[grito]“Daisy. Acorde as crianças e os outros agora mesmo.”[/grito]
“O quê?”
[grito]“Rápido!”[/grito]
Rafaela disse isso a Daisy e começou a circular pelas tendas para acordar as pessoas. Aqueles que tinham acabado de se deitar saíram cambaleando, entre o sono e a vigília.
“O que está acontecendo para nos acordar a esta hora…?”
Alguns, ainda com os olhos pesados de sono, exigiam uma explicação de Rafaela.
[sussurro]“Shh. Vocês precisam ficar em silêncio.”[/sussurro]
Rafaela deu o aviso enquanto lançava um olhar discreto para além das grades de ferro.
Os cavaleiros que haviam acabado de terminar a troca de turno estavam desaparecendo ao longe. Rafaela prendeu a respiração até que eles não estivessem mais à vista e correu imediatamente para os portões.
“Ei, você!”
Um criado tentou impedir Rafaela.
Isso porque, durante o dia, um criado quase fora cortado por um cavaleiro ao tentar fazer a mesma coisa. Ele lançou um olhar de suspeita, questionando se ela queria morrer por agir daquela forma. Foi então que as grades de ferro da [glossario termo=”A residência principal da família Rohanson.”]Mansão Rohanson[/glossario], que estavam firmemente fechadas, começaram a se abrir com um ruído metálico. Quem abriu o portão não foi outro senão um [glossario termo=”Cavaleiro sagrado, geralmente associado a ordens religiosas.”]Paladino[/glossario].
As pessoas do Condado Rohanson apenas observavam Rafaela, sem entender o que estava acontecendo. O cavaleiro que escancarou o portão tirou o elmo e gritou com alegria:
“Sir Rafaela!”
“Uriel!”
Era o resgate.
Rafaela bateu o punho contra o de Uriel com força. Foi um ato impensado, esquecendo que o outro estava vestindo uma armadura. Com um som metálico, Rafaela logo estava segurando o próprio punho e rolando pelo chão de dor.
“Que idiota.”
Uriel, seu próprio companheiro, não parecia ter a menor intenção de ajudá-la a se levantar. Quem ajudou Rafaela, que ainda se contorcia no chão, foi um criado da família Rohanson.
“Esses senhores são…”
“Vocês já devem tê-los visto antes. São meus companheiros.”
Todos pareceram aliviados com as palavras de Rafaela. Ao verem que os companheiros dela haviam chegado, vozes cheias de esperança surgiram, perguntando se finalmente poderiam escapar. Como esperado, a [glossario termo=”Ordem de cavaleiros à qual Gabriel pertence.”]Ordem dos Cavaleiros de Phararos[/glossario] viera para ajudar na fuga dos moradores da mansão.
“Sir Rafaela. Lady Evangeline nos informou sobre o local de refúgio. A partir de agora, devemos escoltar os servos da Mansão Rohanson em segurança.”
Rafaela assentiu e pediu apressadamente que as pessoas subissem nas carruagens de carga. Eles pegaram seus pertences simples e embarcaram. Como havia muita gente, eram ao todo três carruagens. As carruagens eram bastante chamativas e suspeitas, então foi uma sorte os cavaleiros terem conseguido realizar a troca de turno.
“O que você disse aos cavaleiros que estavam aqui antes?”
Rafaela perguntou, curiosa.
“Não disse muito. Apenas que o Bispo Marik finalmente planejava executar os [glossario termo=”Alguém que se desvia da doutrina religiosa estabelecida.”]hereges[/glossario] de Rohanson.”
“O-o quê?”
As palavras que saíram da boca dele eram terríveis. Rafaela pigarreou e perguntou novamente.
“E então, eles aceitaram de braços abertos?”
“Sim. Mas e quanto aos cavaleiros que deveriam fazer a troca? Como você os enganou?”
Michelle, que estava com os olhos marejados e o coração apertado ao ver a mansão de Evangeline em ruínas, de repente se intrometeu na conversa e criticou em tom de desprezo:
“Eles receberam o castigo divino por ousarem tentar prejudicar Lady Evangeline.”
“Michelle…”
Rafaela ignorou Michelle e perguntou os detalhes aos outros membros da ordem. No final, foi Uriel quem deu a resposta:
“Esperamos o momento da troca de turno e os emboscamos. Eles não vão acordar antes do fim do dia.”
