos de um nível tão terrível que nunca se acreditaria que ela fosse uma civil, então era compreensível pensar que ela estava possuída por um espírito maligno.[/pensamento]
[grito]Se a Senhora Toten não vier, aceitarei a recomendação do Bispo Marik.[/grito]
[grito]O Bispo Marik é perigoso…[/grito]
[grito]Recusar desesperadamente só fará com que pareça mais suspeito.[/grito]
[pensamento]Independentemente do gênero, a natureza dos personagens que perseguem coisas suspeitas é pegar quem tenta fugir. Quanto mais você esconde e evita, mais suspeito você parece e mais eles se agarram a você.[/pensamento]
[pensamento]Eles vão investigar tudo, até o ponto de serem chamados de incômodos e causadores de câncer, e atrapalharão tudo. Aposto minha cabeça que o Bispo Marik fará o mesmo. Então, é melhor enfrentar de frente do que fugir, não é?[/pensamento]
[pensamento]Acima de tudo, eu não sou mais a mesma de antes! Os dias em que eu era tão ruim em atuar que todos descobriam que eu estava [glossario termo=”Possessão”]possuída[/glossario] acabaram. Eu não aprendi apenas etiqueta e dança nesse tempo. Apresento a vocês, a nova ‘Evangeline’, aperfeiçoada com as delicadas lições de Doline e as memórias de Evangeline que Daisy me incutiu![/pensamento]
[pensamento]Agora tenho confiança para enganar até o Conde Rohanson. Não sei que vento o levou, mas o Conde me chamou para almoçar no dia do banquete. Devo testar minhas habilidades então. A propósito, o jejum não é o básico no dia do banquete? Que falta de consideração. Bem, é por isso que ele ainda me negligencia, não importa se a filha se tornou uma vilã ou quem a possuiu.[/pensamento]
[grito]Por favor, que a Senhora Toten venha…[/grito]
[pensamento]Esse garoto. Parece que Rafaela não está satisfeita comigo. Ou o Bispo Marik é uma pessoa muito assustadora. Ele não vai me exorcizar com um galho da Árvore do Mundo, vai? Isso seria um pouco assustador.[/pensamento]
[pensamento]Eu ia lidar com isso com dignidade, mas vendo o estado de Rafaela, comecei a desejar que a Senhora Toten viesse. Mas seria desavergonhado pedir para ela vir, deixando uma criança doente. Nesse caso, eu deveria ter dito a Rafaela para aproveitar a oportunidade e se reconciliar com a mãe com quem ela rompeu. Rafaela olhou para mim com os olhos agora marejados.[/pensamento]
[grito]Se ainda não houve contato, ela não virá, certo?[/grito]
[pensamento]Vendo Rafaela tão assustada, uma súbita vontade de pregar uma peça me invadiu.[/pensamento]
[grito]Quer apostar?[/grito]
[grito]O quê?[/grito]
[pensamento]Como esperado, Rafaela franziu a testa como se eu estivesse falando bobagem.[/pensamento]
[grito]Eu aposto que a Senhora Toten virá.[/grito]
[pensamento]Rafaela ficou intrigada. Talvez porque eu, que estava tão certa de que ela não viria, apostei no contrário.[/pensamento]
[grito]Ela não virá, não é? Dizem que a criança está doente.[/grito]
[grito]Quem sabe. As coisas podem mudar.[/grito]
[pensamento]Tsc. É por isso que são novatos. Não sabem apostar contra? É a emoção do jogo.[/pensamento]
[pensamento]Claro, minha verdadeira intenção era outra. Não quero ser atingida por um bastão feito de galhos da Árvore do Mundo! Por favor, venha![/pensamento]
***
Já era o quinto dia de uma chuva torrencial implacável, e o dia do banquete de aniversário do Príncipe Herdeiro havia chegado. Ao meio-dia, o sol desapareceu, e apenas as nuvens escuras que cobriam o céu vomitavam chuva. Com a chegada da noite, o mundo ficou ainda mais sombrio, envolto na sombra das nuvens. As fortes chuvas, como se pretendessem inundar a terra, batiam ferozmente nas janelas, como se quisessem entrar no quarto.
[glossario termo=”Kinder Toten”]Kinder Toten[/glossario] verificou novamente se as janelas estavam bem fechadas e puxou as cortinas. A [glossario termo=”residência do Marquês”]residência do Marquês[/glossario] Toten, que sempre exalava o perfume do sol, hoje cheirava a mofo úmido.
Os olhos de Kinder estavam escuros sob as pálpebras, pois havia passado várias noites em claro. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. Sua cintura doía como se fosse quebrar, de tanto ficar sentada na cadeira ao lado da cama o dia todo. No entanto, Kinder logo esqueceu a dor ao ouvir uma voz fraca.
[grito]Mãe, ni…[/grito]
[grito]Rider! Sim, a mamãe está aqui.[/grito]
Kinder correu para a cama e acariciou a cabeça suada do filho, continuando a falar com ele. O calor que sentia em sua mão era excepcionalmente alto.
Cinco dias antes, quando a estação chuvosa começou, a condição de [glossario termo=”Rider”]Rider[/glossario] piorou drasticamente. Ontem, ele passou o dia inteiro com febre alta, sem conseguir abrir os olhos, e só agora, depois de uma noite, ele finalmente recuperou a consciência.
Desde que nasceu, Rider sempre foi propenso a doenças, mas esta era a mais grave. Os criados da [glossario termo=”residência do Marquês”]residência do Marquês[/glossario] chegaram a providenciar roupas pretas secretamente, sem o conhecimento da senhora. Apenas uma pessoa na mansão não conseguia aceitar a morte da criança.
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