Considerando que faltavam apenas alguns minutos para o dia acabar, era um humor sem graça. No entanto, lembrar que Uriel era alguém incapaz de mentir tornava aquilo ainda mais sinistro. Eles realmente acordariam logo? Rafaela ficou um pouco ansiosa e apressou as pessoas para as carruagens, selecionando e carregando os itens necessários para a jornada.
“Cavaleiros, está tudo pronto!”
“Sim, Senhora Weather!”
Rafaela inclinou a cabeça, confusa com o rosto desconhecido que apareceu de repente. Não era alguém da Mansão Rohanson, nem um membro da ordem; por que uma estranha estava ocupando um lugar ali tão naturalmente?
“Ah. A Senhora Weather é a chefe das criadas do [glossario termo=”Família nobre onde a protagonista está hospedada.”]Ducado Toten[/glossario].”
“Ducado Toten?”
Já era estranho o Ducado Toten aparecer do nada, mas a chefe das criadas? Enquanto Rafaela murmurava sem entender, Uriel respondeu:
“Sim. Nós estávamos na residência do Marquês Toten. A Marquesa nos escondeu por um tempo.”
Em seguida, como se não quisessem ficar para trás, os outros membros começaram a falar um por um:
“Eu nunca imaginei que acabaria entrando em uma prisão na minha vida.”
“Foi a prisão mais luxuosa que já vi em toda a minha existência.”
Ninguém ousou mencionar a outra pessoa que estava trancada em uma prisão “real” como um prisioneiro comum. Eles nem se importaram em saber quem era aquele prisioneiro. Era uma consideração pela Marquesa Toten, que havia protegido os cavaleiros apesar do risco.
Enquanto os cavaleiros relembravam suas breves memórias, apenas Rafaela continuava sem entender. Afinal, o que o fato da Marquesa Toten tê-los protegido tinha a ver com a chefe das criadas estar ali?
Os cavaleiros conversaram por um bom tempo antes de explicarem o motivo.
“O mais incrível é que o refúgio que Lady Evangeline indicou é justamente a terra natal da Senhora Weather, acredita?”
Aquilo era realmente uma coincidência impressionante.
“Terra natal? Então a Senhora Weather vai conosco agora?”
Rafaela perguntou com hesitação. Vários assentiram com a cabeça. Ela havia perguntado à criada, então por que eles estavam respondendo? Rafaela lançou um olhar de desaprovação para seus companheiros. Parecia que, enquanto ela sofria na Mansão Rohanson, eles haviam construído uma amizade bem próxima no Ducado.
“Se a senhora nos acompanhar, situações perigosas podem surgir.”
Rafaela alertou Weather com uma atitude séria. Eles estavam fugindo para escapar dos olhos do Templo. Se ela tivesse a mentalidade ingênua de quem está apenas indo visitar a terra natal, acabaria se dando mal. Weather pareceu ponderar suas palavras e respondeu com calma:
“Bem… minha terra natal tende a rejeitar estrangeiros. Será melhor se eu for junto.”
“…É mesmo?”
Se ela estava preparada, não havia o que fazer.
“E aquele cocheiro também?”
Com a pergunta de Rafaela, todos os olhos se voltaram para o assento do cocheiro. Havia três carruagens prontas; em duas delas, rostos familiares seguravam as rédeas, mas em uma delas, uma figura suspeita, com o rosto oculto por um capuz, estava sentada.
“Ah, ele é um especialista em condução.”
Weather explicou, batendo palmas.
“Precisamos de alguém assim?”
“Bem, teremos que percorrer caminhos difíceis rapidamente, não é?”
“……”
“Além disso, ouvi dizer que ele é um profissional reconhecido pela própria Lady Evangeline.”
“Pela Lady Evangeline?”
Rafaela arregalou os olhos ao ouvir o nome surgir de repente. Aquele cocheiro não era do Ducado Toten? Se Lady Evangeline o mencionara, as chances de ser alguém dela eram altas. Percebendo que falavam dele, o cocheiro inclinou a cabeça levemente.
“Disseram que o Senhor Melek era originalmente o cocheiro da Mansão Rohanson.”
Se ele era da Mansão Rohanson, fazia sentido fugirem juntos. No entanto, para alguém que trabalhava ali, nenhum dos servos detidos da família Rohanson falara com ele primeiro. Pelo contrário, parecia que ele nem sequer conhecia os outros empregados…
[pensamento]“Suspeito, não é?”[/pensamento]
Se não fosse por aquela voz mesquinha e tão diferente da sua, Rafaela teria achado que falara seus pensamentos em voz alta por um momento. Quem disse que o cocheiro era suspeito não foi Rafaela, mas outro cavaleiro.
“Então por que entregaram as rédeas a ele?”
“Porque confiamos na Marquesa Toten. Foi ela quem designou esse cocheiro. Além disso, o acordo é que ele nos acompanhe apenas até os portões da cidade.”
Se era apenas até os portões, havia necessidade de ele ir junto? Rafaela tentou decifrar as intenções da Marquesa e do cocheiro enquanto se preparava para subir no compartimento de carga. Isso se não tivesse sido interrompida subitamente.
“Ei? Pode tirar a perna do caminho?”
Uma perna longa bloqueou a frente de Rafaela. No momento em que ela ia reclamar que ele estava brincando mesmo naquela situação…
“Rafaela, você fica.”
“O quê?”
“Você deve permanecer na capital.”
“Ficou louco? O Comandante não está aqui e vocês vão partir sem mim?”
“Por acaso você é a [glossario termo=”O segundo em comando em uma ordem de cavaleiros.”]Vice-Comandante[/glossario]? Você é apenas a [glossario termo=”Um oficial que assiste um comandante.”]Ajudante de Ordens[/glossario] do Comandante.”
Ela tentou protestar, indignada, mas recebeu apenas deboche em troca. Rafaela quase gritou: ‘Ajudante ou Vice-Comandante, dá no mesmo!’. Mas as palavras do outro foram mais rápidas.
“Pelo menos você precisa estar ao lado do Comandante.”
Se ele queria atingir o ponto fraco de Rafaela, encontrara o lugar certo. Rafaela calou a boca assim que o argumento lógico foi apresentado.
“Lady Evangeline disse que participaria do [glossario termo=”Um evento religioso ou ritualístico onde ocorrerá o plano do Bispo Marik.”]Rito de Sacrifício[/glossario]. Então, certamente o Comandante também irá. Você também deve ter recebido um convite, Rafaela. Por isso, fique e permaneça ao lado dele.”
“Sinceramente, você sozinha aqui será mais útil do que todos nós juntos.”
Rafaela observou o rosto de seus companheiros após aquelas palavras. Eram todos idiotas e ingênuos demais. Uriel era confiável em combate, mas lento de raciocínio e honesto demais. Michelle, que era a mais esperta, perdia o juízo sempre que estava diante de Evangeline.
[pensamento]‘Até eu me deixaria para trás.’[/pensamento]
Tudo aquilo era porque ela mesma era competente demais.
“Como você acabou de dizer, você é a Ajudante do Comandante, não é? Ninguém o conhece melhor do que você.”
Isso era verdade. Afinal, apenas Rafaela sabia que a [glossario termo=”Substância sagrada usada para purificação.”]Água Benta[/glossario] não funcionava em Gabriel. Na verdade, voltando ao início, fora Rafaela quem persuadira Gabriel a realizar a [glossario termo=”Ritual religioso de iniciação ou purificação.”]Cerimônia de Batismo[/glossario] com sucesso.
Enquanto Rafaela se angustiava, uma mão pesada pousou em seu ombro. Era Uriel.
“Contamos com você, Sir Rafaela.”
Uriel deu tapinhas em seu ombro, como se confiasse nela plenamente. Por algum motivo, todos pareciam emocionados, criando um clima de despedida lacrimosa, e Rafaela teve que suportar a dor no ombro que parecia prestes a deslocar. Estavam agindo como se nunca mais fossem se ver. Sendo que, assim que as coisas na capital fossem resolvidas, eles voltariam logo!
[pensamento]Ou será que todos querem que eu morra? Rezem logo para eu morrer, então! De uma vez![/pensamento] Rafaela, que fervilhava internamente, sentiu uma ponta de ansiedade. Vai… vai… dar tudo certo, não vai?
“…Está bem.”
No fim, Rafaela acabou aceitando o fato de que deveria permanecer na capital e participar do Rito de Sacrifício. Ela estava extremamente preocupada se os cavaleiros conseguiriam escoltar o povo de Rohanson sem ela. Querendo ajudar no que pudesse, ela verificou pela última vez as pessoas nas carruagens.
“Senhor Cavaleiro! O senhor não vem com a gente?”
“As coisas acabaram sendo assim.”
Rafaela afagou o cabelo de Mary com força. Talvez por estar escapando da Mansão Rohanson, que era como um trauma, Mary estava excepcionalmente radiante. Era muito melhor do que vê-la se lamentando e se escondendo por achar que havia ferido o cachorrinho.
Daisy cuidava bem da criança agitada. Quando seus olhos se encontraram, Daisy inclinou a cabeça em um cumprimento educado.
“Sir Rafaela. Obrigada por nos ajudar.”
“Não foi nada.”
Rafaela coçou a bochecha, sentindo-se sem jeito.
Quando viu Daisy pela primeira vez, não imaginava que se tornariam próximas a ponto de conversarem assim; era um sentimento novo. Naquela época, ela via Daisy apenas como uma fonte para obter informações sobre Lady Evangeline.
[pensamento]‘E, claro, eu também não imaginava que a relação entre o Comandante e Lady Evangeline se tornaria tão profunda.’[/pensamento]
Aqueles que não sabiam de nada diziam que Gabriel fora enfeitiçado pela Bruxa de Rohanson, mas a opinião de Rafaela, que observara os dois de perto, era um pouco diferente.
Rafaela sabia muito bem que, tanto quanto Gabriel era influenciado por Evangeline, ele também exercia uma influência imensa sobre ela. Quando Evangeline visitou brevemente a Mansão Rohanson, ela hesitou por um longo tempo antes de falar com Rafaela.
“Sir Rafaela.”
Quando aquelas íris escarlates e sombrias a refletiram, ela não pôde evitar um estremecimento. Ela se tornara próxima dos servos de Rohanson e de Daisy, mas a própria Evangeline Rohanson, que era o motivo de tudo, parecia ser uma existência eternamente difícil de lidar.
Sinceramente, se Rafaela não fosse subordinada de Gabriel e não tivesse nenhum contato com Evangeline, ela não teria discordado da afirmação do Bispo Marik de que ela era uma herege e um demônio.
Evangeline Rohanson era como uma estátua sem vida. Era claramente uma obra-prima esculpida com alma. Sua aparência era tão bela que compará-la a um anjo não seria profano. No entanto, o que a compunha era uma pressão que forçava os outros a baixarem a cabeça, uma aura de mau agouro.
Era tão estranha que mal podia ser considerada humana.
Sempre que Evangeline Rohanson olhava para ela, Rafaela sentia uma sensação de privação, como se fosse uma existência insignificante.
Mas aquele momento foi diferente. O ar ao redor mudou completamente. Alguma parteira disse uma vez: o nascimento de uma vida é a cena mais admirável do mundo.
Rafaela podia ter certeza.
Aquele momento em que as emoções transbordaram em Evangeline também seria comparável a isso. Aquele foi o instante em que Evangeline decaiu para a condição de humana.
“Sir Gabriel… ele se feriu muito?”
Evangeline Rohanson perguntou com cautela, demonstrando preocupação. Rafaela mordeu a língua, perguntando-se se não estaria sonhando. Um gosto metálico e uma dor aguda surgiram. Ver Evangeline Rohanson agir como uma pessoa comum a fazia sentir-se realmente enfeitiçada por um demônio.[/translation>
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“termo_original”: “희생제”,
“traducao”: “Rito de Sacrifício”,
“contexto”: “Um evento religioso ou ritualístico mencionado por Gabriel que servirá como palco para os planos do Bispo Marik.”,
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“termo_original”: “세례식”,
“traducao”: “Cerimônia de Batismo”,
“contexto”: “Um ritual religioso de iniciação ou purificação realizado no templo.”,
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“termo_original”: “부단장”,
“traducao”: “Vice-Comandante”,
“contexto”: “O segundo posto em comando dentro de uma ordem de cavaleiros.”,
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“id”: null,
“score”: 0.0
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{
“termo_original”: “단장 보좌”,
“traducao”: “Ajudante de Ordens”,
“contexto”: “Um oficial que assiste diretamente o comandante, como o cargo de Rafaela para Gabriel.”,
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